sexta-feira, 14 de novembro de 2008

OUTROS TEMPOS...

A Base Aérea nº. 3 , durante a sua "vida" dedicada às coisas da Aeronáutica, foi uma Unidade dotada de um carisma que a tornava diferente de todas as outras... sem falsas modéstias.
Talvez esse carisma fosse uma espécie de íman, que atraía tudo o que de bom ou mau lhe veio a acontecer, ao longo dos tempos.
Bem poderia estar para aqui a recordar as histórias da Maria Cachucha, como já aqui foram recordadas passagens da vida "gloriosa e profundamente fantástica" do famoso 1º. Cabo Bento Pinto, tal como seria interessante o falar-se de algumas das páginas magníficas que referem os aviões e outras coisas de voar que cruzaram os ares de Tancos, a partir da Base.
Mas uma das coisas que ainda me está atravessada na garganta é aquele cobarde ataque perpetrado por alguns "heróis" de antanho que, porque um avião custaria tanto como um copo de três bebido na "Aringa" ou na Praia, toca a dar cabo de meia dúzia deles, porque à dúzia é mais barato.
Um dos celebrados terroristas foi o "heróico" Piloto de helicópteros, formado naquela mesma B.A.3, de seu nome Ângelo Manuel Rodrigues de Sousa, que também usava os pseudónimos de "Tavares" ou "Miguel". Era um natural de Espinho, onde nasceu em 1948 e veio a falecer em 1990. Casado com Fernanda Castro, era pai da Sara, da Rute e da Raquel. Por causa da sua participação na acção da Acção Revolucionária Armada, foi procurado pela PIDE, com fotografia na televisão, jornais e postos de todas as polícias. Passou à clandestinidade de Março de 1971 a 25-04-74. Tinha ligação à ARA desde Agosto 70. Participou na sabotagem na Base de Tancos, em 8-3-71, e no corte da electricidade na eleição do Presidente da República Américo Tomás (8-72). Foi Empregado bancário.
Outro dos terroristas que deu cabo dos aviões, e até foi condecorado pelo facto, pertence actualmente ao Partido Socialista... e chama-se Raimundo Pedro Narciso e nasceu em 1938, em Torres Vedras. Trata-se de um senhor casado e que tem dois filhos. Estudou engenharia no Instituto Superior Técnico, em Lisboa. Aderiu ao PCP e andou vários anos na clandestinidade, de 1964 e 1974. Nessa situação integra a Acção Revolucionária Armada (ARA), tendo pertencido ao Comando Central de 1970 a 1974.
A ARA não terá sido criada para derrubar o regime fascista, mas algumas das suas acções fizeram estrondo, com bombas e sabotagens. A mais espectacular foi aquela que aconteceu a 8 de Março de 1971 com um "ataque" à Base de Tancos, onde sabotaram todas as aeronaves que se encontravam estacionadas no Hangar. Em 1989 afastou-se do Partido Comunista e foi um dos fundadores da Plataforma de Esquerda, em 1990. Este "herói" foi eleito deputado do PS em 1995 e é, actualmente, gestor de empresas.

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