segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

REVOLTA DO 31 DE JANEIRO

Há 120 anos atrás, o Porto acordou com um levantamento Militar contra as cedências do Governo e da Coroa ao Ultimato Inglês de 1890, por causa do celebrado Mapa Cor de Rosa em que Portugal pretendia ligar por terra Angola a Moçambique.
Ficaria este levantamento, marcado na História como a "REVOLTA DO PORTO", considerado como um prenúncio da proclamação da República, julga-se que em resultado de o Brasil haver proclamado a República dois anos antes (1889), mas há muitas incongruências em tudo o que se disse sobre o acontecimento, que foi de algum modo marcante para a vida da Nação que somos.
E as incongruências prendem-se com o facto de haver mais que uma leitura da acção dos "descontentes" com aquilo que ia acontecendo na Nacção. O certo é que entre os descontentes encontramos os Sargentos e Praças do nosso Exército, que encabeçaram o Movimento carecendo do apoio de oficiais de alta patente, pois tal apoio apenas lhes veio a ser concedido pelo Capitão António A.Amaral, o Tenente Coelho, o Alferes R. Malheiro e alguns civis, de entre os quais se destacam o Dr. Alves da Veiga, o actor Verdial e de homens da cultura como João Chagas, Paz dos Reis, Sampaio Bruno, Basílio Teles e outros.
Era madrugada quando o Batalhão de Caçadores 9, com os Sargentos à frente, se dirigiu ao Campo de Santo Ovídio - actual Praça da República - onde já se encontrava o Regimento de Infantaria 18, que tendo aderido não tomou qualquer iniciativa, por acção do Coronel Meneses de Lencastre, que reteve os seus homens, mantendo-se neutros. Anteriormente já se tinham juntado o Alferes Malheiro, perto da Cadeia da Relação; o R.I.10, comandado pelo Tenente Coelho e uma Companhia de Guarda Fiscal.
Os revoltosos desceram a Rua do Almada atè à Praça D. Pedro - hoje da Liberdade - onde, frente ao antigo edifício da Câmara Municipal, ouviram Alves da Veiga proclamar a implantação da República. Este estava acompanhado por Felizardo Lima, advogado Dr. António Claro, Dr. Pais Pinto, Abade de São Nicolau, actor Verdial, o chapeleiro Santos Silva e algumas outras pessoas.
Verdial leu a lista das personalidades indigitadas para o governo provisório da República, sendo de seguida hasteada a bandeira vermelha e verde de um Centro Democrático Federal. Acto contínuo, a fanfarra tocou, os foguetes subiram e estalejaram, ouviram-se vivas à República e formou-se um cortejo com a multidão que, subindo a Rua de Santo António, se dirigiu à Praça da Batalha, onde pretendiam tomar os Correios.
Mas a Guarda Municipal resolveu aparecer e barrou-lhes o caminho. Estava posicionada na escadaria da Igreja de Santo Ildefonso, ao cimo da rua. O Capitão Leitão, que acompanhava os revoltosos, procurou convencer a Guarda a juntar-se a eles, mas foi ultrapassado pelos acontecimentos. Dois tiros foram disparados do meio da multidão, pelo que a Guarda faz uma descarga cerrada de fuzilaria, que vitimou indistintamente militares revoltosos e civis. Estes fogem em debandada, arrastando consigo alguns soldados.
Os mais ousados ainda tentam a resistência, pois cerca de trezentos barricam-se na Câmara Municipal, mas a Guarda, ajudada pela Artilharia da Serra do Pilar, pela Cavalaria e pelo Regimento de Infantaria 18, força-os à rendição. Haviam morrido 12 revoltosos e ficaram feridos 40.
HOJE É O DIA NACIONAL DO SARGENTO!

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