sábado, 24 de novembro de 2012

GOLPE MILITAR DO 25 DE NOVEMBRO

 
Quando, no dia 21 de Novembro, o Conselho da Revolução resolveu destituir o 'General' Otelo Saraiva de Carvalho do cargo de Comandante da Região Militar de Lisboa, com o cargo a ser entregue a Vasco Lourenço, que pertencia à linha mais moderada, e o Partido Socialista realizou um comício na Alameda D. Afonso Henriques, de apoio ao VI Governo Provisório, que contou com uma presença de milhares de pessoas, ninguém sabia que os agricultores de Rio Maior, que se dizia estarem 'feitos' com a direita, cortariam, no dia 24 de Novembro, as estradas de acesso a Lisboa.
É assim que chega o dia 25 de Novembro de 1975, cuja efeméride se 'comemora' amanhã, pois naquele dia  aconteceu:
- Na sequência de uma decisão do General Morais da Silva, Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, que dias antes tinha mandado passar à disponibilidade cerca de 1000 camaradas de armas dos Páraquedistas da Base Escola de Tropas Paraquedistas de Tancos, estes resolveram ocupar o Comando da Região Aérea, em Monsanto - Lisboa e mais cinco bases aéreas, detêm o general Aníbal Pinho Freire e exigem a demissão do General Morais da Silva;
 - Este actos são então considerados, pelos militares ligados ao 'Grupo dos 9', como o indício de que estaria em preparação um golpe de estado vindo dos sectores mais radicais, da esquerda. Esses militares apoiados pelos partidos políticos moderados como PS e o PPD e depois do Presidente da República, General Costa Gomes, ter obtido da parte do PCP a confirmação de que não iria convocar os seus militantes e apoiantes para qualquer acção de rua, decidem então intervir militarmente para controlar o país;
- O Regimento de Artilharia de Lisboa (RALIS), que estava com os moderados, toma posições no Aeroporto de Lisboa, nas Portagens da A1 - Lisboa e no Depósito de Material de Guerra, em Beirolas;
- As forças da Escola Prática de Administração Militar ocuparam a Rádio Televisão Portuguesa, enquanto a Polícia Militar toma a Emissora Nacional. Ambas as forças militares estão ligadas a forças políticas da esquerda revolucionária;
- Uma força do Regimento de Comandos da Amadora, ligados aos moderados, cerca o Emissor de Monsanto, que havia sido ocupado pelos Páraquedistas, e a emissão da RTP foi transferida para a RTP-Porto;
- Mário Soares, Jorge Campinos e Sottomayor Cardia, membros da Comissão Permanente do PS, temendo pela vida, saem clandestinamente de Lisboa, na tarde do dia 25, e seguem para o Porto, onde se apresentam no Quartel da Região Militar do Norte ao Brigadeiro Pires Veloso e ao General José Lemos Ferreira;
- O Presidente da República decreta o estado de sitio na área da Região Militar de Lisboa, e teve um papel determinante na contenção dos extremos;
- Ramalho Eanes, adjunto de Vasco Lourenço, ilude as pressões dos militares da extrema-direita, que o incitam a mandar bombardear unidades, Vasco Lourenço dá voz de prisão a Diniz de Almeida, Campos Andrada, Cuco Rosa e Mário Tomé,  todos eles militares com fortes ligações a  forças políticas da esquerda revolucionária, sendo o último, inclusive,  filiado na  UDP;
- O "Grupo dos Nove" e os seus aliados controlam a situação.
Os oficiais do COPCON e da FUR, aliados de ocasião dos “gonçalvistas” e do sector militar do PCP , decidiram-se a travar o ‘combate decisivo” à sua maneira.
Chegou o momento do avanço decisivo para o socialismo”, proclamava a 21 o manifesto dos oficiais do COPCON: "O poder dos trabalhadores tem que ser armado”. O objectivo era ganhar o apoio popular para um pronunciamento que impedisse a destituição de Otelo e demitisse os chefes de direita da Força Aérea.
A insubordinação dos pára-quedistas e o miniputsch esquerdista foram o triste desenlace a que se reduziu o grande movimento revolucionário de 74/75, o maior da história moderna portuguesa. Os operários, que no dia 25 de Novembro se agruparam junto dos quartéis pedindo armas, já se sabiam derrotados. Os chefes do PCP mandaram-nos para casa, com “confiança no futuro”. O golpe militar da social-democracia, longamente amadurecido, ia inaugurar uma nova era de estabilidade. Cunhal acolheu-se como refém submisso à protecção de Melo Antunes. Tudo acabara em bem: nem fascismo nem revolução
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O GOLPE CRONOLÓGICAMENTE NARRADO:
 Na madrugada de 25 de Novembro de 1975, forças militares da extrema-esquerda saem da base de pára-quedistas de Tancos.
- Os comunistas pró-soviéticos, conhecedores da movimentação, reunem de emergência o comité central às 03:30 da madrugada desse dia.
-  04:00 da madrugada, é confirmada a demissão de Otelo Saraiva de Carvalho da chefia do Comando Operacional do Continente, retirando à extrema-esquerda este posto militar de importância estratégica.
- Quase à mesma hora, os movimentos da extrema esquerda emitem um comunicado a afirmar que chegou a hora dos trabalhadores mostrarem o seu poder. O objetivo é o de esmagar a besta fascista, aludindo a uma manifestação de agricultores anti-comunistas, que tinha erguido barricadas a 40km a norte de Lisboa e à demissão de Otelo Saraiva de Carvalho.
- 04:30 - ocorre a primeira ação de contenção do golpe, quando quatro Chaimites do Regimento de Comandos (afeto às forças democráticas) montam guarda ao Palácio Presidencial em Belém.
- 05:00 – Unidades blindadas fiéis às forças democráticas saem do regimento de Cavalaria de Estremoz e da EPC (Escola Prática de Cavalaria) de Santarém, em direção a Lisboa
06:00 – Tendo conhecimento desta movimentação militares esquerdistas do RALIS (Regimento de Artilharia de Lisboa) tomam posições defensivas na entrada norte de Lisboa, no aeroporto da Portela e no depósito de material de guerra em Beirolas. A movimentação dos blindados ocorrerá porém apenas no dia seguinte..
- 06:00 Forças dos pára-quedistas tomam as instalações militares do DGACI de Monsanto
- 07:00 Forças dos pára-quedistas (extrema-esquerda), comandados pelo então Tenente Matos Serra, atacam e controlam pelas armas a Base Aérea nº. 3, de Tancos.
– 08:00 Forças também dos pára-quedistas tomam as bases aéreas nº. 5, de Monte-Real, nº. 6, do Montijo (Margem sul do Tejo) e  nº. 2, da Ota.
- 08:00 – As forças revolucionárias da extrema-esquerda tomam posições importantes, mas torna-se claro que o Presidente da República (cuja posição era indefinida) decidiu contrariar o golpe revolucinário.
- 09:00 – O Presidente da Republica reune-se de emergência com o Conselho da Revolução para analisar a situação.
- 10:00 – O Partido Comunista apercebe-se que a situação, embora aparentemente favorável aos revolucionários, não tem saida, desde que o Presidente decidiu contrariar o golpe. O PCP dá ordens à sua principal unidade operacional, os Fuzileiros Navais, de que «não é a altura para avançar».
- 12:00 - O Presidente convoca Otelo Saraiva de Carvalho para que se apresente no Palácio de Belém.
- 14:00 - 16:00 - O Presidente da República manda que vários comandantes de unidades militares da região de Lisboa se apresentem no Palácio de Belém.
- 15:00 - Otelo Saraiva de Carvalho (desistindo de comandar os revoltosos) apresenta-se ao Presidente.
- 16:00 – Depois de se informar sobre quais as acções que serão levadas a cabo pelos comunistas pró-soviéticos e pela central sindical comunista (CGTP), o Presidente da República declara o «Estado de Excepção» na Região Militar de Lisboa.
- 16:30 – Tropas do Regimento de Comandos (fiéis às forças democráticas) preparam-se para atacar a Base de Monsanto, o Regimento de Artilharia de Lisboa e unidades do Regimento de Artilharia de Costa (aparentemente fiéis aos revoltosos da extrema-esquerda).
- 16:30 - O Presidente manda emissários às instalações do Comando da Região Aérea em Monsanto pedindo a rendição dos revoltosos, mas sem sucesso.
- 17:00 - Forças da EPAM (Escola Prática de Administração Militar) (extrema esquerda) tomam as instalações da Televisão. A emissão passa a ser constituída por bailados revolucionários e música clássica.
- 17:00 – Populares da região de Leiria cercam a base de Monte-Real, que tinha sido tomada pelos páraquedistas da extrema-esquerda e impedem a sua utilização.
- 19:15 – Os páraquedistas em Monsanto rendem-se às forças do Regimento de Comandos.
- 21:10 – Ocorre o mais conhecido incidente da revolta para quem assistia pela televisão. O capitão esquerdista Duran Clemente, que lia um comunicado revolucionário é interrompido e a emissão da Rádio Televisão Portuguesa a partir de Lisboa, passa a ser assegurada a partir dos estúdios no Porto. A programação, que transmitia música sinfónica e um balet revolucionário (ao estilo chinês) é substituída por um filme americano com Danny Kaye.
- 21:30 – O Presidente da República dirige uma comunicação ao país, com o esquerdista Otelo Saraiva de Carvalho a seu lado.
Dia 26 de Novembro
- 00:30 – A Base aérea da Ota volta ao controlo das forças democráticas.
- 01:00 – Populares da extrema-esquerda cavam trincheiras junto às instalações da Policia Militar na Ajuda, a apenas 500m (quinhentos metros) do Palácio Presidencial.
- 02:00 – Não tendo conseguido o controlo completo da situação, forças de infantaria vindas do Porto, de Vila Real e de Braga, preparam-se para marchar sobre Lisboa.
- 07:20 – Os comandantes do Regimendo de Policia Militar são convocados para se apresentarem ao Presidente da República, 500m mais abaixo, mas um plenario de militares revolucionários determina que o Presidente deve primeiro explicar as razões da convocação.
- Um militar da presidência dá a palavra de honra de que os oficiais esquerdistas não serão presos e dois deles (Maj. Mário Tomé e Maj. Cuco Rosa) apresentam-se no palácio às  08:00.
08:15 – Os militares do Regimento de Comandos tomam de assalto o quartel do Regimento da Polícia Militar. Durante o assalto morrem dois militares, um Tenente e um 2º-Furriel.
- Os comandantes da Policia Militar, contrariando a promessa dada, receberão ordem de prisão durante essa manhã.
- Também durante a manhã, o comandante do RALIS apresenta-se ao presidente e é detido.
- 10:00 – Blindados chegados da Escola-prática de Cavalaria de Santarem, controlam o Depósito-Geral de Material de Guerra.
- À tarde, os Fuzileiros Navais, que não tinham aderido ao golpe por indicação do Partido Comunista, cumprem ordens recebidas do Presidente para tomarem posições no forte de Almada e dispersam uma manifestação de populares junto ao seu quartel.
- Por volta das 16:00 a EPAM (Escola Prática de Administração Militar) rende-se

- Ao fim da tarde, a Base Aérea 6, do Montijo volta ao comando da 1ª Região Aérea.

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