segunda-feira, 8 de março de 2010

COSTA MARTINS... Herói ou traidor?

O coronel da Força Aérea José Inácio da Costa Martins, natural de Messines, onde nasceu no ano de 1938, faleceu no pretérito sábado, à noite, vítima de um acidente aéreo acontecido quando a aeronave onde seguia caiu próximo da localidade de Ciborro,no concelho de Montemor-o-Novo, sobre uma herdade situada junto à pista particular de onde levantou voo.
Muitas figuras da esquerda portuguesa vieram de imediato tecer louvores à figura impoluta de "Homem e Militar", que afirmam ter sido e não me dou ao trabalho de desmentir. Apenas gostaria de recordar o facto de, chamado a tomar parte no velório de dois camaradas Pilotos falecidos durante uma missão em Angola, ter estado a jogar no "Bolling" até à hora que lhe foi determinada, tendo comparecido envergando apenas uma camisa da farda, com os respectivos galões sobre os ombros e o brevet ao peito, cachené azul ao pescoço, boné debaixo do braço... e o resto da indumentária era a sua roupa do quotidiano.
O Comandante da Base mandou que se apresentasse na Unidade... e ele assim o fez na manhã seguinte! Foi punido disciplinarmente... mas ele jamais esqueceu o facto e não se vingou do Comandante que teve a coragem de o punir apenas porque... quando pretendeu sanear aquele Comandate já este havia passado à reserva!
Foi um dos "peões" usados na Revolução de 25 de Abril de 1974. Nessa madrugada, o capitão da Força Aérea "tomou" sozinho o Aeródromo de Figo Maduro e o aeroporto da Portela, considerados pontos estratégicos para o sucesso do golpe de Estado, utilizando um bluff para iludir os Oficiais de serviço, leais ao Governo. Afirmou-lhes estar a revolução em curso e que a Unidade estava cercada por militares... mesmo sabendo que, na verdade, ao contrário do que havia sido combinado, as forças terrestres, que viriam de Mafra, ainda não tinham chegado.
A sua "acção dedicada" e "coragem enorme" - qualidades realçadas por Otelo Saraiva de Carvalho, que havia dirigido as operações a partir da Pontinha - valeram-lhe um convite do presidente da República, António de Spínola, para integrar os conselhos de Estado e da Revolução. Entre Julho de 1974 e Setembro de 75, ocupou o cargo de ministro do Trabalho nos quatro governos provisórios liderados por Vasco Gonçalves.
Foi seu secretário de Estado o antigo líder do PCP Carlos Carvalhas, que recorda Costa Martins como um homem "corajoso", combatente pela "justiça social" e por defender "com grande equilíbrio os interesses dos trabalhadores e da Democracia".
Foi apontado como um dos mentores do 25 de Novembro, golpe travado pelos militares moderados e que levou Costa Martins a ser "demitido" da Força Aérea. O seu nome foi igualmente envolvido naquilo a que chamou "sórdida cabala" do "Dia do Salário para a Nação", quando surgiu o boato que o indicava como tendo fugido do país com os "13 mil contos" da iniciativa. Uns dizem 13 mil, outros 80 mil, outros que não foi ele, outros que alguém se aproveitou... mas o Povo é que ficou lesado!
Foi-se refugiar em Angola, de onde regressou em 1978, por acção do seu amigo Melo Antunes, que o consegiu resgatar das prisões de Luanda, onde se encontrava a aguardar a execução, por haver sido condenado à morte por haver participado no Fraccionismo de Nito Alves, movimento que levou à prisão e morte de Sita Vales e de mais alguns milhares de opositores ao MPLA e a Agostinho Neto.
Ilibado pela Justiça (?) da acusação do roubo, após o que intentou uma acção contra o Estado e voltou a ser integrado na Força Aérea, tendo recebido todos os vencimentos e ascendendo ao posto de coronel, a que teria direito se a sua carreira não tivesse sido interrompida. Coloco
"coronel"com letra pequena propositadamente, porque Coronel será apenas para aqueles que ascenderam ao posto por mérito próprio e não por benesses partidárias.
Pena é que os senhores doutros juízes do supremo tribunal administrativo não pensassem em tantos outros que tiveram as suas vidas desfeitas por se terem constituído em desertores por alguns dias... e Costa Martins, que desertou por vários anos, teve pelo seu lado a sorte de Portugal ser um País de brandos costumes... que até paga a traidores.

2 comentários:

Camilo disse...

Elias, uma correcção: apoiou o Fraccionismo ao lado do Nito Alves.
Sim, tens razão: esta porcaria de país (actualmente)está transformada nos tais brandos costumes.
Mas só para os malandros...
Felizmente que a Natureza... encarrega-se de por as "coisas" no seu devido lugar.
Pena demorar tanto tempo!!!
Um Abraço.

Anónimo disse...

Alguém que possa contar os acontecimentos na base aérea do Negage (Angola) 1975 ?...