segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A INSTITUIÇÃO MILITAR: de mal a pior

Para lêr... e pensar! Brandão Ferreira é um Amigo que nos avisa...
 


"Na sequência do assalto em curso, através do ministro da Defesa (MDN), ao Instituto de Assistência Social das FA (IASFA) e da destruição, também em curso, dos Serviços de Saúde Militares — cuja face mais visível é a concentração dos hospitais dos ramos existentes na área de Lisboa, no antigo hospital da Força Aérea, no Lumiar — acompanhado do terramoto, de grau sete da escala de Richter, na Assistência na Doença aos Militares (ADM) surgiu, recentemente, a circular n.º 003/2013 ADM, de 3/7.
Que especifica este verdadeiro aborto regulamentar induzido, que entrou em vigor a 1 de Agosto? Isto: Obriga a que qualquer beneficiário a quem um médico prescreva uma ressonância magnética tenha que, previamente à sua realização, obter a autorização dos serviços da ADM (sito em Oeiras) — caso queira usufruir da respectiva comparticipação — para o que terá que fazer chegar o receituário acompanhado de um anexo preenchido (fornecido por tão preclaro serviço) pelo processo mais expedito — são referidos o fax, correio ou email, mas estou certo que não se importarão que o mesmo possa chegar por pombo-correio, camelo, burro, ou até largado por via aérea!
Logo que analisado e autorizado o pedido, pelos serviços da ADM, o beneficiário recebe um ofício de autorização, pela via mais rápida possível (fax, email ou correio), para fazer o exame em entidade do regime convencionado ou no regime livre, a seu critério”, citamos.
Esta pérola vem assinada por um tal António Costa Coelho, que, seguramente, não desconta para a ADM…
Comecemos por tentar descortinar qual a razão de ser deste lixo regulamentar — não vou poupar nas palavras — e só encontramos duas: uma tentativa espúria de contenção de custos e a de obviar a eventuais abusos ou vigarices.
Relativamente ao 1.º ponto, não se entende como se faz: existe um plafond? Haverá “exames clausus”? E por que só as ressonâncias são abrangidas?
Quanto ao segundo ponto, só ficam bem as intenções de combate à corrupção — toda a gente sabe que houve abusos e só se pergunta por que não foram combatidos e castigados —, só que este método (se for o caso) é completamente cretino.
A função “controlo” é uma das funções clássicas da Gestão, inventada há muitos anos, e exerce-se fundamentalmente através da cadeia hierárquica (se ela funcionar…) e por meio de inspeções feitas por órgãos adequados colocados ao nível certo, na estrutura organizativa. E não por métodos casuísticos, ainda por cima injustos, deontologicamente reprováveis e desadequados ao meio onde se aplicam.
Tudo feito por civis que não entendem nada da instituição militar, a quem é dada cobertura política, muitas vezes de má-fé, que talham a seu bel-prazer, por vezes com a complacência de uma coluna vertebral menos erecta de uns quantos responsáveis militares!
Esmiucemos um pouco mais a essência deste disparate. Em primeiro lugar, trata-se de um atestado de incompetência e desconfiança aos médicos que prescrevem os exames (à atenção da Ordem dos Médicos, já que, pelos vistos, a hierarquia militar não se incomoda); depois temos a questão da urgência dos exames, ou seja, não pode haver urgência…
E o quererá dizer “pela via mais rápida possível”? (Termos semelhantes foram utilizados no Congresso de Viena, de 1815, sobre a retrocessão de Olivença e ainda hoje estamos à espera que os espanhóis cumpram…)
Quando, por sua vez, o pedido de autorização cai nos serviços da ADM, qual será o “déspota esclarecido” que decide e quais os critérios que usa? (Será que haverá quotas segundo o género?) Quando escrevemos esta catilinária — que, se pudesse, enviava na ponta de um míssil — tenho conhecimento de que nem sequer um clínico existe no órgão de decisão!
Last, but not the least, a que termos fica reduzido o segredo clínico e a privacidade que uma situação clínica entre médico e doente exige e aconselha? (À atenção da Ordem dos Médicos, já que, pelos vistos, a hierarquia militar não se molesta.) Por falar em hierarquia militar, e face ao exposto, pergunta-se para que servem as chefias militares e a presidência do IASFA? E porque ninguém liga às associações militares que, neste âmbito, são as únicas que têm lutado pela preservação da condição militar e direitos correlativos?
E ainda não perceberam que, a proceder desta maneira, em vez de sairmos da crise nos afundamos ainda mais?
Vejam se estudam, ganham vergonha e humildade e emendam a mão!
João J. Brandão Ferreira
Oficial piloto aviador"

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