quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

OS PIONEIROS DE UMA AVIAÇÃO QUE NÃO CHEGOU A EXISTIR - IV

Allouette II

4. 0 PERÍODO DE TODOS OS IMPASSES: 1954-57
Com a promulgação da Lei de Bases da Defesa Nacional, em 1952, foi criada a Força Aérea como Ramo independente das Forças Armadas, havendo a fusão da Aeronáutica Militar com a Aviação Naval, que "outrora haviam tido berço comum. A Aviação Naval foi extinta, formalmente, a 21 de Julho de 1952, mas esta extinção, que foi defendida pelo Ministro da Defesa, Santos Costa, foi precedida de intensas polémicas "conduzidas" pela Imprensa, ou da acalorada discussão acontecida na Câmara Corporativa, onde Sarmento Rodrigues, ao tempo Ministro do Ultramar, se recusou de forma determinante a assinar a proposta de lei que envolvia a referida extinção, porque a considerava "afrontosa para a corporação a que se honrava de pertencer".
Era evidente aproximarem-se dias difíceis para a criação da Aviação Ligeira do Exército, até porque a situação se agravou, em 1954, por força da substituição do General Abranches Pinto pelo então Ten-Coronel Santos Costa no cargo de Ministro do Exército.
Em Agosto de 1954, a Divisão de Infantaria estabeleceu que as 19 aeronaves (18 aviões + 1 helicóptero) pertencentes àquela Divisão, passariam a ser pilotadas e mantidas por pessoal da Força Aérea.
Em 1955, com a nomeação para primeiro Subsecretário de Estado de Aeronáutica do major Kaúlza de Arriaga, procedeu-se à transferência para a Força Aérea da totalidade dos aviões L-21 do Exército, a que se juntaram 5 aviões idênticos recebidos, em 1954, para a Base Aérea nº 3 - Tancos. Nesta base criou-se então, com aqueles aviões, uma Esquadrilha de Ligação e Treino destinada "à colaboração com o Exército".
A partir de Março de 1956, o campo de aviação "General Abranches Pinto" deixou de ter aviões em permanência. Em vão, o comandante da EPA alertou o Estado Maior do Exército para a conveniência em manter 2 aviões L-21 em Vendas Novas "para prática de voo e observação" dos seus dois oficiais pilotos observadores. Entretanto, estes dois oficiais, que tinham cerca de 250 horas de voo no âmbito dos exigentes programas de treino da Força Aérea e do Exército dos EUA, estavam impedidos de pilotar.
Em 1957 foram legisladas as disposições relativas à organização dos meios aéreos cuja utilização em campanha interessava ao Exército e as normas dessa utilização. Como pessoal destinado à utilização das aeronaves, incluíram-se os observadores, oficiais do Exército, aos quais se estabeleceram as condições de admissão para o respectivo curso de especialização e do abono da gratificação devida pelo serviço aéreo, bem como o distintivo para a sua especialidade.
0 recurso a pilotos do QC, oficiais e sargentos estava admitido. Ainda em 1957, como consequência da referida legislação, foram publicadas as normas reguladoras do Curso de Observadores Aéreos, que seria frequentado por oficiais das Armas de Artilharia, Cavalaria e Engenharia.
0 primeiro curso, frequentado por três oficiais, 2 de Artilharia e 1 de cavalaria, veio a realizar se em 1959, tendo sido ministradas todas as matérias curriculares, com excepção da meteorologia, pelos dois pilotos observadores da EPA, a quem, posteriormente, foi averbada a respectiva especialidade.
Da visão da "ideia" do general Abranches Pinto, a uma década de distância das nossas derradeiras campanhas africanas, restaria tão somente mais uma especialidade para o Exército...
Em próximo escrito darei por concluída a publicação deste trabalho, que outra coisa não pretende senão dar a conhecer o pensamento de um grande Militar a quem alguns não souberam dar ouvidos... como ainda hoje acontece.

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