quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Defesa: crimes económicos

Com o título acima lido, transcreve-se o artigo da autoria do ilustre Coronel (reforma) Barroca Monteiro, hoje dado à estampa no "Diário de Notícias":
" O novo ministro da Defesa fez em Novembro as protocolares visitas aos ramos militares, tendo dito que ia disponibilizar 3,9 milhões de euros ao Exército para, entre outros fins, melhorar infra-estruturas da Escola Prática de Cavalaria (EPC).
Com a EPC deslocada em 2006 de Santarém para Abrantes, é de supor que ali vá ficar longos anos, justificando os investimentos a custos da sua adaptação à Cavalaria.
Destinada ao reduzido volume de militares que por ali passam anualmente, como sucede nas restantes EP das armas (Infantaria, Artilharia, Engenharia), ajuda a explicar a permanente necessidade de verbas no orçamento do Exército.
Em 2005, um procedimento aparentemente imune à nova configuração do território, à população militar e à economia levou a gastar 2,1 milhões na EPI em Mafra. Parte da verba foi gasta nas casernas do Alto da Vela, destinadas a quartel dos Comandos, em 2006, desocupadas em 2008 (para ninguém) com a ida dos Comandos para a Carregueira. Rebaptizado o quartel como Centro de Tropas Comandos, o Regimento de Infantaria nº. 1 que aí estava emigrou para Tavira (sem tropa)!
Com quatro EP há muito em processo de desertificação, assim se vão cultivando tradições, ocupação de território e permanente pequenez do OE/Defesa, talvez aguardando por um Agrupamento de EP co-localizadas em redor de Tancos e propiciando mais um general.
Estará a Defesa a investir nestes quartéis para tirar dividendos quando, abandonados pelos militares, forem colocados no mercado?
Quanto à prioridade da aquisição dos helicópteros para o Exército, está na linha do paradigma militar ainda dominado pela guerra fria, quiçá pela II Guerra Mundial: compra de F16 em número excessivo; submarinos de aplicação militar duvidosa (cujos custos virão na melhor altura - mil milhões); tanques Leopard para não utilização (37,80 milhões).
Pese a frutuosa experiência militar nas últimas campanhas ultramarinas, o espírito de quinta dos ramos vai resistindo perante a desatenção das chefias políticas. Que um pequeno país da NATO (Canadá) tenha há uma década recolocado todos os helicópteros na Força Aérea, daí apoiando o Exército em treinos e operações, nada diz à nossa dimensão e recursos.
A bem da economia e do Estado, tanto se reconstrói uma base aérea abandonada pela FAP (Tancos) para dezena e meia de helis do Exército (quando houver) como, 30 quilómetros ao lado, se cria de raiz uma base aérea para a Administração Interna (combate a incêndios).
Não estaremos perante a qualificação dos antigos regimes socialistas do Leste para certos comportamentos - "crime económico". Aliados à administração corrente nas FA/Exército, é uma questão de irrealismo, inconsciência e irresponsabilidade democráticas na Defesa?
Talvez agora, com a crise instalada, dirigentes políticos e militares se vejam obrigados, pela força das circunstâncias, a novas políticas. A bem do regime."
*
NOTA DO BLOGUISTA: - Subscrevendo tudo o que o ilustre Coronel Barroca Monteiro escreveu, apenas lhe tenho a corrigir o termo "base aérea abandonada pela FAP", porque a realidade foi bem outra... e ele bem o saberá. A ânsia de criar Generais nas Tropas Páraquedistas levou a que procurassem por todos os meios apoderar-se da que foi a Base Aérea nº. 3, que tinha acabado de ser "remodelada" dos pés à cabeça, não necessitando de ser reconstruída como afirma no seu artigo.
Victor Elias

3 comentários:

Anónimo disse...

Já está a dar sinais de senilidade, eu se fosse a si, dedicava-me a escrever histórias infantis, de facto já tive admiração por si, mas agora já começa a ser a sua imagem de marca dizer mal de tudo. Todavia mantenho o respeito e ainda alguma admiração por actos seus no passado , mas o seu direito de opinião transborda qualquer bom senso e só demonstra a frustração de ter sido ignorado por quem já esteve ao seu lado. Modere-se.
Muita saúde

rotivsaile disse...

Anonimato é sinal de qualquer coisa que não comungo, mas cada um é livre de agir como bem entenda... a não ser que seja para dizer mal de alguém de forma pouco ética. Mas isto é a minha senilidade a aparecer, não ligue. Dizer que os Páras ambicionavam a BA3 é dizer mal de tudo? Não é verdade? Não é apenas minha convicção, mas de muitos! Admira actos meus no passado...mas esconde a cara no anonimato, logo não sei se é bom ou mau nutrir essa tal admiração... que nem posso retribuír. Frustração de ter sido ignorado por quem já esteve a meu lado? Quem alguma vez esteve a meu lado são aqueles a quem tenho prazer de chamar AMIGO... e os Amigos são para toda a vida! Moderado sempre o fui... e por vezes mais do que devia, mas agora é tarde para mudar.
Cumprimentos e retribuo os votos de muita saúde.
Victor Elias

Anónimo disse...

Que um pequeno país da NATO (Canadá) tenha há uma década recolocado todos os helicópteros na Força Aérea, daí apoiando o Exército em treinos e operações, nada diz à nossa dimensão e recursos.
hehehehehihihi da' mesmo vontade de rir o canada nao se compara com a nossa dimencao hihihi