domingo, 19 de setembro de 2010

Memórias...

A Base Aérea 3, talvez pelos muitos anos que "serviu" como Unidade de referência no contexto de uma Aeronáutica Militar, que se haveria de tornar numa Força Aérea de prestígio inegável, sempre foi fértil em figuras quase míticas, carismáticas, que "fizeram" a Base e se tornaram indeléveis da história da FAP.
Todos ouviram contar histórias de A, B ou C, ligadas ao quotidiano de uma Unidade que tinha uma massa humana multifacetada em todos os sentidos, porque havia lá "figuras" que tinham uma cultura esmerada... a par de outras que eram a antítese, provindo de locais dos mais recônditos do País, onde não tiveram hipóteses de conhecer as letras ou a escrita, confinados que estavam à pastorícia exercida nas montanhas e vales transmontanos ou da Beira Alta, ou então na passagem do dia agarrados ao cabo de uma enxada, ao sol das campinas alentejanas ou nas planícies do Ribatejo.
É assim que se ouve falar do Canavilhas, do "Pistolas", do Jofre, do Zé Maria, do Marinho, do Bento Pinto, do Cabo Xico, do "Mata Carros", do Lopes ou do "Barracas". Contam-se histórias, umas mais verdadeiras que as outras, histórias para todos os gostos, que têm muito o cunho da admiração, da amizade, dos ódios de estimação que se adquiriram nas mais diversas situações do quotidiano da Base... enfim! Há de tudo como na farmácia.
Não podemos esquecer que a história de OVNIS mais badalada no País se terá passado com um Militar da BA3, quando da execução de um voo nocturno.
Algumas mortes acontecidas na Unidade também serviram para se fantasiarem casos, chegando alguns a encher páginas de jornais, como a do Capitão Ribeiro, que terá sido assassinado no ginásio da Base, segundo a versão apresentada pelo pai do inditoso Militar, que apenas e tão só terá sido acometido de uma síncope e acabou por falecer por falta de socorro, porque ninguém se apercebeu da sua presença no local onde pereceu.
Também se contaram histórias de faca e alguidar a propósito do ataque às aeronaves perpetrado pela ARA - Acção Revolucionária Armada, uma célula terrorista do Partido Comunista Português, criada, segundo afirmam, para lutar contra as guerras no Ultramar e contra a ditadura do regime.
No dia 08 de Maio de 1971 foram colocados pela ARA diversos engenhos explosivos num dos hangares da Base, de que resultou a destruição de 28 aviões e helicópteros.
Sabe-se que entre os terroristas da ARA, para além do conhecido Jaime Serra, e do membro do Comité Central do PCP Rogério de Carvalho, que vivia na clandestinidade, havia um Tenente Páraquedista de nome Cassiano Bessa, outro Tenente, mas este miliciano, que seria estudante de Economia e um estudante de engenharia que dava pelo nome de Raimundo Narciso.
Muitas histórias há para contar... mas vamos esperar pela oportunidade para o fazer, porque tal como a Nau Catrineta, também Asas nos Céus tem muito... muito que contar! Aguardem serenos, que eu volto já!

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