terça-feira, 25 de março de 2008

REFLEXÕES, ao correr da pena...

  1. * Ainda que pareça caricato, gosto muito de me refugiar no meu canto, onde ninguém me interrompa o pensamento... e fazer isso, precisamente: PENSAR!
  2. * Os dias de serviço de escala, quando estava a guardar tudo e nada dentro da Unidade, carregando à cinta uma arma... que de nada me serviria... a não ser como adorno, tornaram-me uma pessoa bastante céptica, até quanto ao valor da guarda às instalações militares, talvez porque tivesse ouvido histórias, pouco dignificantes, que se terão passado no meio castrense.
  3. * Um dia, em Tancos, ouvi um ilustre Militar da Força Aérea, detentor de umas asas sobre o peito... mas que mais se parecia com um pavão do que com um gavião, afirmar que a Força Aérea apenas existia porque haviam aviões e pilotos, sendo o resto apenas e tão só paisaigem! Fiquei furibundo com tal afirmação... e decidi que o "dia da expiação" um diachegaria . `
  4. *O tempo "voou" e a ocasião nunca mais se manifestava... até que, um belo dia, quando me dirigia à Base com uma viatura carregada de fardamento, recebido em Alverca, vi o nosso piloto a estender o dedo à caridade de uma boleia. O condutor parou e perguntei ao pavão o que tinha acontecido. Disse-me que tinha ficado sem gasolina, e pedia uma boleia até à Base, para tentar arranjar alguém que lhe cedesse um transporte para ir buscar combustível.
  5. * Porque ele estava a cerca de mil e quinhentos metros de uma bomba de gasolina, perguntei-lhe porque não foi lá buscar o combustível. "Sabe... - disse-me - é que não gosto de deixar o carro abandonado!". Perguntei-lhe como iria fazer isso, porque se ia à Base, o carro ia ficar abandonado... mesmo que fosse por pouco tempo! Resposta pronta do cavalheiro: "Porque julga que você que estou a pedir boleia a viaturas militares? É que deixo aqui um inferior para tomar conta do carro e eu vou mais descansado buscar ajuda!". Disse-lhe que não deixava ali ninguém e que ele se desenrascasse, pois também o não podia levar.
  6. * No dia seguinte, o Comandante do Grupo de Apoio mandou-me chamar e pergunta-me a razão porque não tinha dado boleia ao Sr. Alferes, sabendo que ele estava na estrada sem combustível. De chofre, dei comigo a dizer ao Comandante do Grupo: - "Sabe, Senhor Tenente Coronel? é que a Força Aérea, afinal, não é como o Senhor Alferes dizia! E ainda bem!". "O que é que ele disse? Alguma asneira!".
  7. * Não calculam a alegria que senti quando lhe disse: "É que o senhor Alferes afirmou que a Força Aérea existe porque existem aviões e pilotos! Eu apenas pretendi que ele entendesse que somos todos que fazemos a Força Aérea! Espero que ele assim o tenha entendido!". O Ten.Coronel, que também era Piloto, não tugiu nem mugiu! Será que também entendeu o recado?

Sem comentários: