quarta-feira, 21 de abril de 2010

DISCIPLINA...

O Correio da Manhã de hoje, dia 21 de Abril, na página 14, noticia em grandes parangonas:
"VITIMA ABANDONOU CARREIRA E CAPITÃO AGRESSOR FOI PROMOVIDO A MAJOR
Oficiais espancam tropa e levam multa
g Capitão deu pontapé
na cara a aspirante, cor-
tando-lhe a roupa com
faca, e tenente ajudou
n JOÃO NUNO PEPINO
Três oficiais da Escola de Tropas Pára-quedistas de Tancos foram ontem condenados, pelo Tribunal do Entroncamento, a penas de multa pelo espancamento de um aspirante, em Maio de 2007 - inclusivé com um pontapé na cara... O major L..., na altura capitão, e o tenente N..., que entretanto abandonou a vida militar, foram considerados culpados de um crime de ofensa à integridade física e dois de coacção na forma tentada.
Em cúmulo jurídico, L... foi condenado a multa de três mil euros e y... a pagar 1190 euros. Quanto ao tenente G... foi declarado culpado de dois crimes de coacção e condenado a uma multa de 600 euros.
No que respeita à parte cível, os arguidos foram condenados a pagar solidariamente 10 300 euros por perda de vencimentos ao aspirante E..., que se viu obrigado a abandonar a carreira militar. E todos vão também ressarcir o queixoso por danos não patrimoniais: L.., 3554 euros; N..., 1200 e G... 700 euros. O major terá ainda de pagar 2637 euros ao Hospital da Universidade de Coimbra pela cirurcia e tratamentos reconstrutivos da face da vítima.
O juiz R... deu como provado que a 10 de Maio de 2007, no clube de oficiais, E... foi agredido com um pontapé na cara por L..., que lhe rasgou a t-shirt com uma faca, enquanto N... o agarrava pelopescoço. O aspirante conseguiu fugir dos agressores e refugiar-se no seu carro, que os arguidos tentaram abrir com uma pedrada no vidro e com a coronha da arma de G... Dias depois de o aspirante ter regressado ao quartel, os tres arguidos apanharam E... sozinho num gabinete e pressionaram-no para desistir da queixa, desenhando um enforcado num papel e dizendo-lhe para "pensar bem no que queria da vida". <
PORMENORES ... BÊBEDOS - Os três oficiais acusados estariam embriagados quando cometeram os crimes, que começaram no "clube de oficiais".
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Dou voltas às minhas memórias procurando antecedentes acontecidos naquela Unidade, que conheci como Batalhão, Regimento e Base Escola de Caçadores Pára-quedistas, na égide da Força Aérea, e não encontro similitude deste caso com qualquer outro então acontecido.
Antigamente, as questões eram dirrimidas no ringue, com umas luvas nas mãos e sob o olhar atento do Treinador Ricardo Ferraz, que servia de árbitro dos conflitos... nada parecidos com este... porque havia DISCIPLINA e o exemplo vinha de cima!
Mas... o que é essa coisa da DISCIPLINA?
A melhor definição de disciplina militar que conheço é a consignada no preâmbulo do Regulamento de Disciplina Militar, que diz:
«É o laço moral que liga entre si os diversos graus da hierarquia militar; nasce da dedicação pelo dever e consiste na estrita e pontual observância das leis e regulamentos militares».
E o mesmo Regulamento diz que a disciplina se obtém «pela convicção da missão a cumprir e mantém-se pelo prestígio que nasce dos princípios de justiça empregados, do respeito pelos direitos de todos, do cumprimento exacto dos deveres, do saber, da correcção de proceder e da estima recíproca».
Não quero acreditar neste procedimento de um Major do Exército, para mais colocado numa Unidade que tem pergaminhos disciplinares de muitos anos, pois era frequente dizer-se que "nos Páras embrutecem a 'malta' e depois tratam de pôr tudo manso como cordeiros", isto porque o tirocínio servia precisamente para tornar o Pára 'selvagem' num ser social perfeito. A agressividade era pedida apenas quando se entrava em combate.

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