sábado, 7 de março de 2009

SIC TRANSIT GLÓRIA MUNDI

É transitória a glória do mundo, na realidade, especialmente quando vemos que a história de uma instituição pode ser interrompida segundo o livre arbítrio de quem tem "autoridade" para decidir alterar essa história, sem se importar com as consequentes críticas que possam daí advir, pelo facto de terem rasgado páginas indeléveis onde se narrava a existência de uma Unidade em que Homens de valor intrínseco se entregaram por inteiro a uma causa: elevar bem alto o nome da Força Aérea e, por arrasto, o de Portugal!
Na Base Aérea nº. 3 foram formados milhares de homens, em especialidades que abrangiam váriados saberes, porque a Força Aérea não é apenas constituída por aviões e Pilotos, como alguém chegou a sugerir, talvez um Piloto que tivesse a convicção de não necessitar de mais ninguém para poder voar... o que é utópico, porque todas as especialidades têm uma finalidade na composição desse todo que se chama FAP.
Não foi a Base Aérea nº. 3 a terceira na escala das Bases, pois apesar de ter sido criada pelo mesmo Decreto das irmãs BA1 e BA2, foi a primeira a ser inaugurada, já que era uma Unidade ligada às coisas do Ar muito antes das outras, sendo nela que funcionou o 1º. Batalhão de Aeroestateiros do Exército e mais tarde uma Esquadrilha de Caça, razão suprema do símbolo escolhido para o seu emblema: O GALGO.
Nunca ninguém saberá a verdade dos factos conducentes ao encerramento da BA3, mas talvez fosse uma velha aspiração dos Páraquedistas virem a ter aquele espaço como seu, porque sempre mostraram ser-lhes apetecível uma Unidade que tinha tudo para satisfazer as maiores exigências de quem quer que fosse, até pelo magnífico Bairro e Messe de Oficiais, as modelares instalações dos Clubes de Sargentos e Praças, o magnífico estádio de futebol, que causava engulhos no pessoal das várias unidades do Polígono, os alojamentos e outras valências da Base... que até já tinha sido do Exército. Porque não exigir a devolução à procedência? Não se devolveu também Macau? São Tomé? Angola? Moçambique? Guiné? Cabo Verde? E não aconteceu o mesmo a Timor porque os Indonésios o tomaram de assalto antes que tal acontecesse!
Não podemos colocar tudo no mesmo saco, porque uma coisa é uma coisa e outra coisa nada tem a vêr com o caso, mas é só para se perceber que se devolvem Países... com muito mais à vontade se devolve uma Unidade histórica como era a BA3. Nela aconteceram muitas coisas, como a intervenção no 11 de Março de 1975, culminada com a ida do General Spínola para o exílio, ou no 25 de Novembro, quando os Páraquedistas tomaram de assalto a Unidade, ou a sabotagem perpetrada pela LUAR, de inspiração comunista, com a destruíção de várias aeronaves e um hangar de manutenção, causando milhares de Euros de prejuízo. Houve acidentes trágicos, em que perderam a vida vários Militares, recordando aquele acidente do NORD em que pereceram o Major Pilav Pessoa, o Capitão PIL Eiró Gomes, o Tenente Moreira, o 1º. Sargento Brás Marques, o 1º. Sargento Gabriel Lopes, o 2º. Sargento Horta e um Soldado SAPBOM de que recordo o mome Silva, ou ainda o acidente com o planador onde pereceram o Tcor PILAV Brogueira e o Tcor PILAV Hermínio Oliveira.
Outros houve, porque a história da Base foi bastante extensa em anos... e os acidentes aconteciam, mas não só os aéreos.
Irei proseguindo a resenha histórica daquela Base da Força Aérea que teve a sua existência em Tancos, porque é uma forma de mitigar a saudade.

3 comentários:

Anónimo disse...

O campo de futebol, libris da unidade, está abandonado, crescem ervas na pista, não tem manutenção. Foi o que constatei numa das minhas últimas visitas.
Houve edifícios que foram demolidos.
A agro-pecuária do saudoso Cap.Tomás desapareceu. A 502 está desfigurada. O convívio dos praças foi alterado, de forma a parecer-se com o outro lado, e quase não o reconhecia. Na Parada os cedros foram abatidos. Talvez a melhoria a registar seja mesmo o rancho geral - mais moderno e adequado.

Anónimo disse...

Recordo do acidente do planador. Estava na recruta.
A última baixa na base deu-se em fins de 1986 (creio que não estou enganado). Foi o falecimento no Tejo de um PCAB/AL/PA. Já não me lembro do seu nome.

Anónimo disse...

Foi na Base Aérea nº3 que me tornei Militar, apesar de ter feito a recruta na Ota BA2, fui cabo na BA 3 e mais tarde Sargento. Com o fecho da Unidade muitos foram para Sintra outos para Beja e alguns também para a BA5, eu de regresso dos Açores fui para a BA5 no final de 93 ano de fecho da Base, tanto eu como os meus colegas fomos logo conotados como os do lobi BA3. Devo dizer que esta conotação ainda hoje me orgulha e agora passados todos estes anos ainda sinto um nó no peito quando passo na A23 junto à Base. Esta será sempre a minha Base apesar de já terem passado quase vinte anos desde a ultima vez que lá estive. Relembro com muita saudade todos os camaradas do Aviocar e do Alouete 3. Manuel Silva SCHEFE Reserva.