terça-feira, 15 de outubro de 2013

A INSTITUIÇÃO MILITAR: de mal a pior (II)


INEPTOCRACIA: “Um sistema de governo onde

os menos capazes de liderar são eleitos pelos

menos capazes de produzir e onde os membros

da sociedade aparentemente menos capazes de

se sustentaram a eles próprios ou terem sucesso

são recompensados com bens e serviços pagos

pela riqueza confiscada a um número cada

vez mais diminuído de produtores.”
 
Autor desconhecido
 
HOSPITAL MILITAR DA ESTRELA
."A propósito da implementação do Hospital das Forças Armadas (HFAR), dizia-me há pouco tempo uma jovem médica — com alguma graça e pertinência — que “se tinha tratado de um casamento sem namoro”… Direi mais, o namoro foi tentado mas nenhuma das partes se mostrou interessado nele (namoro), muito menos em pensar em noivado.
 Chegou o “pai tirano” e zás, casou-os à força, tendo os padrinhos (os chefes militares) sido convidados também à força.
TÃO IMPORTANTE, NO MEIO DOS MENINOS...
 Ficaram todos calados e hirtos durante a boda e, a seguir, desligaram-se da vida em comum, como se nada fosse com eles.
 Da atribulada vida em “família” têm resultado gritos, discussões, incompreensões, rancores e más vontades, etc., que têm incomodado sobremaneira vizinhos e utentes da morada em que coabitam; e das cambalhotas no leito conjugal vem já um ser a caminho, que uma ecografia tirada à revelia dos “sacerdotes do templo” indica possuir várias malformações congénitas.
 Passado que foi o timing da pílula do dia seguinte, restava a opção do aborto induzido, mas tal seria doloroso, sobretudo para o tal pai tirano, não por correr o risco de alguma hemorragia, mas por ficar despenteado na fotografia.
 Vai daí, mantém-se a “parturiente” em decúbito lateral de modo a que o tempo permita ir fazendo controlo de estragos Não foi por culpa de vários “conselheiros matrimoniais”, que verteram palavras assisadas sobre os padrinhos, o pai tirano e seus acólitos e várias outras entidades, que se chegou a esta situação. Tudo debalde.
 Na realidade precisavam era de um balde pela cabeça abaixo…
 Entre mil minúcias que têm ocorrido, esta união de jure mas não de facto — que o pai tirano, enfatuado de fogo-fátuo, pretende estender a outras áreas — aparecem em verdadeira grandeza três evidências maiores, a primeira sendo que, em época alguma, o Rossio coube na Rua da Betesga!
 Ou seja, o serviço que era assegurado por quatro hospitais do Exército, da Armada e da Força Aérea não pode ser feito apenas por um, justamente aquele que apoiava o ramo com menos efectivos.
 Não se conhece a data para início das obras de ampliação prometidas, mas temos cá uma fezada de que terão o mesmo destino das estafadas promessas eleitorais.
 Chegada a altura, alguém irá dizer “olhem desenrasquem-se com o que têm, pois não há dinheiro”… É claro que tal decisão jamais será comunicada pelo pai tirano, incapaz de usar um termo tão marcadamente militar como é o “desenrasquem-se”. Ele tem uma educação esmerada.
 A segunda evidência, onde a falta de “namoro” salta à vista, é o choque de culturas. Isto é, cada ramo tem a sua cultura própria (que tem séculos) além de especificidades e maneiras diferentes de ser e de estar.
 Ou seja, quiseram fazer um cocktail de líquidos e sólidos pouco miscíveis e com algumas reacções químicas adversas.
 A isto deve ainda adicionar-se a difícil relação com os ramos e a incrível situação de o director do HFAR estar a despachar, “transitoriamente” com o MDN, quando devia fazê-lo com o CEMGFA, de quem o hospital irá depender.
 O senhor ministro deve julgar que está a trabalhar no PSD ou no seu escritório de advogados e ainda ninguém lhe fez ver a diferença.
 Dele nada há a esperar de positivo.
 Por último, e a complicar ainda mais as coisas, assistiu-se a uma compressão acelerada em que todos se têm de adaptar a tudo — a que não é nada desprezível a má vontade generalizada —, o que piora consideravelmente a natural resistência à mudança, mesmo quando é
necessária, o que está longe de ser o caso.
 Está tudo a “bater válvulas” e o sistema arrisca implodir. Um recente processo colocado em tribunal por um oficial superior, contra o MDN a propósito da situação profissional do director do HFAR e outras informações solicitadas ao ministério, que acabou na condenação (em 1.ª instância) do MDN, é sintomático da situação a que se chegou.
 O sentimento que resta no fi m, face ao comportamento conhecido, é que as chefias militares não ouvem, não vêem, não sentem, não cheiram e não falam. Respiram e alimentam-se, por isso existem.
 Pergunta-se: para quê?

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 João J. Brandão Ferreira

Oficial piloto aviador"

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