quarta-feira, 24 de setembro de 2008

REZA... QUE NÃO HÁ VERBA!

* Em tantos anos de existência, a Base Aérea nº. 3 foi palco previlegiado de vários acontecimentos, de histórias mais ou menos picarescas, em que se ria, chorava, admirava ou simplesmente se lamentavam tais acontecimentos, porque saíam um pouco fora daquilo que se convencionou ser passível de acontecer num meio castrense.
* Uma das histórias que sempre me fizeram sorrir passou-se com o falecido 1º.Cabo Bento Pinto e está relacionada com a criação do Museu do Ar, que muito lhe custava acreditar ser para mostrar a história da Aviação Portuguesa, desde os tempos pioneiros até aos dias mais recentes que então se viviam. E perguntava muito, pretendia saber se também estariam representadas pessoas no Museu, sobre o que elas tinham sido no contexto militar, sobre quais os seus feitos para o engrandecimento da Força Aérea...
* Falava então dos seus tempos de "tropa" nos Açores, como viera parar a Tancos, o que tinham sido esses tempos em que tudo era difícil, do facto de agora ser uma pessoa importante na Base, pois era ele quem determinava o princípio e o fim das actividades, sendo uma das pessoas que mais ajudavam os Comandantes nas tarefas quotidianas. Na realidade... era ele quem tocava a sirene para o início e o fim das actividades.
* O Cabo Xico, também já falecido, ia gozando com ele e lembrava-lhe que só o "Barracas" podia ter estofo para o aturar.
* O "Barracas" era nem mais nem menos que o Capitão Neves, o celebrado "Tinhôr do cachimbinho", que estava à frente das Oficinas Gerais, na EMI. E veio a ser este Capitão Neves quem magicou a história do Museu do Ar com o Bento Pinto, logo que soube do interesse deste nas actividades de tal espaço museológico. Assim, com a conivência do Centro de Comunicações e da Secretaria do Comando, inventou a história de estar o Museu do Ar interessado em criar uma galeria para exibir personagens que tivessem história feita na Força Aérea.
* Tinham pensado em mandar fazer as figuras em Londres, mas era uma coisa que iria ficar bastante cara e sabia-se que a FAP estava conforme a divisa da Base Aérea 3 : "REZA QUE NÃO HÁ VERBA". O nosso Cabo, que de latim apenas se habituara ao que o Padre dizia na Missa, mesmo não entendendo nada, associou esta tradução ao RES NON VERBA que se lia por debaixo do emblema. Então era isso!
* Só não compreendia porque estava o Capitão "Barracas" com tanto paleio! Podia dizer-lhe o que queriam dele! Foi mandado à Secretaria do Comando, onde lhe entregaram uma cópia da mensagem do Estado Maior, que era do seguinte teor:

"FIM DOTAR MUSEU AR CMM SEU ACERVO HISTÓRICO CMM COM FIGURAS REPRESENTATIVAS CLASSES OFICIAIS CMM SARGENTOS E PRAÇAS CMM TENHAM SERVIDO FORÇA AÉREA COM DEDICAÇÃO E ENTREGA CAUSA DO AR CMM SOLICITA-SE ESSA BASE INDIQUE CONDIÇÕES PCABO SG BENTO PINTO DOAR CORPO PARA EMBALSAMAR, FIM EXPOR MUSEU PD".

* Perguntaram quanto é que ele queria pela doação do corpo ao Museu... mas ele precisava de um dia ou dois para saber o que a mulher pensava de tudo isto. Disseram-lhe haver pressa, porque também havia o Rita Morais, da BA2 - OTA, muito interessado em doar o corpo... e ele apenas tinha apenas 4 meses de diferença na antiguidade, o que nem era relevante... mas poderia levar a que ele viesse a perder a oportunidade de conseguir um dinheirinho.
* O Bento foi então perguntar à mulher, esta pediu parecer à patroa, a esposa do 1º. Comandante, Cor. Rosa Rodrigues, que lhe disse não saber de nada mas que ia saber e depois informava.
* Foi desta forma que o Comandante teve de ser convencido a entrar na brincadeira. Confirmou a informação e disse que o Rita Morais pedira 20 contos pelo seu corpo, mas que o General Cunha Cavadas, da direcção do Museu, não se importava de dar até 15 contos pelo Bento.
* O Bento, depois de conversar com a mulher, resolveu entregar mais barato ainda, para garantir ser o eleito, só que o Rita baixou para 10, depois resolveu entregar de borla, ficando o Bento uma azia tremenda! "REZA QUE NÃO HÁ VERBA... E EU, PARVO, JÁ DEVIA SABER ONDE ME VIM METER ! COM UM LEMA DESTES... REZA QUE NÃO HÁ VERBA... SE NÃO FOSSE O PORCO DO RITA MORAIS... DE BORLA..."

3 comentários:

Anónimo disse...

Então e aquela história do Ovni na barragem do Castelo do Bode na década de 70.

Vamos tê-la aqui publicada?

Anónimo disse...

Está aqui o vídeo da RTP:
http://i3.ytimg.com/vi/VKCOdBA-eEQ/default.jpg

Anónimo disse...

Desculpem o endereço correcto é:
http://www.youtube.com/watch?v=VKCOdBA-eEQ