terça-feira, 14 de agosto de 2012

PORTUGAL MILITAR... A BRINCAR?

Não sei se os políticos pensam que as Forças Armadas são constituídas por 'Soldadinhos de Chumbo', como aqueles que gostariam de ter tido na infância, mas se tal não corresponde à realidade apresento desde já as minhas desculpas por não conseguir entender então porque teimam em fazer da 'Tropa' marionetes que manobram a seu belo prazer, com a complacência de algumas Chefias que ainda não compreenderam que se estão a demitir do papel de 'Chefes' aceites e admirados pelos seus homens (e mulheres), apenas e tão só porque as autoridades que superintendem esta coisa das Forças Armadas querem ter na mão a manipulação das mesmas, tal como já fazem com as Polícias... que vêem como forças a utilizar no caso de as FF'AAs tentarem repôr o normal funcionamento das instituições, promovendo uma segunda edição do 25 de Abril, do 25 de Novembro ou de qualquer outro evento daqueles que acabaram por atirar Portugal para o caos.
Aquilo que está escrito abaixo, da autoria do Exmº. Coronel Reformado Barroca Monteiro, é bem o espelho daquilo que se tem dito desde há muito tempo: O Governo está empenhado em acabar com a 'Tropa' e vai demonstrando isso mesmo nas decisões que toma. Obrigado Sr. Coronel por aquilo que julgou por bem escrever.
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“Portugal militar: G3”
A substituição da espingarda G3, da guerra do Ultramar, cujo calibre e munições foram abandonados há décadas pela NATO, há séculos a ser objecto de tentativas de substituição por nova espingarda de calibre 5.56.
Na tapada de Mafra e Escola Prática de Infantaria, foram inúmeras as provas de teste de novas armas no mercado objecto de avaliação, tantas como os concursos lançados – haverá algures na Defesa, um dossier com o registo das despesas efectuadas?
Vem agora o MDN anular o último concurso para 26.900 espingardas e 1.600 metralhadoras ligeiras e pistolas, no valor de 80 milhões de euros, decidido pelo anterior ministro.
Um processo que se arrastou no MDN por três décadas, quando após Nov75 bastaram dois/três anos para que na Força Aérea e Corpo de Tropas Pára-quedistas, se procedesse à aquisição de cerca de três mil novas espingardas Galil 5.56.
Pior e até hoje, sem por isso terem deixado de ser adquiridos lotes parcelares de novas espingardas, metralhadoras e pistolas, distribuídos por núcleos diversos das FA (e GNR e PSP): Tropas Comando, Fuzileiros, Operações Especiais e Força Aérea...ao sabor dos ramos/quintas e nestes, das capelinhas.
Num país de eternos e inconclusivos estudos, o ministro despacha mais um estudo: à competente Direcção-Geral, para reavaliar «as necessidades...dos ramos».
Que tal concurso, a orçar 80 Me nunca ter chegado a bom porto, devia levantar algumas questões.
Estando perante a ferramenta fundamental dos 30 mil militares nacionais, tratava-se de um valor demasiado reduzido, logo pouco interessante para os negócios da Defesa/FA, perante projectos realizados e de valores incomparavelmente mais elevados?
Como os dos blindados Pandur Exército a movimentar 340 Me, ou da Aviação Exército com 420 Me? Ou pior, o dos Leopard usados da Holanda, de necessidade e utilidade mais que duvidosas, por 80 milhões?
É que se em vez dos 80 milhões em tanques inúteis, tivesse havido uma ideia de conjunto e prioridade, as novas espingardadas poderiam perfeitamente equipar as FA de hoje e do futuro – desde 2007!
Ou ter aplicado tal valor, superior ao passivo da Manutenção Militar de 60 Me que tem impedido o encerramento, para o país se ter visto livre de tal herança das velhas FA.
Com o MDN empenhado em rever o Conceito Estratégico de Defesa Nacional, à semelhança de Portas na Defesa em 2002, a garantir um período para nada ter de resolverem, não é de admirar que o sector Defesa/FA se veja governado de fora: pelo ministro das Finanças, dada a falta de iniciativa dos seus pares. Há um ano."
Barroca Monteiro

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