quinta-feira, 8 de agosto de 2013

POR VEZES... ACONTECE...!



"Domingo, 4 de julho de 1937, 10h20. Rua Barbosa du Bocage. António de Oliveira Salazar preparava-se para sair da sua viatura oficial, um Buick, frente à casa do seu amigo pessoal Josué Trocado, em cuja capela privativa costumava assistir à missa dominical. De repente, uma enorme explosão atroa os ares e esventra a rua. Fumo, pedras, lajes e placas voam pelos ares. Abre-se uma cratera larga e funda na rua.
A perplexidade é total.
Ouve-se gritos, gente que foge, pessoas que acorrem a ver o sucedido. Trocado precipita-se para a viatura. Ileso, sacudindo a poeira que o cobrira, o ditador sai da viatura pelo seu próprio pé, olha para os lados e aparentemente indiferente, frio, diz: «Vamos assistir à missa.» Esta é a extraordinária história, quase cinematográfica, do único atentado contra a vida de António de Oliveira Salazar, que o historiador João Madeira nos conta ao longo destas páginas. Reconstituindo factos, segue a investigação policial que imediatamente foi montada com exames, inspeções, denúncias e teses contraditórias e se torna numa verdadeira caça ao homem. É preciso encontrar culpados, a todo o custo.
Surge então o fantástico «grupo terrorista» do Alto do Pina. Mas a trama é mais complexa do que parece. 
Este é um acontecimento que se enquadra no contexto da guerra civil de Espanha e das ações de solidariedade desenvolvidas pela Frente Popular Portuguesa em convergência com os anarquistas."
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Os jornais da época, as conversas de boca em boca à saída das igrejas, todos falavam em milagre. Mas na realidade, uma sucessão de episódios de circunstâncias inesperadas e de erros, nomeadamente no fabrico do tubo metálico, demasiado curto, que serviria de bomba, fez com que esta detonasse em sentido contrário do local preciso onde o carro estacionara.
Por pura sorte, António de Oliveira Salazar escaparia sem um arranhão deste atentado. 
No final, enquanto uns lhe pediam repouso, mantendo a pose bem afivelada, sorriu e respondeu «Como fiquei vivo terei de continuar a trabalhar».


Segundo o historiador Manuel Loff  “o atentado de Julho de 1937 contra Salazar não foi sequer o mais espetacular das manifestações da tensão armada dos anos da Guerra Civil de Espanha. A revolta da Armada de Setembro de 1936, motim de marinheiros planeado pela organização comunista (a Organização Revolucionária da Armada) dentro da marinha de guerra, eclode algumas semanas após o início da guerra em Espanha. 
Depois de ter conseguido controlar a situação – não sem antes ordenar o afundamento de dois navios de guerra controlados pelos rebeldes –, Salazar ordenou a deportação para o arquipélago de Cabo Verde, de um grupo inicial de 152 presos políticos, que foram forçados a construir a sua própria prisão, a qual se viria a tornar no mais sinistro e emblemático dos campos de concentração portugueses: o Tarrafal, na Ilha de Santiago”.


A Revolta dos Marinheiros - Setembro de 1936
 
Hoje, com o 'sentido patriótico' que é notório verificar nas fileiras, não seria possível outro 28 de Maio, um 31 de Janeiro, o assalto ao Quartel de Beja, o atentado a Salazar, o assalto ao Santa Maria, o ataque à antiga Base Aérea nº. 3 e tantos outros momentos gritantes da história portuguesa. Ainda se viram alguns fogachos entre o 25 de Abril e o 25 de Novembro, mas não terão passado de 'cantos do cisne', coisa que acontece quando se entra em coma profundo e se prenuncia a morte.

Talvez tenhamos de importar exemplos de luta, de coragem de dizer não, de resistência à destruição que está em curso nas Forças Armadas Portuguesas, porque aceitam que um qualquer aprendiz de governante venha destruir uma obra que demorou séculos a consolidar:
O CORPO DE ESPÍRITO E A COESÃO DE UMAS FORÇAS ARMADAS QUE NÃO SE DEIXARÃO ENREDAR NAS ONDA DE DESTRUIÇÃO QUE ESTÁ A SER APANÁGIO DO ACTUAL (DES)GOVERNO DA REPÚBLICA!

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