segunda-feira, 13 de julho de 2009

1910 – Tancos e as 1ªs. experiências da aviação Portuguesa

"A Força Aérea Portuguesa (FAP) é o ramo mais jovem das Forças Armadas, uma vez que se tornou independente em 1 de Julho de 1952. A instalação de muitas das Unidades militares é anterior a 1952. A Aviação Militar remonta, no nosso país, à primeira década do século XX.
Uma das primeiras experiências realizou-se precisamente em Tancos, no dia 10 de Março de 1910, um voo de aeroplano, acontecimento verificado na carreira de tiro do polígono.
O avião denominado Gomes da Silva II, de 6,75 metros de envergadura, com um peso de 185 quilos e equipado com um motor Anzani de 28 CV, montado em Tancos, deslocando-se para sul, fez várias tentativas falhadas devido às más condições da pista. O avião rolou umas dezenas de metros e veio a acidentar-se num talude ao lado da carreira de tiro e em consequência foi abandonado o projecto.
Davam-se os primeiros passos na aviação. Depois das desilusões várias emoções. Em 1937, na sequência da reorganização da Aeronáutica Militar, a unidade recebe o 1.º estandarte nacional. Foi seu primeiro comandante o futuro marechal Craveiro Lopes, que assumiu o comando em 21-8-1938 e no ano seguinte a unidade passou a denominar-se Base Aérea de Tancos – BA3. Na sequência da extinção das unidades da Amadora e Alverca vieram para a BA3 os aviões Vickeres, Potez, Hawker Hind. No ano seguinte chegaram os Gladiator à data excelentes aviões de caça e de acrobacia. Já durante a II Guerra Mundial foram construídos 2 hangares. Em 1944 chegam os Spitfire e depois vêem os Hurricane. Em 1953, agora já como ramo autónomo das Forças Armadas, e nos anos seguintes, a unidade é dotada de aviões F-47 Thunderbolt.
Em Setembro de 1957 é instalada em Tancos a Esquadra de Instrução Complementar de Pilotagem de Aviões de Caça, esquadra composta por 15 aviões T-33-A. Entretanto, na década de 60, chegam os Alouette II e III. Dá-se inicio à guerra do Ultramar. Em consequência deste facto a BA3 perdeu algum laboratório mas, em contrapartida, adquire o apogeu da incorporação de militares para a Força Aérea.
Face à guerra é necessário fazer a formação desses homens. Os seus efectivos atingem valores significativos essencialmente da área de serviços o denominado serviço geral (polícia aérea, amanuenses, condutores, bombeiros, clarins, serviço religioso, etc). Por esta unidade, entre 1960 e 1994, passaram milhares e milhares de cidadãos que cumpriam o serviço militar obrigatório e que deram a conhecer à Nação a nossa região e o nosso concelho. A Base Aérea nº. 3 detinha a máxima latina “RES, NOM VERBA”, com o significado "ACÇÃO E NÃO PALAVRAS". Os seus homens, sempre ao serviço da Pátria, mantiveram bem viva esta máxima até à sua extinção facto que ocorreu em consequência da publicação do Decreto-Lei nº. 128/94, de 19 de Maio.
Fiz grandes amigos na BA3 que vou encontrando no caminho da vida.Por último, não posso deixar de dizer que senti uma grande honra e um inexcedí­vel orgulho em ter por companheiros, e conselheiros de jornada, muitos militares e civis que ali serviram. Recordo por acções de grandeza o ex-Comandante da BA3 (1983-1986), e depois Director de Pessoal da Força Aérea, Major-General Martins Rodrigues, pois o seu mérito de condutor de homens, o seu nobre proceder, a sua consumada prudência e humanismo cristão continuam a ser referência para o meu dia-a-dia."
Texto de Edgar P. da CostaCardoso
in "História da Força Aérea Portuguesa"
- 3.º Volume -1984

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