segunda-feira, 10 de março de 2008

II - AERONÁUTICA MILITAR

--- Continuando a historiar aquilo que foi a implementação da Aeronáutica Militar em terras Lusitanas, podemos concluír que os primeiros tempos foram divididos entre o Exército e a Armada, que para consecução dos seus intentos proveram à implantação da Escola de Aeronáutica Militar, em Vila Nova da Rainha - depois transferida para a Granja do Marquês, em Sintra, na dependência do Exército, e o Serviço de Aviação da Armada, no hangar do Bom Sucesso, em Lisboa, e o Centro de Aviação Marítima em S. Jacinto - Aveiro, da responsabilidade da Armada.
--- Mercê do apoio governamental e popular dados às coisas do ar, as grandes viagens aéreas começam a acontecer, muito se devendo ao incentivo entusiástico de Sacadura Cabral. Brito Pais e Sarmento Beires falham uma primeira tentativa de chegar à Ilha da Madeira, decorria o ano de 1920. No ano seguinte, Sacadura Cabral e Gago Coutinho conseguem efectuar aquela ligação. Logo no ano seguinte, Sacadura Cabral e Gago Coutinho realizam a travessia do Atlântico Sul, depois de um planeamento cuidadoso e rigoroso. Este feito extraordinário dos dois aviadores portugueses tem repercussão mundial e consagraram a competência científica de Gago Coutinho, a par da grande classe como piloto reconhecida a Sacadura Cabral. 1924 leva Brito Pais e Sarmento de Beires a voar de Vila Nova de Milfontes até Macau, contribuíndo decisivamente para o prestígio da Aviação Portuguesa.
--- Voou-se para Angola, Moçambique, Macau, Timor, Índia e grande parte do Oriente. O reconhecimento internacional está patente nos 4 Troféus Clifford Harmon, dos EUA, que premiavam os feitos dos pilotos portugueses a nível mundial.
--- Os pilotos da Armada, até 1925, formavam-se no estrangeiro, mas, a partir desse ano, passaram a ser formados na Escola de Aviação Naval, que a partir de 1934 foi transferida para S. Jacinto - Aveiro, marcando um marco indelével de progresso, de uma renovação bem estruturada, com aquisição de novos aviões de combate. Fez-se um minucioso trabalho hidrográfico e de levantamento da costa. Durante os primeiros anos da II Guerra Mundial, efectuou-se o reapetrechamento da Aeronáutica Portuguesa com novos aviões bombardeiros e de patrulha marítima.
--- Durante a Guerra Civil Espanhola, a Aeronáutica Militar Portuguesa constituiu uma Missão Militar de Observação, que foi colaborar com os nacionalistas, com o voluntariado de vários militares, entre os quais alguns Sargentos Pilotos. Foram condecorados pela sua prestação em situações de combate, onde demonstravam grande bravura e heroísmo. Além destes, também outros pilotos portugueses combateram pelos republicanos.
--- Por causa da II Guerra Mundial, prevendo um possível ataque alemão às ilhas dos Açores, dada a sua posição estratégica, Portugal reforçou as suas forças em S. Miguel e na Ilha Terceira, colocando lá duas esquadrilhas de caça e uma de bombardeamento. Os Ingleses solicitaram a Portugal autorização para efectuar embarque e desembarque de material de guerra e tropas na Ilha Terceira. Como contrapartida pelo auxílio prestado, a Inglaterra dotou Portugal com alguns dos mais avançados aviões, tais como os aviões de combate Hurricane e Spitfire, bombardeiros Blenheim e Beaufigther ou de busca e salvamento B-17.. No aeródromo da Portela, destinado à defesa da capital, ficaram estacionadas duas Esquadrilhas, uma da Armada, equipadas com os C-54 Skymaster. Alguns aviões dos países em confronto,que pelos mais diversos motivos tiveram de aterrar em Portugal, foram igualmente operados pela nossa Aeronáutica.
--- Começava a projectar-se no tempo o aparecimento da aviação civil e dos transportes aéros comerciais, que recrutaram à Aviação Militar e Naval os 13 primeiros pilotos de linha.

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