quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

ROUBO DE ARMAS DE GUERRA

Quem estava em Tancos em 1975, com o PREC na berlinda em virtude do 11 de Março, por certo recordará o episódio ocorrido no Clube de Sargentos da Base Aérea nº. 3, no momento em que era noticiada na RTP a acção dos Páraquedistas e dos T-6 envolvidos no ataque contra o Regimento de Artilharia de Lisboa, o celebrado RALIS dos Juramentos de Bandeira de punho fechado, longas cabeleiras, barbas por cuidar, fardas absurdas ou descaracterizadas, abolição de continências, "confraternização" entre Oficiais, Sargentos e Praças com utilização comumente aceite dos termos "" ou "CAMARADA" na comunicação entre "iguais", porque não era reconhecido o conceito "DISCIPLINA" como algo necessário à "sã" convivência na Unidade.
O episódio que refiro é o de um conhecido PSAR/OPCOM haver subido para cima de uma cadeira, empunhando uma UZI similar às agora roubadas na Carregueira, ameaçar os Camaradas... de Armas, que não de Partido ou ideologia, com um sonoro "espeto um tiro nos cornos a todos os cabrões de direita".
Ainda hoje estou para saber onde foi o "cavalheiro" desencantar aquele tipo de arma, que não era arma que fosse usada pela Força Aérea... mas talvez o Partido lhe tenha fornecido tão útil instrumento de trabalho, até porque foi logo "colocado" numa Unidade Colectiva de Produção quando "dispensado" do serviço pela FAP.
Terá a Polícia Judiciária Militar uma tarefa inimaginável para tentar encontrar os "ladrões" das armas do Rergimento de Comandos, não só pelo número de Militares suspeitos - todos o são, neste caso - ser bastante elevado como também porque são homens preparados para todas as contigências que quotidianamente se lhes deparem!
Mas também não entendo porque são primeiro visados os Militares e só depois os Seguranças ou o pessoal civil que presta serviço na Unidade.
Jamais deveria a Segurança de qualquer Unidade estar adstrita a Empresas Privadas, por muito idóneas que estas possam ser. Ao terminar o Serviço Militar Obrigatório não foi estudado o modo de colmatar a ausência de Soldados necessários à prossecução da segurança devida às instalações militares... incluíndo as próprias Unidades. Depois ficam admirados com os roubos, as fugas de informação, o desleixo que é notório verificar-se no serviço das Unidades... até porque o pessoal sabe que está na "Tropa" transitóriamente, uma vez que amanhã vai para o olho da rua sem que ninguém se importe com tal situação.
A partir do momento que os cargos de CEM passaram a ser da esfera política e não militar, parece que o desencanto se apoderou da Instituição Militar... talvez porque verifica que a Forças Armadas estão claramente a ser ultrapassadas pelas Forças de Segurança, caminhando o País para um Estado Policial autêntico, muito mais evidente que no tempo do Estado Novo.
Os gangues "precisam" de ser armados convenientemente e de recrutar novos elementos para as suas fileiras, não havendo melhor local para escolha dos melhores que o seio das Forças Especiais, aliciando aqueles que vão sendo dispensados pelas Forças Armadas. Ora estes, tendo possibilidades de ter as suas próprias ferramentas de trabalho, estarão tentados a armar-se dentro do próprio Organismo que depois os dispensa. Aí talvez uma razão para os roubos agora verificados.
Abram-se os olhos para a realidade... pois ainda não vimos tudo!

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