sábado, 12 de março de 2011

O 11 DE MARÇO de 1975...

...aconteceu fez ontem 36 anos... mas jamais esquecerei aquilo que vi naquele dia e nos seguintes, até porque muitas perguntas continuaram sem resposta... algumas da saudosa Vera Lagoa, que sempre fez esta sacramental pergunta: - "Porque te mataram, António?" por causa dos tiros com que foi mimoseado o célebre Mini, com a morte do condutor e os ferimentos da namorada.
Propositadamente deixei passar a data, para que não houvesse acusações de qualquer intenção persecutória sobre este assunto, uma vez que as perseguições foram todas realizadas ao tempo dos acontecimentos... mesmo que tenham sido eivadas das mais descabidas razões, pelo facto de nunca ter sido explicado aquilo que aconteceu e a razão porque aconteceu.
As explicações que ao tempo foram dadas ao pessoal da ex-Base Aérea nº. 3, tinham a sua razão lógica e estavam num linha capaz de convencer os mais incrédulos, bastando para tanto que se estivesse atento à desinformação da comunicação social da época, que era por demais manipulável e dava à estampa aquilo que os manda-chuva ordenavam.
O falecido Marechal António de Spínola havia-se demitido do cargo de Presidente da República logo após o fracasso que foi a manifestação da "Maioria Silenciosa!, no dia 28 de Setembro de 1974. Os Comunistas foram-se apoderando dos "cordelinhos" da governação, enquanto alguns iam brincando aos Estados, ainda que este não estivesse de alguma forma visível.
Os Páraquedistas, como homens de luta habituados a obedecer em situações adversas, saíram de Tancos com a finalidade de tomar o RALIS, em Lisboa e aí reporem a ordem. O RALIS era uma unidade "superiormente comandada" pelo denominado "Fitipaldi dos Chaimites", o celebrado Major Dinis de Almeida, que recusou a rendição proposta pelo Comandante da Força Páraquedista: - "Só devo obediência ao Presidente da República, ao Primeiro Ministro e ao General Otelo!". Os atacantes, mostrando-se imbuídos de um espírito que não lhes era natural, talvez tocados pelo 25 de Abril, abraçam-se e confraternizam, pondo de parte o desejo de atacar.
Foi nesse momento que um Mini, ao tentar retirar-se do local, foi alvejado: - "Este já não faz mal a ninguém!" - é o comentário que mereceu a morte de um jovem. É uma consequência do PREC.
Há uma tentação grande em colar os "grandes" acontecimentos que foram sendo "criados" após a Revolução. Uns dizem que lutam pelas conquistas de Abril! É a chamada classe operária, a tal facção dos Soldados e Marinheiros que alguns pretendem porta voz da chamada Esquerda! Mas também a Direita apresenta os seus "cultores", que pretendem "salvar" o que possam do regime deposto com a Revolução.
Não me parece de bom tom estar agora a dissecar o que representa esta dicotomia ESQUERDA/DIREITA, que mais me parece uma voz de comando na Ordem Unida.
O que é verdade insofismável é terem as cadeias reaberto as suas portas para os novos "presos políticos" - estes sem culpa formada -; os soldados passam a jurar fidelidade ao Socialismo e à Revolução de Abril, em vez de o fazerem à Pátria; os empresários são esbulhados dos seus bens através dos saneamentos das próprias empresas; comete-se crime de morte e aplica-se uma simples multa ao assassino, passando as massas populares a apelidar de gatunos os Juízes por darem esta sentença.
Do 11 de Março até ao 25 de Novembro... Portugal mostrou outro rosto! Ainda bem que foi há 36 anos! Os Portugueses não esquecem!

1 comentário:

LC disse...

Excelente retrato sumário de um período menos feliz da história comtemporânea do nosso Portugal, e da qual pouco é comentado.