terça-feira, 24 de janeiro de 2012

EXAME DE CONSCIÊNCIA ÀS TROPAS



14/1/12
"Senhor, dai-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar; a coragem para mudar as coisas que posso mudar, e a sabedoria para conseguir distinguir umas das outras."

Oração da serenidade

Autor desconhecido

Este artigo destina-se a pôr a (grande) maioria das pessoas contra mim. Se a sua consciência o ditar.
Do anterior falámos do desmantelamento da Instituição Militar e da menorização dos militares, que tem sido levada a cabo por todas as forças políticas representadas no Parlamento (sobretudo pelas do arco do poder), nomeadamente desde que a Lei 29/82 - Lei da Defesa Nacional e das FAs - entrou em vigor e que culminou agora no "congelamento" das promoções e na espantosa trapalhada à volta do Dec-Lei 296/09 (integração dos militares na tabela remuneratória única).
Falámos ainda da falta de êxito da mais elevada hierarquia militar na defesa da IM, o que tem levado a um manifesto afastamento entre as partes com cada vez mais nefastas consequências na coesão do todo.
A indignação das tropas foi potenciada, porém, pela "suspensão" da sua carreira; dos cortes salariais e naquilo que se adivinha (e vai ser uma realidade), na "Saúde Militar". Ou seja em aspectos exclusivamente materiais e que afectam o ser individual no seu dia - a - dia.
Parece-me curto. Daí que seja necessário fazer um exame de consciência, passe a "impertinência".
De facto, ao longo destes últimos 35 anos quando ocorreram numerosos erros e indignidades relativamente à Defesa Nacional e ao País raramente se viu alguém indignado ou disposto a opor-se ao plano inclinado em que fomos postos (o país e a IM). Pelo contrário, alguns até colaboraram com entusiasmo. Vou dar alguns exemplos para vos avivar a memória:
- Lembram-se como não se quis "julgar" ninguém a fim de separar o trigo do joio, quem se portou mal, de quem se portou bem (nos termos da virtude e da honra), durante e após o 25 de Abril, até a situação estabilizar?
- Lembram-se da incrível proliferação de subsídios; da reintegração a esmo de quem tinha sido saneado; das promoções avulso e da reconstituição de carreiras (conhecidas na gíria pelo "garimpo"), que causaram mais injustiças do que resolveram e inquinaram a IM por duas gerações? (terá sido o "apaziguamento" possível?);
- Lembram-se quando acabaram com o Serviço Militar Obrigatório? (um erro trágico de gravíssimas consequências!);
- Lembram-se quando mudaram a legislação sobre a escolha dos chefes militares, que governamentalizaram, impedindo qualquer contributo válido da própria instituição?
- Lembram-se quando achincalharam publicamente várias figuras de generais e almirantes e quase ninguém protestou, ou se solidarizou?
- Lembram-se quando retiraram os chefes militares da tabela salarial das FAs e os equivaleram a cargos políticos? (separando a cabeça do resto do corpo...).
- Lembram-se quando acabaram com os Tribunais Militares e, na prática, destruíram a Justiça Militar? (a única que ainda funcionava...).
- Lembram-se quando invadiram o ensino militar pelo ensino civil, para além do que era razoável, pondo-nos de cócoras com quem connosco só tem a aprender?
- Lembram-se dos ataques continuados e recorrentes à condição militar e aos militares, constantes na comunicação social, sem haver qualquer reacção?
- Lembram-se da incrível invasão das mulheres nas FAs, sem nexo que o justificasse, para além da demagogia do politicamente correcto? (e da falta de voluntários para algumas especialidades...).
- Lembram-se dos sucessivos ataques ao RDM, que acabaram na sua remodelação, que transformou a Disciplina Militar, numa quase ficção?
- Lembram-se da regra, inacreditável, do duplo voluntariado para se arranjar pessoal a fim de se constituírem unidades para operar fora do território nacional, cuja principal razão residiu no pânico de alguém poder morrer no cumprimento do seu dever?!
- Lembram-se das sucessivas amputações na autoridade delegada nos chefes militares para poderem bem comandar os seus Ramos - e poderem ser responsáveis por isso - (o que depois se reflecte pela hierarquia abaixo), que os têm vindo a transformar em figuras decorativas, em detrimento de políticos de ocasião cuja ignorância é crassa e as intenções duvidosas?
- Lembram-se dos numerosos grupos de trabalho já nomeados a nível do MDN, enxameados (quando não presididos) por civis, com a finalidade de tratarem de assuntos estritamente militares?
Os exemplos podiam continuar restando acrescentar um ponto: muito do mal que foi efectuado podia ser relevado se tivesse sido feito com boa intenção. A ignorância não pode ser apresentada como desculpa e há incontornáveis indícios de dolo.
A memória dos homens é fraca mas, às vezes, é também muito conveniente.
- Artigo de  João José Brandão Ferreira - TCor/Pilav(Ref)
CONTINUA

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