quarta-feira, 10 de junho de 2009

DIA DE PORTUGAL... é sempre!

No dia de hoje, em Santarém, em cerimónia presidida pelo Presidente da República Cavaco Silva, celebra-se o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades. Do vasto programa de eventos, salienta-se a homenagem a Salgueiro Maia, com a deposição de uma coroa de flores na base do seu monumento, a que se seguirá uma Parada Militar com as Forças Armadas de Mar, Terra e Ar, que antecederá a imposição de condecorações a várias individualidades para o efeito designadas.
Depois de ter sido suprimida do calendário a participação das Forças Armadas... talvez pela vergonha que estava a ser a reestruturação dessas mesmas Forças Armadas e pela indigna forma como estão a ser tratados os Militares do activo ou da reforma! A GNR é agora a menina bonita do Governo... talvez pelo peso que têm na consciência relativamente aos outros Militares.
Haveria tanto para se dizer... mas para quê? Valerá a pena pugnar pela justiça nas Forças Armadas que somos?
A Capital do Gótico é hoje, como o foi ontem, o palco de uma Feira de Vaidades, que decorrerá conjuntamente com a Feira Nacional da Agricultura! Não é que a cidade de Santarém não mereça ter recebido este evento do Dia de Portugal, nem é isso que pretendo dizer, mas se até as televisões levaram todas as câmaras para fazer a cobertura da festa - "é bonita a festa, pá, estou contente..." - e nem uma palavra para dizer que em Belém, à mesma hora, estava a decorrer a cerimónia do Dia dos Combatentes, que bem merecida seria.
No mesmo momento a que o Presidente da República presidia às cerimónias do Dia de Portugal em Santarém, junto ao monumento aos Combatentes em Belém também se desenrolava um outro Dia de Portugal, mas este feito pelas saudade e a gratidão àqueles que já partiram para Deus, no cumprimento do dever a que foram chamados, lá longe, pelas terras do antigo Ultramar Português!
Talvez não faça sentido haver duas cerimónias separadas, porque dá uma ideia de que o País está dividido, que de um lado estão os Combatentes que se sentem honrados por ter lutado pela continuidade de Portugal "num mundo em pedaços repartido", como dizia o Poeta, e do outro lado está outro País que ignora os que se imolaram em África para dar valor apenas àqueles que andam em missão no estrangeiro, principescamente pagos, como se de soldados da fortuna se tratassem - para não usar o termo mercenários, que seria demasiadamente forte -, que dão o seu contributo a quem lhes pague.
Haverá quem diga que não será assim, que estão em missão de soberania... que sofrem lá longe... que estão sujeitos... esquecendo-se de dizer que essas dificuldades estão apenas patentes no número de vezes que aceitam "o seu sacrifício", pois o número de VOLUNTÁRIOS é imenso! Há muita gente a querer "sofrer pela Pátria", fazendo o sacrifício de fazer mais um pé de meia com os altos vencimentos pagos, em detrimento dos que eram auferidos pelos Homens do Ultramar, que agora são ostracisados por uma Pátria que para uns é Mãe e para os outros Madrasta!

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