sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A BASE AÉREA Nº. 3... PORQUÊ EM TANCOS?

Há algumas zonas "nebulosas" na história mais conhecida da antiga Base Aérea nº. 3, que se prendem com o facto de as infraestruturas que deram lugar à primeira unidade de aeronáutica militar sediada no Polígono de Tancos serem pertença do Exército, mas essa zona obscura da história deixa de existir se tivermos em conta que a Força Aérea nasceu das extintas Aeronáutica Militar e Naval, uma nascida em Vila Nova da Rainha, com extensão à Amadora e a Espinho, enquanto a outra o foi no Arsenal do Alfeite, com extensão na Doca do Bom Sucesso e em São Jacinto.
Na realidade, em 1911 havia sido criada a Companhia de Aerosteiros do Exército Português, em Vila Nova da Rainha (Azambuja), que foi a primeira unidade aeronáutica militar portuguesa. Esta unidade, mais tarde tornada Batalhão de Aerosteiros, tinha por principal missão a operação de aeróstatos, sobretudo balões de observação, e em 1912, a título experimental, foram integrados na Companhia de Aerosteiros os primeiros aviões, o primeiro dos quais um Deperdussin B, nascendo assim a aviação militar portuguesa.
Em 1914 criou-se no Exército Português o Serviço Aeronáutico Militar e a Escola Militar de Aeronáutica (EMA), igualmente instalada em Vila Nova da Rainha, junto ao Batalhão de Aerosteiros, enquanto no ano de 1917 foi criado na Marinha Portuguesa o Serviço e Escola de Aviação da Armada, com a primeira base aeronaval, o Centro de Aviação Marítima do Bom Sucesso, em Lisboa.
1917 foi o ano em que os primeiros aviadores portugueses entram em combate, em França, na 1ª Guerra Mundial, estando prevista a criação dos Serviços de Aviação do Corpo Expedicionário Português, para participar no conflito mas não chegam a ser activados, razão porque a maioria dos pilotos militares enviados para França, para formarem o serviço, são integrados em unidades de aviação francesas e britânicas.
1918 foi o ano da aviação do Exército ser reorganizada, passando a chamar-se Serviço de Aeronáutica Militar, com uma Direcção de Aeronáutica dependente directamente do Ministro da Guerra, as Escolas Militares de Aviação e de Aerostação, as Tropas Aeronáuticas (de Aviação e de Aerostação) e o Parque de Material de Aeronáutica, em Alverca, dotado de capacidades para a construção de aviões e motores, ao mesmo tempo que o Serviço de Aviação da Armada foi igualmente reorganizado, passando a designar-se como Serviços da Aeronáutica Naval.
Em 1919 foi criado o Grupo de Esquadrilhas de Aviação "República" (GEAR) , na Amadora. Foi a primeira unidade operacional da aviação militar em Portugal, integrando esquadrilhas de combate (caças), de bombardeamento e de observação, que em 1921 se tranferiu para o Polígono de Tancos, ficando estacionado nas instalações do Batalhão de Aeroesteiros de Engenharia.
Em 1924 a Aeronáutica do Exército tornou-se arma independente, em paridade com as Armas da Cavalaria, Infantaria, Artilharia ou Engenharia. Era a Arma de Aeronáutica Militar. Em 1931, os Serviços de Aeronáutica Naval são transformados nas Forças Aéreas da Armada.
Em 1937 foi reorganizada a Aeronáutica Militar , passando a dispor de um comando autónomo, o Comando-Geral da Arma da Aeronáutica, que a torna, práticamente, num ramo independente, apesar de administrativamente dependente do Exército. Criou-se o Comando Terrestre de Defesa Aérea e na nova organização passam os principais aeródromos militares a ser designados por Bases Aéreas. Nasceu assim a Base Aérea de Tancos, conjuntamente com as Bases de Sintra e Ota, extinguindo-se então as Unidades Aéreas da Amadora e de Alverca, mantendo-se nesta última as Oficinas e um Depósito de Material Aeronáutico.
O Subsecretariado de Estado da Aeronáutica foi criado 1950, para tutelar toda a aviação militar portuguesa.
RESUMINDO: - O Aeródromo Militar de Tancos foi activado em 1919, como Esquadrilha Mista de Depósito, transferida de Alverca para ali. Em 1921 é a sede da primeira unidade operacional de aviação de caça portuguesa, a Esquadrilha de Caça Nº 1.
Com a criação da Força Aérea Portuguesa em 1952, o aeródromo passou a ser tutelado por este ramo, já como base aérea.
Em 1993 o aeródromo é transferido para o Exército Português, operando como base de tropas paraquedistas.
Pelo que se pode vêr, fica desvendado o mistério de a Base Aérea nº. 3 haver nascido numa unidade do Exército... para o seio do qual acabou por voltar.

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