domingo, 3 de março de 2013

MOMENTOS...MILITARES?


Chefes militares prometem “lealdade” à tutela e associações vão à luta
 
"As associações de militares convocaram uma reunião para 6 de Março para debater o futuro das Forças Armadas.
É o terceiro acto de uma escalada de posições públicas tomadas por militares nos últimos dias e que mostra a convulsão no sector.
Depois de, na passada sextafeira, oficiais e generais na reserva e na reforma se terem juntado em dois jantares, em Lisboa e no Porto, onde se mostraram preocupados com a “descaracterização e desarticulaçãodas Forças Armadas, na segunda-feira à noite foi divulgado um comunicado dos chefes de Estado-Maior em funções, a assumirem, em comunicado, a “lealdade” e “frontalidade” com o Governo. E ontem, a Associação Nacional de Sargentos (ANS), a Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) e a Associação de Praças (AP) anunciaram a organização, em conjunto, de um encontro na próxima semana para definir formas de luta contra os cortes financeiros e de efectivos anunciados pelo ministro da Defesa.
“Todos os cenários são possíveis e estão em cima da mesa”, disse ontem à Lusa Lima Coelho, presidente da ANS, vincando que “não está posta de parte qualquer outra forma de protesto”. Lima Coelho revelou que, no centro do debate, estarão os “problemas dos militares no activo, na reserva e na reforma” e vincou que o encontro servirá para mostrar que “os militares estão com os cidadãos de onde emanam e não contra os cidadãos”.
Na véspera, o Conselho de Chefes de Estado-Maior dos três ramos das Forças Armadas (CCEM) afirmaram, em comunicado enviado à Lusa, a sua “lealdade e frontalidade perante a tutela política e os seus subordinados”, comprometendo-se a defender a “serenidade, a coesão e a disciplinano sector. Para o general Loureiro dos Santos, um dos protagonistas do jantar de generais, este comunicado demonstra “a relevância do que está em causa”. O antigo ministro da Defesa lembrou que “não é todos os dias que surge um comunicado do Conselho de Chefes”. “Se não fosse relevante, os chefes não teriam o cuidado de vir a público dizer as suas opiniões num assunto tão decisivo para as Forças Armadas, num momento tão especial para as Forças Armadas”, frisou à Lusa.
No mesmo sentido, o presidente da AOFA considera que o comunicado do CCEM só é “normal” porque o “contexto em si é anormal”, já que “as Forças Armadas estão a ser colocadas em causa”. Em declarações à Lusa, Cracel vincou que “o que está em causa [no comunicado] mais não é do que o reafirmar da procura de que as Forças Armadas mantenham a sua postura, como é aquela que sempre deverá ser a sua em qualquer circunstância”. Manuel Cracel alertou que “as tensões sociais poderão culminar em justos protestos” e deixou um aviso: “Os militares não serão um instrumento de repressão sobre os concidadãos”.
Segurança em risco.  O ambiente das Forças Armadas não passa ao lado de Luís Fontoura, que presidiu à revisão do Conceito Estratégico de Defesa Nacional (CEDN). Ontem, no lançamento de mais uma edição da revista “Segurança e Defesa”, o antigo dirigente social-democrata defendeu que as “assimetrias sociais” estão a pôr em causa “um dos pilares da segurança e da defesa nacional”. “A coesão nacional é um activo nacional. A miséria é uma grande adversária da coesão nacional. Não há coesão nacional enquanto houver portugueses que se sintam pior tratados do que outros”, afirmou. Para Luís Fontoura, o “conceito estratégico nacional do momento só pode ser um”: “A sobrevivência do Estado português”."

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