segunda-feira, 10 de outubro de 2011

CAPITÃO SERRA BASTO - um Militar Mártir da Fé

São este ano passadas seis décadas desde que o Capitão Barros Basto foi injustamente destituído das suas patentes pelas autoridades militares portuguesas, naquele a que historiadores chamaram o “Caso Dreyfus Português”.
Julgo ser pertinente conhecer-se o caso deste Homem, um membro das Forças Armadas que foi expulso das fileiras por defender a sua fé, não tendo os HERÓIS DE ABRIL um pouco de decência para pugnar pela reintegração de um verdadeiro Herói, combatente na 1ª. Guerra Mundial, condecorado, homem da República.
Como Português, gostaria que outros Portugueses fossem solidários e fizessem a sua parte  no sentido da reparação do erro histórico cometido.
Em 1943, o Ministro da Defesa Português decidiu destituir Barros Basto dos seus deveres de oficial, apesar de este ter servido com distinção durante a Primeira Guerra Mundial.
Como base para a sua decisão, o Ministro alegou razões não especificadas para o bem-estar nacional, mas a verdade é muito mais perturbante.
Em 1974, depois da Revolução de 25 de Abril, a sua filha, Senhora Teixeira da Silva, submeteu um apelo ao Ministro da Defesa e ao Presidente da República, Francisco Costa Gomes, respeitante ao caso do seu pai. Dois meses mais tarde, o Gabinete do Presidente recusou o seu pedido... alegando que tinham passado demasiados anos para reabrir o processo.
Artur Carlos de Barros Basto nasceu em Amarante no dia 18 de Dezembro de 1887 e foi educado dentro do cristianismo,   mas na juventude,  ao tomar conhecimento de que tinha ascendencia judaica - era oriundo de uma família de marranos de Amarante, e o seu avô era   um membro praticante da comunidade -, inicia uma aproximação, primeiro teórica, e prática após a sua vinda para Lisboa.
Barros Basto era portanto um “Marrano”, um descendente de judeus cujos antepassados tinham sido forçados a converter-se ao catolicismo quase cinco séculos antes.
Depois de uma longa e árdua busca das suas raízes, Barros Basto decidiu voltar à fé dos seus antepassados e passou por um retorno formal ao Judaísmo.
 A partir da cidade do Porto, iniciou uma campanha pública com o objectivo de convencer outros Marranos a emergirem de séculos de clandestinidade e juntarem-se ao seu povo. A sua prática aberta do Judaísmo e os milhares de pessoas que, segundo historiadores como Cecil Roth e Howard Morley Sachar, ele inspirou, não eram bem vistos pelas autoridades na altura, que pretendiam suprimir o seu movimento fazendo contra ele falsas acusações.
Ao mesmo tempo que iniciava a sua vida militar, o  jovem Barros Basto apresentou-se um dia na Sinagoga Sefardita de Lisboa e declarou-se judeu. Apesar de todo o seu empenho, a Comunuidade Judaica negou-lhe, inicialmente, a integração na congregação.
Por forma a ser aceite como membro de pleno direito, aprendeu o hebraico e deslocou-se a Marrocos para receber instrução religiosa. Em Tangêr foi circunscidado e foi oficialmente aceite dentro na religião Judaica,  adoptando o nome de Abraham Israel Ben-Rosh.
Depois de haver cursado na Escola de Guerra,  Barros Basto participou na Implantação da República, tendo sido ele quem hasteou a bandeira da República, no Porto.
Posteriormente comandou um batalhão do Corpo Expedicionário Português, na Primeira Guerra Mundial,  como Tenente na Frente da Flandres, pelo que que foi condecorado.
Barros Basto ficou conhecido como o “Apóstolo dos Marranos”, denominação que lhe foi dada pelo historiador Cecil Roth, quando descreveu o empenho com que  Barros Basto se dedicou à sua “Obra do Resgate”. 
Apesar das denúncias do acusador do Porto contra Barros Basto, o caso foi abandonado dois anos depois por falta de provas.
No entanto, em 1943, o Ministro da Defesa revogou o cargo de Barros Basto, humilhando-o injustamente e malogrando os seus esforços para reacender o “Marranismo” português. Quando faleceu, em 1961, era um homem destruído.
Com efeito, destruindo Barros Basto e a sua reputação, os seus opositores conseguiram destruir o seu movimento renovador.
Afinal não só a Igreja Católica utilizou a crueza das infamantes "representações" a que chamavam "Autos de Fé". Também as Forças Armadas tinham a sua Inquisição bem montada e oleada, a fazer fé nos milhentos de casos que se vão descobrindo... e mais se encontrariam se os historiadores cumprissem a missão para que foram preparados. 
O capitão Artur Carlos de Barros Basto faleceu em 1961, sem ter sido reabilitado pelo Exército Português da decisão de 1943 do Ministro da Guerra, que o exonerou das suas funções de oficial, por ser judeu e um activo defensor da tolerância religiosa, e dos “Marranos” em particular.

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