segunda-feira, 14 de julho de 2008

A BASE AÉREA DA SAUDADE...

* Na sequência de uma reformulação do dispositivo territorial da Força Aérea, a Base Aérea Nº 3, em Tancos, é extinta e as suas instalações transferidas para o Exército (Decreto-Lei 128/94, de 19 de Maio). As infra-estruturas da ex-BA3 passam a ser o aquartelamento do CTAT/BAI (presentemente designado CTAT Unidade Territorial). Com a criação do Grupo de Aviação Ligeira do Exército (GALE) e a sua instalação em Tancos durante o ano de 2000, as instalações da ex-BA3, designadas Aeródromo Militar de Tancos passam a ser partilhadas pelo CTAT e pelo GALE.
* Não vamos agora dissecar o que foi a história da Base Aérea que tinha por símbolo o Galgo, a lembrar a sua vocação como Unidade de Aviação de Caça. Durante muitas dezenas de anos foram formados milhares de Homens para o serviço da Força Aérea, quer na vertente Pilotos Aviadores ou Navegadores, quer ainda como Polícia Aérea, Condutores Auto, Clarins, Amanuenses, Cozinheiros, Telefonistas e tantas outras especializações que foram sendo tornadas necessárias para o cabal desempenho da Missão que estava cometida à Força Aérea.
* A vocação do então Ministro da Defesa, Fernando Nogueira, para desarticular as Forças Armadas, lançando as Unidades no caos do encerramento, está patente no modo como reduziu efectivos e, simultâneamente, encerrou a Base Aérea 3, o Corpo de Tropas Páraquedistas e o Regimento de Comandos. Também as Oficinas Gerais de Material Aeronáutico, em Alverca, deixaram de ser pertença da FAP, passando a gestão civil. Já anos antes a Força Aérea havia sido amputada da que foi em tempos a Base Aérea nº.7, sita em S. Jacinto - Aveiro, que havia passado a AM antes de ser reduzido à sua expressão mais ínfima: ENCERRADO!
* Mas... vá lá que deram uma contrapartida com a entrega do Campo de Tiro de Alcochete à FAP, que não consegue apagar a saudade daquelas paredes onde tantos ajudaram a construír a nossa Força Aérea.
* Nos anais da história, jamais se apagará aquela divisa que, com orgulho, foi feita brilhar em pleno pelos que alguma vez demandaram Tancos, através do Portão 2 das Madeiras ou do Portão 1 do Bairro de Oficiais. As horas passadas no JP-4, no Monte D. Luís, no Chorafome, junto ao portão do Seival, serão sempre uma recordação indelével dentro de cada um de nós, que aprendemos a gostar daquele rincão de terra onde apenas havia MATO E HOMENS EM ARMAS... mas também sentimentos indescritíveis, que as saudades fazem ressaltar!

2 comentários:

Anónimo disse...

É esse sentimento que me afoga quando por lá passo e tento afugentar os fantasmas que me atormentam.
Não foi muito o tempo que lá passei, mas foi o suficiente para lá deixar um pouco de mim.

Cumps

Anónimo disse...

Hoje a formatura é em fato de ginástica. A dactilografia seguirá logo à tarde.
Feitas as apresentações, o Alf/Tmest Francisco conduzi-nos para um ligeiro aquecimento atrás do rancho geral, junto ao depósito.
Depois foi uma corrida em passo ligeiro até Almourol. Nesse dia de Abril, o Tejo, apesar de bastante cheio e nervoso, apresentava-se convidativo para umas braçadas:
- Meu Alferes, vou atravessar - desafiei eu.
- Você é maluco ... Olhe que eu não o vou buscar - retorquiu o Cmte de pelotão.
A resposta ainda me deu mais arrojo e rapidamente procurei o melhor local para me fazer à água. Fi-lo um pouco mais acima sítio onde habitualmente a Engenharia montava o pontão. A água estava fria e a corrente não foi grande preocupação. O retorno já não mereceu cuidados acrescidos e foi feito sem oblíquos.
Na margem, perante o olhar atónito dos restantes camaradas, ainda houve tempo para ouvir uns 'piropos' que um Capitão de Engenharia ali presente, lançou ao 'Chiquinho' a acusá-lo de imprudência.
No regresso à unidade alguém bazofiou que se na entrada existisse um detector de radioactividade, eu ficaria à porta. Foi a gargalhada geral.

Cumprimentos ao Francisco.