domingo, 27 de julho de 2008

..."HONRAI A PÁTRIA..."

Coroa de flores no Monumento aos Mortos
...e eles honraram a Pátria e por ela se deram em holocausto da vida!
Passados que são 35 anos sobre a morte de três jovens em Guidaje, no norte da Guiné-Bissau, eis que regressaram, finalmente, da missão da sua vida! O José Lourenço, o António Vitoriano e o Manuel Peixoto podem, finalmente, descansar dos perigos da missão que os levou para os caminhos da guerra, pois regressaram à Pátria Mãe.
Vieram de uma terra que tinham aprendido ser parte inquestionávelmente inseparável de Portugal. Vieram de uma terra que sentiam ser uma filha de Portugal, mas uma filha rebelde, voluntariosa, que pretendia separar-se da mãe, pois queria a independência!
Quantos filhos conhecemos nós que pretendem emancipar-se dos pais e usam de mil e um estrategemas para o conseguir? Os territórios ultramarinos estão dentro desse conceito e o que resulta nas situações de incompatibilidade e troca de mimos é, muitas das vezes, o corte de relações entre pais e filhos... até que ambas as partes voltem a dialogar. Em África também houve injustiças, angustias, queixas, alegrias, tristezas, agressões de toda a ordem, como se de uma relação pai/filho se tratasse.
Por causa dessas agressões... quantas vidas, como as destes três pára-quedistas, foram para sempre ceifadas lá por terras de África? Quem pode justificar o que aconteceu? O Povo, como sempre, seja preto, branco ou amarelo, sofre a falta de diálogo entre todos. Será que temos de maldizer a hora em que o Infante virou os olhos para o mar... quando viu a grandeza de um Povo mostrar-se à transparência das águas dos oceanos?
Houve falhas no relacionamento entre a Metrópole e os seus territórios ultramarinos, convenhamos que é verdade, mas, repito:- alguma vez viu uma relação pais/filhos que não tivesse momentos de tensão? É deste modo que se cresce e se prepara o caminho para o momento importante em que os filhos se vão separar dos pais, sem recriminações recíprocas nem azedumes serôdios, mas com aquela cordialidade e urbanidade que provém do amor!
É nos momentos de tristeza, como este da chegada das ossadas dos três valorosos Soldados Pára-quedistas, que acabamos por interpelar o nosso EU mais profundo e pretendemos uma resposta para tudo aquilo que foi o nosso percurso na defesa da Pátria naqueles inóspitos territórios de África. Hoje defendem-se interesses de outras Nações, a troco de remunerações apenas imagináveis para os que defenderam Portugal em África. Bem armados e equipados, os novos Soldados, quais mercenários a soldo, vão defender os interesses de quem lhes pagar melhor... ou pouco faltará para que assim seja. Valerá menos a vida daqueles Portugueses, Pretos, Brancos ou Amarelos, que viviam na Guiné, em Angola, em Moçambique e em todos os outros locais onde outrora flutuou a Bandeira das Quinas, que as vidas dos Kozovares, Sérvios, Croatas, Azéris a quem as Forças Armadas Portuguesas com tanto empenho... que até merece que se repita a Comissão? É que, quando era para o Ultramar...
"vão para o ar condicionado encher-se, e esta já é a 4ª. Comissão...",
dizia-se depreciativamente. Não interessava o facto de então se estar a zelar pela vida de Portugueses! Estes, para os detractores, não contavam!
Mas... valeu a pena? "Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena"... e a alma dos verdadeiros Portugueses é enorme, infinita!
VE

1 comentário:

Francisco disse...

Olá boa tarde
Fui piloto da Força Aérea do Curso P2/61. Só estive na BA3 duas vezes. Uma delas é uma historia engraçada. Em 1964, era eu instrutor de Chipmunk e T6 na BA7 S.Jacinto. No Outono desse ano faltou a gasolina na BA7, mas como a instrução e T6 não podia parar, recebemos instruções do Comandante de Esquadra ( os nomes é que já não me recordo) para darmos instrução até á BA3 onde aterrávamos e reabastecíamos, regressando a dar instrução á BA7 para no dia seguinte fazemos o mesmo trajecto, isto durou quase 15 dias.Num desses dias cheguei já tarde á BA3 para reabastecer. Eram cerca das 17:20, quando o avião T6 ficou reabastecido ( não podiamos descolar depois das 17:30, considerado voo nocturno, só quem estivesse habilitado para tal, que não era o caso do aluno a quem eu estava a dar instrução) peguei eu no avião e em grande velocidade dirigi-me para a descolagem, para ver se conseguia faz-lo antes das 17:30. Quando estou alinhado para descolar, fui chamado pela torre, para regressar ao estacionamento e ir ao gabinete do Comandante. Assim, fiz, e quando entrei no gabinete o Comandante (não me lembo do nome) perguntou-me "Nosso Furriel. o senhor é piloto de carros ou aviões" ao que respondi " De aviões, meu comandante" e le me disse " então, para que tanta velocidade numa rolagem? " e eu lhe expliquei o motivo da velocidade ( hora tardia). Mandou-me embora e só me disse"que se houvesse uma próxima vez perderia o 1º. lugar". Fui-me embora e em rolagem de caracol lá descolei rumo S.Jacinto onde aterrei já a fazer-se noite ( cerca das 19:00. resumindo, nunca mais perdi o 1º. lugar.
Um abraço para todos