quinta-feira, 24 de abril de 2008

A BASE AÉREA 3 E O 25 DE ABRIL...


  • * É costume aparecer nos jornais, especialmente por estes dias em que se comemora o 25 de Abril, uma pergunta que já se vai tornando banal: "ONDE ESTAVA VOCÊ NO 25 DE ABRIL?". Perante tal pergunta, teria que responder, simplesmente, "Estava nas terras da guerra, em Moçambique!". No entanto, para que tudo fique clarinho, no dia 25 de Abril estive a trabalhar com normalidade, até que chegou a hora de ir à Manutenção Militar fazer compras necessárias para minha casa. Na rua, nas imediações do Quartel General da Região Militar de Moçambique, tudo tranquilo, tudo na santa paz dos anjos.
  • * Só no pós independência de Moçambique logrei voltar à Base Aérea nº. 3, pelo que não estou seguro de algum papel especialmente cometido à Unidade naquela Revolução. Talvez seja caricato afirmar não estar a vêr uma Base com as características da BA3 tomar parte naquela Revolução, apesar de alguns dos seus Militares fazerem parte do Movimento das Forças Armadas, pelo menos como aderentes no PREC. Havendo Oficiais Generais prestigiados, da Força Aérea, na Junta de Salvação Nacional, com certeza que foram endereçados convites a outros Oficiais, só não sabendo se estes terão aceitado participar em alguma coisa...
  • * ...sabe-se que o Comando da 1.ª Região Aérea informou o Comandante do Regimento de Caçadores Para-Quedistas, em Tancos, Coronel Fausto Marques, que havia um movimento de tropas em Lisboa, devendo por tal motivo colocar a unidade em prevenção rigorosa e fazer deslocar para Monsanto quatro helicópteros com Paras. O Coronel Fausto Marques desloca-se então à Base Aérea nº. 3, que era mesmo ao lado, onde se encontrava colocado o 2.º Comandante da Base Ten.Coronel PILAV Freire. Decidem retardar aquela ordem para fazer deslocar os helis até ser tomada uma decisão.
  • * De novo o Comando da 1.ª Região Aérea insistiu no envio de Para-Quedistas e quatro helicópteros para Monsanto, mas o Coronel paraquedista Fausto Marques mantém a sua palavra de não autorizar que as Forças paraquedistas actuem contra outros elementos das Forças Armadas. Lógico é que também a Base não enviou os hélicópteros, como foi solicitado. Talvez um pouco temeráriamente, soube-se depois, porque a Engenharia tomou parte activa no processo revolucionário, mas a Base Aérea nº. 3 apenas se limitou a não se intrometer... arrostando com o odioso da questão, uma vez que os "Páras" só poderiam cumprir o solicitado com a conivência da Base... e esta não transigiu nos seus princípios.
  • * Sabendo-se como a Base Aérea nº. 3 foi extinta, passando o seu espólio para as Tropas Aerotransportadas do Exército... fica por saber se foi o preço cobrado por não participar em algo que era contra os mais elementares princípios de Militares dignos desse nome, pois quando se jura perante a Bandeira a lealdade à Pátria e aos seus símbolos, aos chefes e à Constituição da República, o mais lógico é cumprir, mesmo com o sacrifício da própria vida, segundo a fórmula do Juramento então prestado.

Sem comentários: