sábado, 22 de novembro de 2008

O 25 DE NOVEMBRO DE 1975...

Figuras... ou figurões do 25 de Novembro?
...
... o que foi, o que representou... quem venceu?
Poderá dizer-se que Portugal teve aqui a grande oportunidade para experimentar aquilo que uma guerra civil poderá fazer pelo bem estar de um povo, e estou ciente de que as Forças Armadas terão vivido um dos períodos mais negros da sua história, provocado pela situação de indisciplina que grassava em muitas Unidades e que era devidamente fomentada pelo Partido Comunista através da acção de alguns militares/militantes, que do partido recebiam e transmitiam instruções precisas para que fosse conseguido o caos nas fileiras, utilizando-se para tanto os famosos SUV (Soldados Unidos Vencerão) e outras marionetes.
Ouvem-se muitas opiniões sobre aquilo que foi o 25 de Novembro, mas eu sei bem o que foi, porque vivi a data num local previlegiado, em camarote à boca de cena, pelo facto de haver estado de serviço de escala, como Comandante da Guarda, de 24 para 25 de Novembro, sendo, inclusivé, detido pelos "Paras" que assaltaram e tomaram a Base Aérea nº. 3.
Ao dar-se a substituição de alguns comandantes militares e a dissolução da Base-Escola de Tropas Pára-quedistas, de Tancos, decretada pelo Conselho da Revolução, acendeu-se o rastilho capaz de fazer "detonar" o 25 de Novembro. Devidamente "embrutecidos" e manipulados pela acção de alguns (poucos) Oficiais e Sargentos, os Pára-quedistas da B.E.T.P partiram para a ocupação das Bases Aéreas 3, de Tancos, 2, da OTA , 5, de Monte Real, 6, do Montijo, A.T.1, na Portela, GDACI, em Monsanto, sendo convenientemente "ajudados" por via da "heróica" acção de uns tantos militares "revolucionários", daqueles que, infelizmente, proliferavam nas várias Unidades, Direcções e Serviços, enquanto as "disciplinadas" tropas do Ralis trataram de tomar as convenientes posições estratégicas para fazerem o controle das vias de comunicação de acesso a Lisboa.
Na manhã do dia 25 de Novembro de 1975, na sequência de uma decisão tomada pelo Chefe do Estado Maior da Força Aérea, General Morais da Silva, que havia mandado passar à disponibilidade, alguns dias antes, cerca de 1000 Soldados Paraquedistas, da B.E.T.P. de Tancos, os camaradas destes assaltaram e ocuparam o Comando da Região Aérea, em Monsanto, e seis outras Unidades da Força Aérea. Prenderam então o General Aníbal de Pinho Freire e exigiram a imediata demissão do CEMFA, Morais da Silva.
Tal acto foi considerado, pelos Militares do Grupo dos Nove, como um indício de que poderia estar a ser preparado um golpe de estado, com certeza originado nos sectores mais radicais da esquerda. Os Militares do Grupo dos Nove foram apoiados pelos partidos políticos mais moderados, como o PS e PPD, e logo que o Presidente da República, General Francisco da Costa Gomes veio a conseguir obter, da parte do PCP, a promessa de que não seriam convocados os militantes e apoiantes do partido, visando qualquer acção de rua, decidiram então intervir militarmente, procurando controlar definitivamente o destino político deste país.
O presidente da República teve necessidade de decretar o estado de sítio.
Os planos militares de quem comandava os revoltosos do 25 de Novembro seriam fracos? Nem por sombras, se atentarmos que qualquer militar menos dado a estas coisas da estratégia sabe que a ocupação do Comando Operacional da Força Aérea e das principais Bases Aéreas operacionais não é tarefa ao alcance de um qualquer. Tratava-se de um plano bastante inteligente... que até poderia ter feito pender a balança do poder para a esquerda pró-comunista.
Convenhamos que estando a principal força militar - o Exército - maioritariamente dominada pelos moderados, só com o desequilíbrio dos outros ramos das Forças Armadas - a Marinha e a Força Aérea - conseguiriam poder obrigar o Exército a um realinhamento com a esquerda, para impedir uma eventual acção deste mesmo Exército para a reposição da ordem no País.
A tomada do comando da Força Aérea e das principais bases significou, "apenas", que se subtraíra ao Exército o seu principal apoio. E não nos podemos esquecer de que a Marinha - nomeadamente os fuzileiros - se sentiam "livres" para participar numa acção ao lado dos radicais.
Quem ganhou? O POVO PORTUGUÊS, NATURALMENTE!

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