quarta-feira, 23 de julho de 2008

AMADORA NA HISTÓRIA DO AR...

- A História da aviação nacional começa precisamente na Amadora, e de uma forma algo sui generis. Em 1912, após a euforia da proclamação da República, a Amadora atravessava uma época de desenvolvimento sócio-cultural muito particular. Um ano antes, havia recebido a visita de Brito Camacho, membro do Governo, e nesse ano de 1912 era inaugurado o edifício dos Recreios Desportivos, acontecimento de relevo na vida social e cultural amadorense.
- A 7 de Julho de 1912 realizou-se o famoso “Concurso de Papagaios”, evento que iria marcar o início da aventura aeronáutica. Organizado pelos Recreios Desportivos nos terrenos do Casal do Borel, a prova contou com a participação de destacadas figuras da sociedade de então, sendo o nome de Aprígio Gomes talvez o mais conhecido. E para atestar a seriedade da iniciativa, note-se que faziam parte do júri dois membros do Aero-Clube de Portugal, que avaliaram provas de altitude, estabilidade, levantamento de pesos, ângulo e tracção.
- Foi em 26 de Janeiro de 1913 que se avistou o primeiro avião a cruzar os céus da Amadora. Numa iniciativa da Liga de Melhoramentos da Amadora, o francês Alexandre Théophile Sallés parte do hipódromo de Belém e aterra nos terrenos do Casal do Borel, partindo parte considerável do aeroplano, bem como o hélice, na aterragem, perante uma considerável multidão. Nada que fizesse desmobilizar o entusiasmo da população. Com o apoio da fábrica de espartilhos Santos Mattos, ao fim de oito dias o aeroplano estava pronto a levantar voo.
- Em 1917, realiza-se na Amadora o 1.º Festival Aéreo e em 1919, o Grupo de Esquadrilhas de Aviação República (GEAR) instala-se na Amadora, nos terrenos onde funciona actualmente a Academia Militar. Durante cerca de um quarto de século, é da Freguesia da Amadora que partem algumas das mais importantes viagens da aviação nacional. Destas, há a destacar a tentativa de ligação à Ilha da Madeira, por Sarmento Beires e Brito Pais, em 1920; a viagem do Pátria a Macau, com Brito Pais, Sarmento Beires e Manuel Gouveia, em 1924; o voo a Goa, com Moreira Cardoso e Sarmento Pimentel, em 1930; o voo de Carlos Bleck e Humberto da Cruz à Guiné e Angola, em 1931 e a viagem de ida e volta do Dilly, a Timor, com Humberto da Cruz e António Lobato, em 1934.
- Após anos de entusiasmo pelo pioneirismo da aviação, e de avanços tecnológicos importantes ao nível dos aparelhos, termina finalmente em 1938 a ligação da Amadora à aviação nacional. Razões de organização da Aeronáutica Militar, a par com a exiguidade e deficiências da pista de terra batida ali existente, determinaram a extinção do Grupo de Aviação de Informação n.º 1 – como passara a ser designado o GEAR – cujo pessoal e material seriam transferidos para Tancos

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