terça-feira, 24 de novembro de 2009

OS PIONEIROS DE UMA AVIAÇÃO QUE NÃO CHEGOU A EXISTIR III

Pipper Cub L 21

3. A "AVENTURA" AMERICANA
Apresentados no Departamento de Comando de Fort Hamílton, em Brooklyn (Nova Iorque), os quatro oficiais seguiram para San Marcos (Texas), onde chegaram depois de uma longa viagem ferroviária de mais de 24 horas, para percorrer cerca de '/4 da distância que separa as duas fronteiras terrestres dos EUA.
Na inspecção médica pormenorizada efectuada na Base Aérea, apenas passaram sem reserva os dois alferes, dado que os dois tenentes tinham deficiências de visão, mais acentuada para o tenente Lopes Cerqueira. Este oficial regressaria directamente a Portugal, enquanto o tenente Azevedo Coutinho, depois de não ter tido êxito no treino de pilotagem, viria a frequentar o Curso de Transmissões da Escola de Infantaria do Exército dos EUA em Fort Benning.
0 Curso de "Liaison Pilot Training" tinha uma duração de 20 semanas e integrava dois sectores: um de ensino académico, em que eram ministradas lições de princípios de voo, instrumentos de voo, navegação, comunicações, meteorologia e manutenção, e outro de treino de pilotagem e navegação, em aviões "Piper Cub" L-21 e L-4 e L-5 (para o treino de voo de instrumentos), com um complemento de treino em simulador (linktraining"). Havia ainda uma sessão semanal de instrução de educação física "rudimentar" ministrada em grupo.
O ensino académico e o treino de pilotagem decorriam, em semanas alternadas, na parte da manhã ou na parte da tarde, com algumas noites reservadas ao treino de pilotagem.
Todos os instrutores eram militares da Força Aérea, exclusivamente oficiais para o treino de pilotagem, oficiais e alguns sargentos para o ensino académico e, inclusive, praças para a educação física.
Dado que se tratava de um curso que tinha por finalidade preparar pilotos para ingressarem, de seguida, na Escola da Aviação do Exército (Curso de "Army Aviation Tactics"), donde a maior parte dos pilotos ali graduados (pilotos do Exército) seguia para a Coreia, o treino de pilotagem era extremamente exigente, visando que os oficiais alunos conseguissem pilotar "por instinto" mantendo, em permanência, "a sua atenção fora dos aviões", por forma a escapar às armas anti aéreas e aos aviões de caça inimigos.
Assim, as áreas reservadas aos voos de treino de pilotagem eram intencionalmente exíguas para os cerca de uma centena de aviões que nelas manobravam em simultâneo. As 130 horas de voo programadas eram "religiosamente" cumpridas.
Sempre que as condições meteorológicas não permitiam voar com segurança, voava se aos sábados e domingos. Quatro classes, de cerca de 100 oficiais cada uma (na maioria segundos tenentes/alferes), seguiam o curso ao mesmo tempo, desfasadas de cerca de quatro semanas. As eliminações, em regra por deficiente coordenação revelada no treino de pilotagem ou por prática de manobras perigosas, ultrapassavam os 40% do efectivo inicial. E, contudo, alguns dos oficiais alunos tinham sido pilotos de aviões de hélice da Força Aérea dos EUA. Os eliminados (os "wash out") eram previamente presentes a uma junta formal ("board") que lhes proporcionava a oportunidade para exporem as suas razões de queixa ou simples desabafos.
Por vezes, a Junta decidia conceder mais algumas horas de treino de pilotagem, integrando para o efeito os oficiais alunos na classe imediatamente precedente (eram assim "wash back"). Foi o que aconteceu com o alferes Belchior Vieira que, tendo deparado inicialmente com algumas dificuldades nas aterragens (um "arredondar" do avião para a atitude de perda demasiado alto), veio a receber as "asas" de piloto do Exército dos EUA um mês depois do alferes Pacheco Rodrigues.
Na classe ("'53 E") em que foram incluídos os oficiais portugueses havia apenas mais três oficiais alunos estrangeiros: dois tenentes do Exército Norueguês e um tenente do Exército Francês. Todos eles se tornaram pilotos do Exército dos EUA.
0 Curso de "Army Aviation Tactics" tinha uma duração de 12 semanas e decorria na Escola de Aviação do Exército dos EUA (que se considerava a "melhor Escola de Aviação do Exército do mundo" ... ), então situada no perímetro da Escola de Artilharia em Fort Sill Oklahoma.
Tal como o curso de "Liaison Pilot Training", este curso compreendia dois sectores: um de ensino académico, com lições de organização, observação aérea, reconhecimento aéreo, fotografia aérea, operações especiais, métodos de instrução e regulamentação, e outro de treino de pilotagem e navegação, com aterragens e descolagens em pistas de circunstância ou improvisadas e técnicas de apoio às forças terrestres, em aviões "Cessna" L-19, num total de cerca de 100 horas de voo. Os instrutores do treino de pilotagem eram oficiais do Exército e alguns civis contratados. 0 número e a variedade do tipo de pistas para o treino de aterragens e descolagens era impressionante.
Impressionante era também a eficácia e prontidão dos serviços de manutenção, tanto na Escola de Aviação do Exército como na Base Aérea de San Marcos. Os danos provocados nos aviões por condições meteorológicas extremas eram prontamente reparados, sendo mínimas as perturbações provocadas no prosseguimento do treino programado. As eliminações no Curso de "Army Aviation Tactics" eram raras.
Em Junho de 1953, o alferes Pacheco Rodrigues e, em Julho do mesmo ano, o alferes Belchior Vieira tornam se os primeiros oficiais (e viriam a ser únicos, até hoje ... ) graduados pela Escola de Aviação do Exército dos EUA. Porém, não viriam a ser os primeiros pilotos da nossa Aviação do Exército...

1 comentário:

Marcelo disse...

interessante esta materia,quero inclusive convidar para acessar meu blog...

www.aeronewsbrasil.blogspot.com