quinta-feira, 22 de abril de 2010

ONTEM E HOJE DO "25 DE ABRIL"


No dia 22 de Abril de 1974 - passa hoje o aniversário -, um grupo de 15 «turistas» portugueses chegaram a Badajoz e foram transportados em viaturas oficiais espanholas até ao aeroporto internacional de Barajas, em Madrid. Cada um levava consigo uma carta lacrada de António de Spínola, e nos aeroportos de Paris, Bruxelas, Roma, Haia, Berna, Londres, Cidade do Cabo, Luanda, Lourenço Marques, Bissau, Brasília, Dacar e Nova Iorque, foram recebidos por «representantes de diversas sociedades internacionais». As cartas eram destinadas aos Ministros dos Negócios Estrangeiros dos países "visitados", sendo no caso das Colónias Portuguesas destinadas aos respectivos Governadores Gerais, mas com ordens para apenas seres entregues no dia 25 de Abril.
A partir de 23 de Abril, Spínola passou a ter à sua disposição um sistema permanente de comunicação com todos os seus enviados, a partir da colaboração de uma embaixada europeia e com o apoio do iate Apolo , que foi especialmente colocado à sua disposição e se encontrava fundeado no Tejo.
Foi também nesse dia 23 de Abril que algumas unidades da NATO fizeram a sua entrada em Lisboa, com o pretexto de participarem em manobras integradas nas operações Dawn Patrol 74.
Relativamente à situação político‑militar existente nas colónias pós‑25 de Abril, Henry Kissinger e Andrey Gromyko trataram de assinar um acordo secreto em que estabelecem a neutralidade dos Estados Unidos face à presença cubana e de material cubano em Angola, a troco da neutralidade soviética em Portugal. Foi este acordo que veio permitir à Gulf Oil o prosseguimento da exploração petrolífera em Cabinda, com claro benefício para a União Soviética, Cuba, o MPLA e para a própria Gulf Oil.
O General Silvino Silvério Marques, no seu livro "África ‑ Vitó­ria Traída", faz a afirmação seguinte
:«Em Angola, a guerra estava a caminho de ser, prática e definitivamente, ganha económica, sócio‑politica e militarmente. A subversão ti­nha igualmente os dias contados em Moçambique. Na Guiné, a situação modificar‑se‑ia. Iss­o seria a sucesso da política ultramarina portuguesa.». Esta é a situação militar nas Províncias Ultramarinas antes da Revolução dos Cravos, segundo o relato de um Oficial General que conhecia bem a realidade ultramarina.
Estou convencido que a revolução do 25 de Abril não foi uma acção de revolta do Povo Português contra a ditadura... nem contra uma Guerra Colonial que estivesse perdida, mas sim uma vitória da fria estratégia implementada pelos "Senhores do Mundo", que veio a ter o seu epílogo numa madrugada de Abril, em que cantou "Grândola, Vila Morena...", apesar de haver começado bastante tempo antes, como por exemplo na "Primavera Marcelista" e o consequente "assalto ao poder" por parte de uma incontável caterva de pu­lhas, de bandidos fardados... com alguns inocentes úteis à mistura.
Sejamos honestos: No início do ano de 1973, aconteceu em Paris uma conferência convocada pelo PCP e na qual todos os mais prementes membros da esquerda portuguesa se comprometeram em levar por diante uma sublevação em Portugal, o mais tardar até 1975.
Estavam presentes o PCP, a Acção Socialista Portuguesa e cerca de uma dezena de militares, católicos progressistas e representantes da Maçonaria. Esteve igualmente presente uma delegação de PCUS, que trazia instruções e poderes para assumir compromissos financeiras.
«Nesta conferência ficou acordado o reforço das infiltrações marxistas nas forças armadas portuguesas e elaborado um plano para a intensificação do terrorismo nas províncias ultramarinas. O sucesso da revolução implicaria a instalação na metrópole de um regime democrático a caminho do socialismos e poria termo à guerra colonial.»
Faits et Idées, de Agosto de 1976.
«A independência da Guiné, de Angola e de Moçambique seria concedida aos movimentos terroristas de obediência comunista, sem condições políticas ou económicas nem indemnizações. Os colonos deveriam ser repatriados a expensas de Portugal.»
Liquidação do Ultramar, Jornal Português de Economia e Finanças,
O n.º do Newsletter de Boston, de Agosto de 1976, em reportagem de John C. Wahnon, relata ter-se celebrado em Paris um acordo entre «... os secretários‑gerais do Partido Comunista Português e do Partido Socialista, e membros de outro partidos, para estudar a possibilidade de ser canalizado o descontentamento que era evidente em determinados sectores das Forças Armadas Portuguesas, no sentido de se estruturar um movimente capaz de derrubar o Governo Português. O PS assumiu o "comando" da subversão, enquanto o PCP financiou a "operação". Moscovo, fonte desses fundos, apenas impôs uma condição: a independência imediata de todas as Colónias Portuguesas e a transferência imediata das respectivas soberanias, sem eleições, para os movimentos pré‑russos.»
O acordo final respeitante às «condições impostas pela União Soviética foi "cozinhado" por cinco comunistas e quatro socialistas, dele constando estas duas cláusulas:
1.ª - Entrega de dinheiro:
- A URSS contribuiria inicialmente com 2 milhões de dólares para financiar a organização do golpe de Estado que derrubaria o governo português.
2.ª - Compromisso:
- O PCP e o PS comprometiam‑se a dar a independência, imediata às colónias, representadas na reunião respectivamente pelo PAIGC, MPLA e Frelimo.
Em Setembro desse mesmo ano, o PCP e o PS subscreveram um comunicado em que afirmavam o objectivo das forças democráticas portuguesas de ser posto termo à guerra colonial, propondo imediatas negociações com vista à independência dos povos de Angola, Guiné e Moçambique.
Roosevelt já preconizava, em 1941, que a África Portuguesa seria submetida aos interesses americanos, russos e ingleses.
Leia-se esta passagem, bem interessante, do "Washington Observer" de 15/1/75: «A verdadeira razão da rápida mudança da situação na África Austral reside no plano Rockfeller, Rotschild e Oppenheimer, que prevê a criação de um super‑governo económico na parte sul de continente africano. Este plano implica a integração em um todo económico de Angola, Zaire, Zâmbia, Zimbawe, Sudoeste Africano, Moçambique e República da África do Sul." Sintomático.
Foi o 25 de Abril que abriu as portas ao nosso descalabro em África. E lógicamente alguém se "encheu" em nome da Pátria!

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