quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

HISTÓRIAS DA HISTÓRIA ...

Cada dia que passa, há uma memória que se vai perdendo, uma história que se não contou, um pouco de nós que se dilui no tempo, porque há tanto para contar, tanto para se dizer... mas não é crível que os neurónios de cada um de nós esteja sempre a trabalhar com aquele acerto que seria possível se aínda houvesse uma "Secção de Compensação de bússulas" como a que executava esse serviço na "Esquadrilha de Electrónicos" da extinta Base Aérea nº. 3.
Não se pense que estou a falar por falar, porque na Base nada acontecia por acaso.
Desde as "magníficas" fotografias "assinadas" pelo saber do Brogueira ou a vontade de aprender do Tó, aos "acepipes"confeccionados pelo Ti Amadeu, de onde ressaltava a magnificiente iguaria da "Feijoada à Portuguesa", de que era perito renomado, como o era o Sr. Fernando nas "Salchichas Belgas" à moda da Messe de Sargentos.
Já alguém esqueceu dos trabalhos de casquinharia, carpintaria, pintura, polimento, torneiro, serralharia, estofador ou correeiro com que as Oficinas Gerais mostravam ao mundo toda a sua aptidão e competência?
A Base Aérea nº. 3 era um mundo inigualável no que concerne à oferta de serviços imprecindíveis para bem servir a Força Aérea... não faltando sequer o requinte de uma Cantina... que poderá não ser o "Continente" ou o "Pão de Açucar", mas encontra-se tudo o que se torne necessário ao dia-a-dia da Messe e do Bairro de Oficiais.
Por vezes julgo estar ainda a "vêr" o sorriso do Senhor Teófilo, Cozinheiro que durante muitos anos exerceu o mister de Empregado-de-mesa, e a "ouvir" a sua sacramental e surreal resposta, quando alguém lhe pedia para "arranjar" uma repetiçãozinha daquele saboroso prato-do-dia que tinha sido servido no Refeitório do Rancho Geral: - " E mais nada... é mesmo isso, Nosso Cabo: está a saír uma repetição! Pode ser só de arroz e molho!". Ou a lenga-lenga de um célebre Sargento do Rancho: - "Não é permitido levar o pão para a camarata! Quem não come agora é porque não tem fome...e se não tem fome de sopa também não tem de pão! Perceberam ou precisam de explicação do Oficial de Dia?" Claro que isto era só fanfarronice e maus fígados do Sargento, mas os Recrutas tinham medo das consequências, porque pensavam que este guardião dos bens do Rancho Geral seria pessoa capaz de ser tomada a sério pelos Comandos da Unidade, a todos os níveis, o que não correspondia à verdade, pois todos tinham a certeza de que ninguém teria "vontade" de contrariar tal graduado... para mais por causa de um simples pão.
Alguém disse, um dia, que a Base Aérea nº. 3 vinha sofrendo as dores do crescimento... e eu acredito que muito daquilo que de negativo nela acontecia era apenas e tão só por causa dessas famigeradas dores, porque grande nau... grande tormenta! E a Base Aérea nº. 3 havia crescido de uma forma inimaginável... até que a cobiça dos outros entrou em acção!

1 comentário:

Anónimo disse...

Foi numa máquinas destas o meu baptismo de vôo.
Que saudade ...