domingo, 23 de maio de 2010

PUXANDO PELA MEMÓRIA...

Nos tempos que correm, talvez porque a reforma me tenha concedido um “tempinho” extra para o fazer, vou dedicando parte desse tempo a fazer como o Capitão dos piratas na peça “PETER PAN”, que fazia sempre o seu discurso de despedida e tinha tudo muito bem preparado, por temer não ter tempo para o fazer no momento em que a morte o viesse surpreender.
Como já cumpri a minha missão primária, que era viver em alegria e fazer amigos, agora resta-me manter o nível de felicidade que vim a conseguir.... e para isso procuro que o meu dia-a-dia seja sempre melhor do que ontem, o que me leva a um constante “exame” de consciência capaz de me mostrar as vivências positivas ou negativas dos tempos passados... ainda que de outras autorias mais diversas, porque o que somos é fruto do que sentimos e vivemos, já que a moldagem do carácter se baseia nos miríades de impulsos que recebemos da sociedade onde fomos inseridos, depois de haverem passado pelo crivo da tolerância, da benevolência, da liberdade de escolha, dos “input” que a nossa generosidade acabou por selecionar por serem capazes de fazer de nós seres mais capazes de amar, de sofrer, de compreender, de lutar, de obedecer, de se doar até ao sacrifício da própria vida.
Nesses momentos passamos em revista os exemplos dos nossos antepassados do passado e de um presente mais actual... e tiramos ilações para a construção do Homem que queremos ser.
Num desses exercícios, sem ainda conseguir bem entender o porquê, dei comigo a pensar quão efémera pode ser a glória do mundo, bastando para tanto que nos suba à cabeça o apreço conquistado por alguma acção que tenha sido merecedora do louvor do Povo, levando este a achar que tem, finalmente, um personagem capaz de ser o seu herói, alguém por quem sentir orgulho e admiração... até ao dia que também esse alguém lhe trará a desilusão.
E dei comigo a pensar no dia da Revolução dos Cravos e nas figuras que dela foram suscitadas, desde a modéstia de uns à arrogância de outros, das consequências sofridas pelo País quando teve de passar o PREC... e foi então que um nome me martelou a cabeça: Otelo Saraiva de Carvalho!

Não sei ainda dizer o porquê, mas foi alguém que nunca me suscitou entusiasmo, admiração ou qualquer outro sentimento... nem sequer repulsa ou compaixão.
Ficou-me, sim, uma espécie de frustração, de incredulidade, pelo facto de ele, quando regressou de Cuba onde se deslocara como convidado de Fidel Castro, haver ameaçado o Povo com fuzilamentos sumários no Campo Pequeno; e quando se deu o roubo das G-3 , que foram "desviadas" do Depósito de Beirolas, imediatamente vir afirmar que as armas estavam em boas mãos, coisa que veio a confirmar-se à posteriori, quando ele serviu de inspiração às FP-25, as suas queridas milicias populares armadas que colocaram o País a ferro e fogo, perpetrando assaltos sangrentos a carrinhas de transporte de valores e não só.
Nem sequer esqueço o papel do "seu" COPCON, que actuava apenas sob ordens suas, lembrando-me das inúmeras prisões arbitrárias então acontecidas.
No entanto, por decisão do Presidente e Supremo Magistrado da Nação, Dr. Mário Soares, acabou amnistiado do extenso rol de crimes perpetrados... talvez em nome da “sua” Revolução, quem sabe, e viu-se posteriormente promovido ao posto de Coronel. A memória é curta, é costume dizer-se, pelo que alguns se terão esquecido da pena de prisão a que Otelo foi condenado: - 17 anos de prisão efectiva, pelo crime de Associação Terrorista... Faltam ainda os Crimes de Sangue. Só não cumpriu esta pena porque foi amnistiado pelo Sr. presidente da Republica, com o argumento de que era necessário promover a Pacificação da Sociedade Portuguesa
Mas nas minhas lucubrações penso em tantos Militares que, por faltas disciplinares bastante insignificantes, algumas das vezes, se viram preteridos na promoção, foram privados da liberdade ou se viram até irradiados das fileiras.
Sou o mais sincero possível quando afirmo: OS GRANDES DESTE MUNDO ESTÃO-SE MARIMBANDO PARA QUEM ESTÁ POR BAIXO!
SE É PARA PISAR, PISE-SE, POIS A DISCIPLINA SOMOS NÓS, pensarão alguns pseudo manda-chuva da Pátria, que nem sequer conseguem perceber o significado do termo DEMOCRACIA!
Victor Elias

1 comentário:

rouxinol de Bernardim disse...

Gostei de partilhar estas cogitações tão judiciosas e cheias de oportunidade. Estamos fartos dos pesporrentes!