Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012

CARTA ABERTA AO MINISTRO DA DEFESA

As críticas do Ministro da Defesa Aguiar-Branco às estruturas associativas das Forças Armadas foram feitas há uma semana,  diante de oficiais, antigos chefes militares, elementos dos serviços de informações e parlamentares convidados para um almoço da revista Segurança e Defesa. Numa crítica implícita à Associação Nacional de Sargentos (ANS), que marcou mais uma jornada de protesto para o dia 16 de fevereiro, o ministro acusou “alguns movimentos associativos” de fazerem atividade política: “Deixem o que é militar aos militares, às associações o que é das associações e à política o que da política”.
“Disse várias vezes que o protesto é legítimo. Disse até que algumas das medidas podem não ser justas e que eu próprio preferia governar com outras condições financeiras. Mas banalizar o protesto militar desprestigia a instituição que jura cumprir as leis da República, utilizar o protesto militar como forma de intervenção pública, política e partidária é grave”, afirmava então Aguiar-Branco, fechando a porta a alegadas “opiniões partidárias” da ANS “sobre a extinção de um feriado [5 de Outubro] ou as condições salariais na Função Pública”.
Cada vez que o Governo (?) abre a boca para falar... ou entra mosca ou sai asneira... parecendo que os senhores que "comandam" esta porcaria que tem vindo a ser feita ano após ano, Governo após Governo, têm prazer em colocar o Povo Português mais uma vez à prova, como se a este não tivesse bastado ter 'aguentado' um Estado Novo durante quase 50 anos.
Os Militares quizeram mudar as coisas... mas parece que o saudosismo campeia entre aqueles que agora têm o dever de nos governar democráticamente.
Já agora, porque as vozes dos que sofreram na carne as tenebrosas manobras dilatórias do anterior regime e dos vários 'governos' que deveriam ter implementado a 'nova ordem' democrática, tardam em ser aceites como dignas de ser escutadas... vamos a vêr que diz o Senhor da Guerra, afecto ao PSD, às palavras escritas pelo Senhor Tenente-General Silvestre dos Santos, que julgo ser o porta voz ideal para estas coisas do autismo governativo.:  
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" Ex.º Sr. General Chefe do Gabinete de S. Ex.ª o Ministro da Defesa Nacional, Caro camarada:
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Apresento a V. Ex.ª os meus cumprimentos.
Tomo a liberdade de me dirigir a V. Ex.ª para lhe solicitar que transmita a S. Ex.ª o Sr. Ministro a minha indignação relativamente à forma pouco respeitosa e mesmo insultuosa como se referiu às Forças Armadas, aos militares e às suas Associações representativas, no passado dia 1 de Fevereiro. De todos os governantes, o Ministro da tutela era o último que deveria proferir palavras dessa estirpe.
Sou Tenente-General Piloto-Aviador na situação de Reforma, cumpri 41 anos de serviço efectivo e possuo três medalhas de Serviços Distintos (uma delas com palma), duas medalhas de Mérito Militar (1.ª e 2.ªclasse) e a medalha de ouro de Comportamento Exemplar. Servi o meu País o melhor que pude e soube, com lealdade e com vocação, sentimentos que S. Ex.ª não hesita em por levianamente em causa. Presentemente, faço parte, com muito orgulho, do Conselho Deontológico da Associação de Oficiais das Forças Armadas.
Diz o Sr. Ministro que “a solução está em todos nós. Em cada um de nós”. Não é verdade! A solução está única e exclusivamente na substituição da classe política incompetente que nos tem governado (?) nos últimos 25 anos, e que nos tem levado, de vitória em vitória, até à derrota final! Os comuns cidadãos deste País, nomeadamente os militares,não têm qualquer responsabilidade neste descalabro. Como disse o Sr. Coronel Vasco Lourenço no seu livro, “os militares de Abril fizeram uma coisa muito bonita, mas os políticos encarregaram-se de a estragar…” 
Diz também S. Ex.ª que as Forças Armadas estão a ser repensadas e reorganizadas. Ora, se existe algo que num País não pode ser repensado nem modificado quando dá jeito ou à mercê de conjunturas desfavoráveis, são as Forças Armadas, porque serão elas, as mesmas que a classe política vem sistematicamente vilipendiando e ultrajando, a única e última Instituição que defenderá o Estado da desintegração.
Fala o Sr. Ministro de algum descontentamento protagonizado por parte de alguns movimentos associativos. Se S. Ex.ª está convencido que o descontentamento de que fala se limita a “alguns movimentos associativos”, está a cometer um erro de análise muito sério e perigoso, e demonstra o desconhecimento completo do sentir dos homens e mulheres de que é o responsável político. Este descontentamento, que é geral,não tenha dúvida, tem vindo a ser gerado pela incompetência, sobranceria, despudor e, até, ilegalidade com que sucessivos governos têm vindo a tratar as Forças Armadas. É a reacção mais que natural de décadas de desconsiderações e de desprezo por quem (é importante relembrar isto) vos deu de mão beijada a possibilidade de governar este País democraticamente!
As Forças Armadas não querem fazer política! Não queiram os políticos, principalmente os mais responsáveis,“ensinar” aos militares o que é vocação, lealdade, verticalidade e sentido do dever. Mesmo que queiram, não podem fazê-lo, porque não possuem, nem a estatura nem o exemplo necessários para tal.
Quem tem vindo a tentar sistematicamente destruir a vocação e os pilares das Forças Armadas, como o Regulamento de Disciplina Militar, destroçado e adulterado pelo governo anterior? Quem elaborou as leis do Associativismo Militar, para depois não hesitar em ir contra o que lá se estabelece? Quem tem vindo a fazer o “impossível” para transformar os militares em meros funcionários do Estado? Apesar disso, tem alguma missão, qualquer que ela seja, ficado por cumprir? Fala S. Ex.ª de falta de vocação baseado em que factos? Não aceita S. Ex.ª o “delito de opinião”?
Não são seguramente os militares que estão no sítio errado!
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Por tudo o que atrás deixei escrito, sinto-me profundamente ofendido pelas palavras do Sr. Ministro.
Com respeitosos cumprimentos de camaradagem
EDUARDO EUGÉNIO SILVESTRE DOS SANTOS
Tenente-General Piloto-Aviador (Ref.) 000229-B
P.S. – Informo V. Ex.ª que tenho a intenção de tornar público este texto."

Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012

31 DE JANEIRO... Dia do Sargento?


A evocação da efeméride do 31 de Janeiro de 1891, na cidade do Porto, que ficou conhecida como “A Revolta dos Sargentos”,  tem sido feita, desde há quase três décadas, um motivo óbvio e natural, para se enaltecer a coragem, a determinação e a consciência dos militares, sobretudo sargentos, que naquela data souberam e quiseram interpretar os anseios de uma afirmação de dignidade profissional, social e de carácter patriótico, perante uma declarada crise  de identidade nacional, no momento em que se sentia o estrebuchar da Monarquia, como reflexo do famigerado Ultimato inglês, que pretendia humilhar a identidade nacional duma sociedade que estava já cansada pelo não reconhecimento de carências de orden vária.
Estava igualmente associada a estes factos uma mais que evidente  deterioração das condições de vida dos próprios militares, para além da sua subalternização na sociedade, perante uma Monarquia que estaria (?) já em decadência e se via confrontada com os crescentes 'apelos' à implantação da Republica, que já se 'fazia' anunciar e aos quais 'apelos'  os militares não deixavam de 'reconhecer' alguma   urgência... e pertinência.
A Associação Nacional de Sargentos chamou a si a iniciativa de  manter indelével a memória desses homens 'heróicos', que sofreram na pele toda a angústia que lhes era provocada pelo seu inconformismo e indignação. Essa iniciativa começou a tomar forma logo após a Revolução do 25 de Abril e não mais foi largada, e bem, pois teve o propósito de dela se fazer estandarte da  determinação dos sargentos portugueses em conseguirem o reconhecimento dos seus direitos de cidadania e  a ser-lhes igualmente consignado o direito  ao espaço que lhes é devido na sociedade portuguesa.
A caracterização deste dia 31 de Janeiro com a ideia de "Dia Nacional do Sargento" foi ganhando força e, mesmo que nunca, até ao momento presente, tenha sido oficialmente reconhecido como tal, apesar de ter havido uma falhada tentativa legislativa por parte  do Grupo Parlamentar do PCP, apresentada há uns anos, foi 'derrotada' apesar do mérito da mesma, porque era  excessivo o empenhamento partidário no Parlamento, como ainda hoje vai acontecendo. 
O  certo é que , a determinada altura,  o "Dia Nacional do Sargento" se tornou num evento sem retrocesso 'possivel', pois a sua génese e objectivos a conseguir consistiam no reconhecimento duma classe militar  que reclamava mais atenção e dignidade, sendo esta igualmente extensiva  à sua condição militar.
Infelizmente, por muito que nos doa dizer, a cegueira de uns quantos que se  arvoraram em proprietários de um ideal que era de algum modo repartido de maneira igual  por todos os Sargentos, independentemente das suas sensibilidades politico-partidárias, levou a que esta efeméride caísse numa mera e ineficaz, para não dizer condenável, arma de arremesso, de uma 'certa' oposição conflituante e radical, contra o poder, com total incapacidade de reconhecer que qualquer diálogo a este nível só é possível quando exista, de ambos os lados, respeito e elevado sentido de reconhecimento do  superior interesse que é essencial de quem é representado e não dos pressupostos partidários de qualquer força política, dessas que se movimentam na sombra da lealdade intrínseca dos militares,  tentando assim atingir objectivos de confrontação política e partidária, numa área tão sensível como deve ser considerada a actual concepção de apartidarismo que é apanágio das Forças Armadas.
Hoje é o dia em que se deveria comemorar  mais um "Dia Nacional do Sargento". No entanto, sabe-se que a hierarquia tem feito o seu trabalho de 'casa' e vai minando, de forma cada vez mais descarada, a determinação até agora demonstrada pelos Sargentos das Forças Armadas, de tal modo que estes já vêem como suicida esta caminhada  para o descrédito total de um projecto que era de todos, tudo fazendo as cúpulas hierárquicas para  nos deixar perante uma ANS que pretendem desmembrada, sectária e perdida, absolutamente divorciada dos reais interesses dos militares. 
Talvez no próximo ano tenhamos de comemorar ainda com mais angústia e tristeza, porque as alterações legislativas que se têm produzido quanto aos direitos dos Militares - que não apenas dos Sargentos -, estão a destruír, de forma lenta mas segura,  o sonho da maioria dos Sargentos de Portugal, fazendo ruir o sonho de uma  conquista de todos os militares que acreditaram ser possível um amanhã melhor.
Vamos comemorar este 31 de Janeiro, na amargura duma decadência que levará anos e sacrifícios a contrariar, mas na certeza de que os ideais persistem, mesmo no silêncio do luto que sentimos dentro de nós.
O 31 de Janeiro, contra tudo e contra todos, será sempre o Dia Nacional do Sargento!

Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012

EXAME DE CONSCIÊNCIA ÀS TROPAS - continuação


EXAME DE CONSCIÊNCIA ÀS TROPAS
"Por outro lado as responsabilidades dos militares não se limitam à Instituição de cujos antepassados são agora os sucessores (e não há instituição mais antiga no país!). Os militares têm responsabilidade em tudo o que se passa em Portugal, como cidadãos de corpo inteiro, e especiais responsabilidades naquilo que possa pôr em perigo a Segurança da Nação e a sua Independência (jurámos todos defender isto com risco de vida e tal não prescreve na reserva, reforma, nem nos cidadãos que cumpriram o SMO).
Ora também neste âmbito, raramente topei com alguém que fosse além da conversa de escárnio e maldizer à volta de uma boa bacalhoada, âmbito em que continuamos imbatíveis.
Vou arriscar dar, também, alguns exemplos neste particular:
  - Recordam-se quando virámos costas ao mar (e ao passado) comprometendo o futuro, até ver, irremediavelmente?
  - Recordam-se do modo irresponsável como entrámos na Comunidade Económica Europeia?
  - Recordam-se como entrámos no Euro sem estarmos em condições de o fazer?
  - Recordam-se como assinámos os tratados de Maastricht, Nice e Lisboa, que põem em causa a nossa independência, sem se explicar nada à Nação nem se fazer referendo?
  - Recordam-se como se fez a última revisão constitucional (que passou despercebida), em que se instituiu o primado da legislação oriunda de Bruxelas sobre a nacional, ainda por cima sem que nada a tal nos obrigasse?
  - Recordam-se como deixámos a nossa cultura, economia e finanças ser invadidas pelos espanhóis, país com quem temos a única fronteira que nos resta e cujas ambições passadas, ainda vamos conhecendo?
  - Recordam-se de como temos vindo a alienar todo o nosso património, sobretudo aquele que é estrategicamente relevante? (depois de termos trocado as verbas dos fundos estruturais pela destruição do aparelho produtivo!);
  - Recordam-se de como há décadas se passou a enviar políticos aos pares (não se sabendo como nem quem os escolhe), a reuniões internacionais de que ninguém conhece a agenda, e que são guardadas por forças de segurança e militares, pagas pelos impostos dos cidadãos e que, depois, esses políticos aos pares têm vindo, sucessiva e maioritariamente, a ocupar os cargos de PM e PR?
Quando uns malandrotes madeirenses andam, irresponsavelmente, a agitar o fantasma da independência, isso tem-vos causado, ao menos, algum franzir de sobrolho?
Quando a irresponsabilidade política quer acabar com o feriado do 1º de Dezembro - verdadeiro símbolo da nossa individualidade como Nação - isso causa-vos algum transtorno?
 Querem mais exemplos?
Pois parece que muito poucos de vós se tem apercebido disto, a avaliar pela passividade evidenciada, ó tropas!
 Começaram agora a acordar pois... estão a ir-vos ao bolso. Mais ainda estão aturdidos com o soco e sem saber o que fazer. A pancada ainda só agora começou. É curto e está tarde (embora valha mais tarde do que nunca).
 Julgam que o atrás apontado não configura uma invasão e por isso estão "serenos"? Invasão militar, não será, mas as consequências são as mesmas ou piores. Vou expor de outro modo para melhor se perceber: a presença da Troika no Terreiro do Paço é idêntica à da Duquesa de Mântua no Palácio Real, protegida pela Guarda Alemã no Castelo de S. Jorge...
 Hoje estou disposto a bater-me por quê? Eis a súmula do exame de consciência. Ficar indignado ou reagir só quando vos vão ao bolso é curto e fica tarde. E só acontece por falta de reacção a montante.
Nós nem sequer temos que ter serenidade para aceitar o que não podemos mudar, nas palavras do ilustre desconhecido, pela simples razão de que tudo o que se tem passado podia ter sido evitado ou mudado. Faltou apenas a noção do que é geopoliticamente relevante, bom julgamento e alguma coragem."
João José Brandão Ferreira
  TCor/Pilav(Ref)
...
Para quem peretenda dissecar aquilo que a coragem de dizer do Tenente Coronel Brandão Ferreira demonstra em mais um dos seus escritos, melhor seria procurar ler tudo o que ele nos diz nas suas intervenções colocadas no seu blog O ADAMASTOR. É que, para quem o conheça, é fácil 'entender' as suas 'mensagens', que mais não são que chamar 'os bois pelo nome'!
Nós, os Militares, estamos cientes de que é necessário 'agitar' as águas para que alguém se possa aperceber que estamos fartos de ser os parentes pobres da sociedade portuguesa! Se a canalha que diz governar meter as mãos à consciência, saberá que está a 'pagar' com injustiças, roubos e destruição de muitas famílias que já haviam sofrido com as ausências dos seus entes queridos 'atirados' para o Ultramar nos tempos conturbados da guerra pelas independências.
O Ten.Cor. Brandão Ferreira torna-se incómodo para muitos... porque diz o que não há a coragem de dizer por parte de muitos de nós, talvez porque julgamos não merecer a pena lutar mais... e isso é que 'eles' pretendem: VENCER PELO CANSAÇO!
Será que vamos deixar?

Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

EXAME DE CONSCIÊNCIA ÀS TROPAS



14/1/12
"Senhor, dai-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar; a coragem para mudar as coisas que posso mudar, e a sabedoria para conseguir distinguir umas das outras."

Oração da serenidade

Autor desconhecido

Este artigo destina-se a pôr a (grande) maioria das pessoas contra mim. Se a sua consciência o ditar.
Do anterior falámos do desmantelamento da Instituição Militar e da menorização dos militares, que tem sido levada a cabo por todas as forças políticas representadas no Parlamento (sobretudo pelas do arco do poder), nomeadamente desde que a Lei 29/82 - Lei da Defesa Nacional e das FAs - entrou em vigor e que culminou agora no "congelamento" das promoções e na espantosa trapalhada à volta do Dec-Lei 296/09 (integração dos militares na tabela remuneratória única).
Falámos ainda da falta de êxito da mais elevada hierarquia militar na defesa da IM, o que tem levado a um manifesto afastamento entre as partes com cada vez mais nefastas consequências na coesão do todo.
A indignação das tropas foi potenciada, porém, pela "suspensão" da sua carreira; dos cortes salariais e naquilo que se adivinha (e vai ser uma realidade), na "Saúde Militar". Ou seja em aspectos exclusivamente materiais e que afectam o ser individual no seu dia - a - dia.
Parece-me curto. Daí que seja necessário fazer um exame de consciência, passe a "impertinência".
De facto, ao longo destes últimos 35 anos quando ocorreram numerosos erros e indignidades relativamente à Defesa Nacional e ao País raramente se viu alguém indignado ou disposto a opor-se ao plano inclinado em que fomos postos (o país e a IM). Pelo contrário, alguns até colaboraram com entusiasmo. Vou dar alguns exemplos para vos avivar a memória:
- Lembram-se como não se quis "julgar" ninguém a fim de separar o trigo do joio, quem se portou mal, de quem se portou bem (nos termos da virtude e da honra), durante e após o 25 de Abril, até a situação estabilizar?
- Lembram-se da incrível proliferação de subsídios; da reintegração a esmo de quem tinha sido saneado; das promoções avulso e da reconstituição de carreiras (conhecidas na gíria pelo "garimpo"), que causaram mais injustiças do que resolveram e inquinaram a IM por duas gerações? (terá sido o "apaziguamento" possível?);
- Lembram-se quando acabaram com o Serviço Militar Obrigatório? (um erro trágico de gravíssimas consequências!);
- Lembram-se quando mudaram a legislação sobre a escolha dos chefes militares, que governamentalizaram, impedindo qualquer contributo válido da própria instituição?
- Lembram-se quando achincalharam publicamente várias figuras de generais e almirantes e quase ninguém protestou, ou se solidarizou?
- Lembram-se quando retiraram os chefes militares da tabela salarial das FAs e os equivaleram a cargos políticos? (separando a cabeça do resto do corpo...).
- Lembram-se quando acabaram com os Tribunais Militares e, na prática, destruíram a Justiça Militar? (a única que ainda funcionava...).
- Lembram-se quando invadiram o ensino militar pelo ensino civil, para além do que era razoável, pondo-nos de cócoras com quem connosco só tem a aprender?
- Lembram-se dos ataques continuados e recorrentes à condição militar e aos militares, constantes na comunicação social, sem haver qualquer reacção?
- Lembram-se da incrível invasão das mulheres nas FAs, sem nexo que o justificasse, para além da demagogia do politicamente correcto? (e da falta de voluntários para algumas especialidades...).
- Lembram-se dos sucessivos ataques ao RDM, que acabaram na sua remodelação, que transformou a Disciplina Militar, numa quase ficção?
- Lembram-se da regra, inacreditável, do duplo voluntariado para se arranjar pessoal a fim de se constituírem unidades para operar fora do território nacional, cuja principal razão residiu no pânico de alguém poder morrer no cumprimento do seu dever?!
- Lembram-se das sucessivas amputações na autoridade delegada nos chefes militares para poderem bem comandar os seus Ramos - e poderem ser responsáveis por isso - (o que depois se reflecte pela hierarquia abaixo), que os têm vindo a transformar em figuras decorativas, em detrimento de políticos de ocasião cuja ignorância é crassa e as intenções duvidosas?
- Lembram-se dos numerosos grupos de trabalho já nomeados a nível do MDN, enxameados (quando não presididos) por civis, com a finalidade de tratarem de assuntos estritamente militares?
Os exemplos podiam continuar restando acrescentar um ponto: muito do mal que foi efectuado podia ser relevado se tivesse sido feito com boa intenção. A ignorância não pode ser apresentada como desculpa e há incontornáveis indícios de dolo.
A memória dos homens é fraca mas, às vezes, é também muito conveniente.
- Artigo de  João José Brandão Ferreira - TCor/Pilav(Ref)
CONTINUA

Sábado, 31 de Dezembro de 2011

COMBATENTES PORTUGUESES DE ÁFRICA ...

Quando o ano está a partir, dando as boas vindas ao que vai chegar, dou comigo a fazer um exercício tremendo para vir a  conseguir encontrar justificação que me dê algum 'conforto' de alma no que concerne ao tratamento aviltante que uns quantos vão dando àqueles que se não furtaram a dar o melhor de si mesmos para redimir o País da falta de carácter exprimida no dia em que demandaram outras paragens para fugir, cobardemente, às incidências da Guerra do Ultramar. 
 Nunca será demais denunciar os canalhas que deixaram ferver num óleo do ódio exacerbado que destilavam pelos poros toda a perfídia adquirida nos antros comunistóides que frequentavam... mesmo não sendo estes
os principais inimigos da Pátria portuguesa, pois o Cunhal tinha um pouco mais de dignidade que qualquer socialista de pacotilha, como Mário Soares, Almeida Santos ou qualquer um dos apaniguados que com eles faziam 'panelinha' para se alcandorarem ao poleiro do poder, ávidos que estavam por dar cabo do que restava de um País que "deu novos Mundos ao Mundo...", mas não conseguiu derrubar a lepra putrefata representada pelas cliques partidárias surgidas após a desgraça que se abateu sobre Portugal quando um grupo de 'Capitães', num dia 25 de Abril,  resolveu que a Pátria acabava ali e agora. Eles talvez tivessem pensado em termos de Guerra no Ultramar, mas erraram o alvo, porque o tiro não seria
 o seu forte.
 Em Portugal  é impensável pensar-se em homenagear o Combatente do Ultramar, porque há da parte das autoridades a ideia de que tudo deverá ser ignorado ou “revisto”. 

O Povo Português gosta de queijo do Serra da Estrela ou de Serpa, pelos que os nossos heróis são ostracisados e nem sequer há tempo para lhes agradecer,  pois isso dá muito trabalho e é uma chatice estar a gastar o que seja com essa gente.
Já deram o que tinham a dar, é tempo de saírem de cena, pensarão alguns dos nossos eminentíssimos políticos mais desinibidos após o  25 de Abril.
Em Portugal não temos campas dos nossos soldados sacrificados no Ultramar para visitar no dia 1 de Novembro e lembrar aquele que partiram... talvez  porque durante o Estado Novo se deixavam os mortos em África, longe das famílias e dos olhos da população. Repare-se que nem existe um Código dos Inválidos, como aquele de 1929 que foi pensado para os Combatentes da Primeira Grande Guerra. Nem antes nem depois do 25 de Abril alguém pensou em fazer um Código deste jaez. Para quê? Se têm morrido todos lá pelas Áfricas, a coisa estava bem melhor para uns quantos políticos da nossa praça.
Quem ousasse falar deste assunto depois do 25 de Abril,  era logo apelidado de  “reacionário” e, durante bastos anos havia  o “Zé Maria” que não conseguia dormir ou o “Jaquim”, que perdeu a capacidade de locomoção, a esconderem-se em casa ou nos hospitais... sem qualquer proteção. Stress de Guerra... que é lá isso? Com eles, mais de 850.000 homens puderam apenas  contar com o amor da família para sentirem algum alívio para as terríveis penas que sofreram no corpo e na alma.
Seria indecente estar para aqui a falar da luta insana travada pelos sucessivos governos  para não darem aos Antigos Combatentes as benesses a que fizeram jus... e que são devidas em todos os países civilizados, pois é um reconhecimento básico do quanto aqueles homens sofreram pela Pátria.  
Já alguém se perguntou porque é que o monumento nacional aos Antigos Combatentes do Ultramar, em Lisboa,   construído por oito associações, nem sequer teve direito a  uma comissão de honra que envolvesse os órgãos de soberania.
Pelo que me recordo, o Presidente da República da altura, Dr. Mário Soares, recusou fazer parte de qualquer 'Comissão' “porque era contra a Guerra de Ultramar” (!!!)... 
Até parece serem os Antigos Combatentes quem tem a culpa da Guerra, não lhes sendo assim reconhecidos os serviços prestados a Portugal.
Consideremos que esta Guerra, travada entre 1961 e 1974, mobilizou cerca de um milhão de filhos, irmãos, maridos e pais deste País à beira mar plantado. Cerca de 9.000 perderam a vida a lutar por Portugal!
Há um número enorme  de vivos que esperam o reconhecimento da Pátria, além de que há muitos que ainda estão a sofrer as consequências de uma Guerra que não 'pediram'. Atente-se que os Antigos Combatentes com deficiências permanentes -  físicas ou psicológicas -  contabilizam mais de 15.000... Como pensa o Governo compensar tanto mal que lhes vem sendo feito?
Mas... não é só o Governo - este ou qualquer outro - a subverter a realidade das coisas, uma vez que também há quadros superiores das Forças Armadas que deviam deixar de ser subservientes aos poderes civis que agora são 'Senhores da Guerra'. Um Militar político vai um pouco contra tudo aquilo que se acredita serem os valores consagrados no meio castrense, uma vez que o Militar não pode manifestar tendências partidárias! Não é político e pronto!Mas isso deixou de funcionar com a GNR, porque enfeudada ao 'poder' de dois Ministérios. A PSP faz gala daquilo que conseguiu com a via sindical. Até nem será dissentâneo pensar-se que se preparam cada vez mais para substituír as Forças Armadas num futuro mais ou menos próximo. O tempo o dirá.
Quando vejo um homem vender a sua dignidade por um 'tacho' político numa qualquer instituição militar,  logo me dá uma volta ao estômago, porque um Militar serve a Pátria... e isso o jura perante a Bandeira Nacional.

Enfeudar-se no conchavo político de um Partido é a última coisa que alguma vez esperei vêr na 'Tropa'. Aqueles que honram os seus, honram a Pátria e a farda que um dia envergaram, sentem que algo de podre está a acontecer... só não se sabe até quando?

Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011

ANO VELHO... ANO NOVO...

Quem esteja atento ao que o Ano Velho deixou como legado, não lhe custará reconhecer estar o Pai do Céu muito zangado com o modo algo permissivo usado pelo Zé Povinho para 'honrar' os propósitos que manifestou serem compromissos para 2011.
Tudo saíu furado, pois não se deu dignidade de vida ao Povo, não se aumentou a capacidade de este se sentir feliz, não se cuidou dar-lhe melhores cuidados de saúde, melhor remuneração para o seu trabalho, melhor justiça a todos os níveis, mais segurança em todos os campos da vivência como seres humanos ávidos de serem alcandorados à condição de alguém que está primeiro no pensamento dos que deveriam reger a Pátria como uma 'terra de felicidade' e não como um 'buraco' apenas acessível a uns quantos 'iluminados' que um dia foram bafejados pela ingenuidade de alguns outros que pensaram numa revolução para Portugal... esquecendo que também as consciências deveriam ser revolucionadas, para que Abril viesse a dar frutos de justiça.
E são os Militares aqueles que mais têm sofrido a falta de caráter que se vem vivendo no nosso quotidiano. Não apenas eles, mas principalmente.
Já está esquecido terem sido os Militares a restaurar a esperança no porvir. Foram 'parvos' porque acreditaram nas varejeiras que esvoaçam, não vendo que aquilo que vem habituado a 'alimentar-se' de 'massas fecais' tarde ou nunca se irá saciar com 'alimentação racional', como  uma 'caldeirada de bom senso' ou um 'cozido à justiceiro', por exemplo. Preferem dar de barato que o 'fast food' é que é, que a 'comidinha plástica' satisfaz os gostos mais requintados, logo também o fará aos ingénuos que teimam em gritar por justiça social, trabalho, paz, pão, educação, saúde e outras balelas mais.
2011 está a passar... 2012 vai chegar encontrando Portugal a tentar 'safar-se' de uma situação insustentável legada por um energúmeno que o roubou a esmo, escudando-se na imunidade que lhe foi conferida por uma lei que apenas serve os desígnios de quem nos rouba. Com ele toda uma cáfila de próceres da desgraça alheia, que também usaram e abusaram da confiança que neles o Povo depositou, pois foram os acólitos dos desastrados caminhos que Zé Sócrates um dia trilhou... para mal dos nossos pecados.
Esperamos que 2011 seja realmente um corte no passado e 2012 possa ser o renascer da esperança num futuro que esperamos ridente, porque basta de sofrer em prol de alguns, que engrossam o rol dos ricos em detrimento daqueles que passam fome e passam a acreditar que é possível haverem sido abandonados por Deus, porque o 'Espírito de Natal' está contaminado pelo 'Espírito Consumista'... e isso paga-se caro!
Mesmo assim, um Bom 2012 é o que se deseja!    

Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011