terça-feira, 2 de dezembro de 2008

REFLEXÃO...

Brasão da antiga Base Aérea nº. 3
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Com o início do Advento, com esta vaga de frio que nos tolhe os movimentos e com as saudades daqueles tempos em que, por imperativo da solidariedade a que o Natal nos convida, lançava mãos à tarefa de preparar as Festas do Nascimento de Jesus, procurando levar um pouco de alegria a cada um daqueles que na Base davam cumprimento à missão que lhes estava atribuída no seio da Força Aérea, eis que dou comigo a recordar esses tempos, com muita saudade.
Mas hoje, até pelo facto de a Base Aérea ter sido passada a "patacos" para as mãos ávidas dos Páraquedistas, que obtiveram assim completa vitória sobre a Força Aérea na vingança que lhes faltava por causa daquele malfadado dia 25 de Novembro. Alguns poderes públicos mais ligados a essas coisas à esquerda da política portuguesa, estavam ansiosos por conseguir encerrar a BA3... e esta foi oferecida de mão beijada àqueles que a haviam atacado tempos antes.
Mas falo de Advento, logo será meu propósito falar de Natal. Na Base era uma tradição que sempre foi respeitada. E claro que também as crianças eram lembradas. Havia festa rija, com a chegada do Pai Natal, distribuição de lembranças, um lauto muito animado lanche... além de que também se fazia um jantar de Natal para todos os Militares e Civis e famílias. Através dos tempos ficaram na memória as ofertas de Natal de enxovais para os filhos dos Miliares e Civis da Base, nascidos nesse ano.
Muitas vezes me pergunto sobre a razão que esteve subjacente ao encerramento de uma Base cheia de tradições, que era a mais antiga das Unidades existentes em Portugal, pois mesmo sendo a nº. 3 ela foi a nº. 1, pois foi a que primeiro iniciou as suas actividades aéreas, após a sua criação, uma vez que a BA1 instalou-se numa granja que teve que ser adaptada para servir de Base, a BA2 foi construída de raiz e a BA3 instalou-se onde já havia uma estrutura pertencente ao Batalhão de Aeroestateiros do Exército.
Foi um regresso às origens, ao fim e ao cabo, a entrega da Base ao Exército... com o senão de haver sido malbaratada uma fortuna na resselagem da pista, na construção de infraestruturas diversas, na montagem de sistemas ILS, VOR e outros, que orçaram em largos milhares... deitados ao lixo, como soe dizer-se. E depois há que acabar com certos e determinados direitos dos Militares, para fazer face à falta de vil metal para comprar melões, desculpem, de dinheiro para que as Forças Armadas funcionem sem sobressaltos.
Que importa às Chefias se o pessoal fica bem ou mal? Se estão mal... vão embora que a gerência agradece. Direitos? Qual quê? O Militar não tem direitos, pois é um escravo do País. Há quem tenha sofrido nas Guerras do Ultramar? "Porque não ficaram todos lá" ? - perguntarão os nossos diletos governantes, que até nem à "tropa" terão ido!
O poder político de hoje ignora as Forças Armadas, sabemos que sim, deixando ao abandono aqueles que deram o melhor de si mesmo ao serviço do País, pois deixaram lá a juventude, a saúde, anos de vida não vivida em plenitude, vieram diminuídos nas suas capacidades ou simplesmente dentro de um caixão, quando vieram, pois muitos ficaram com as suas tumbas espalhadas e ao abandono um pouco por toda aquela África que falava português.
Nos dias de hoje, neste tempo de Advento, apenas podemos pedir ao Menino Deus, nascido há 2008 anos em terras da Galileia, que nos dê a Sua Paz e aos homens que governam a terra a lucidez necessária para praticarem a Justiça de uma forma justa e coerente.
SAIBAMOS ESTAR ATENTOS... O SENHOR VIRÁ NA SUA GLÓRIA E TRARÁ COM ELE JUSTIÇA E PAZ OPARA AS NAÇÕES, QUE NELE CONFIAM!

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