Aquilo que se passou em Portugal 35 anos atrás, deveria ser motivo de reflexão profunda por parte dos políticos de hoje, pois talvez os levasse a rever "prioridades" em termos de estratégia política, virando a agulha para o Povo e não para a cartilha partidária, para as populações em geral e não para uma elite de correligionários políticos agregados a uma mesma linha, a um mesmo conceito estratégico capaz de dar tudo a uns e nada aos outros, como seja a esperança de poder sobreviver num "manicómio" concebido por uma mente brilhante que julgará ser o Messias dos novos tempos, talvez porque conseguiu abrir a caixa de Pandora e conduzir os seus seguidores à Terra da Promissão onde os eleitos recebem os Euros... e os outros a desilusão.No dia 25 de Novembro de 1975 há muitas dúvidas quanto à coerência - ou incoerência - daquilo que os "heróicos" revoltosos de Tancos pretensamente teriam, até porque as políticas então seguidas por eles estavam intrínsecamente afectas àquilo que o Partido Comunista tencionava colocar em prática por esses dias, não parecendo minimamente credível o PCP dar assentimento à concretização de um "golpe militar" a realizar com tão frágil plano de actuação.
Não apenas pelo facto de ser um plano de acção sem força, sem pernas para andar, mesmo que a ocupação do Comando Operacional da Força Aérea e das suas principais Unidades operacionais não possa ser caracterizada como uma missão sem interesse, porque é necessário ser-se inteligente para efectuar esta missão, que leva o pêndulo da balança do poder a cair forçosamente para a esquerda - no caso a comunista.
Ao ser "tomada" a Força Aérea, o Exército perdeu um dos seus equilíbrios de forças, pois era um apoio importante que se perdia.
Otelo Saraiva de Carvalho estava a jogar forte, quando deu a mão aos Pára-quedistas nesta tentativa de mudança do poder militar para a Esquerda radical. E de tal forma era forte a sua jogada que não lhe importou muito trair as expectativas do PCP ao deixar sem liderança os revoltosos, que se sentiram então abandonados pelo seu carismático Comandante. Otelo tinha construído uma imagem no 11 de Março, que veio a destruír no 25 de Novembro.
Para os Pára-quedistas Otelo deixou de ser o grande líder revolucionário para passar a ser... o grande bluf.
Ao não apoiar Vasco Gonçalves ou os "Páras", Otelo deixou de contar para determinada Esquerda, que não estava muito preocupada com a possibilidade de este País ser assolado pela tragédia de uma guerra civil! Aí talvez se possa dar a Otelo uma palavrinha de "quase agradecimento"... "mas não carecia estar-se assim a expôr pelos Portugueses", quer ele quer o Costa Gomes, pois também este tratou de travar o tal confronte Norte/Sul que esteve eminente.
Portugal continua à espera de saber o que aconteceu realmente naquele período do PREC... e eu, Comandante da Guarda que foi preso na BA3 pelos heróis que nos "tomaram a Unidade", ainda espero que me peçam desculpa pelo mau bocado então vivido. Trinta e cinco anos depois, com alguns amigos entre os "invasores", merecia que me dissessem qualquer coisa, nem que fosse:
- "DESCULPA LÁ AQUELA GAITA DO 25 DE NOVEMBRO, PÁ! AMIGOS COMO DANTES ?"






