quarta-feira, 20 de maio de 2009

Outros tempos...

...outras gentes, parece ser a sina da antiga Base Aérea nº. 3, nos dias de hoje rebatizada "Base Aérea de Tancos", ainda que não seja mais uma base aérea mas tão só um local para lançamento de páquedistas, seja em "relativo" ou em qualquer das modalidades da chamada "queda livre".
Poderiam os "Páras" desejar outro local mais conseguido que a antiga Base? Qual Arrepiado, qual carapuça! Estar ali é ouro sobre azul, pois fica-se ao pé de casa, deixando de ser necessário andarem viaturas a fazer-se ao caminho de um lado para o outro do Tejo!
Lançam-se lá no Arrepiado os "Catatuas", porque a esses até lhes faz bem andarem a pé. Sempre têm uma vista do castelo de Almourol, para depois contarem aos familiares que andaram a vêr o castelo do D. Gualdim Paes a partir de cima, do mesmo sítio onde deixaram rastos de medo desde o momento em que o largador lhes enfiou o pézinho no trazeiro e os lançou borda fora do avião!
Para mais, nos antigamentes da "Tropa" no Polígono, a Base até havia sido uma casa do Exército, pelo que o bom filho...
...e ninguém mandou a Força Aérea esquecer-se daquele ditado que diz que "fazer filhos em mulher alheia dá sempre mau resultado"! Era uma terra de outras gentes... e essas gentes quizeram voltar à casa mãe, como se fossem emigrantes no regresso a um lar... que esteve sempre em boas mãos e estava um "must" no momento da entrega
Nos tempos em que se ia até à Aringa comprar selos para as cartas para a Maria e uns copos para "matar" a sede que nos devorava naquele fim-de-mundo, havia sempre a possibilidade de encontrar o centauro do Comandante da Engenharia, que gostava se se mostrar como parte integrante de um animal nobre, talvez pela falta de nobreza que o caracterizava.
Recordo o papel ridículo de um "tipo" de militar que fazia gala em criar problemas para si e para os seus homens, quando ordenava que corressem com os "Páras" dali para fora... apenas porque estes não aceitavam ordens dadas por alguém montado num cavalo. "Quem quer mandar... mande como deve ser: DESMONTE!" - terá dito um "calhau" ao cavaleiro... da triste figura!
E o ridículo de alguém que se "orgulhava" de dizer aos seus Soldados, formados à porta da Engenharia, que "EPE" não queria dizer o que pensavam mas sim "ENTRAI, POBRES ESCRAVOS!"
Faz lembrar um célebrado Capitão da Base que, quando lhe solicitavam qualquer benefício a fazer nas infraestruturas da Unidade, costumava dizer: "Não sabem ainda que não há dinheiro para extravagâncias? Sabem o que quer dizer o lema da Base? REZA QUE NÃO HÁ VERBA!"... e o pessoal tinha que se contentar com tal resposta!
A Base também tinha os seus encantos, quanto a aberrações nas relações entre alguns iluminados e a plebe! O mesmo Oficial, que tinha também os Transportes Auto à sua responsabilidade, quando em determinada altura lhe pedi transporte para Tomar ou para Abrantes, onde teria autocarro de carreira para a minha Leiria, disse não haver lugar nos transportes da Unidade, mesmo estando eu a vêr que a viatura nem meia ia.
Eram outros tempos, outras gentes... outras formas de disciplina, que iam fazendo de
nós, Militares, homens capazes de saber ouvir um "NÃO" sem rispostar em nenhuma circunstância, porque havia uma coisa que se chamava DISCIPLINA, outra que dava pelo nome de EDUCAÇÃO CÍVICA, que era ensinada nas escolas e colocada em prática por cada um de nós.
Não havia vontade de esmurrar o nariz aos prepotentes do Reino? Havia! Não se acertavam contas de vez em quando? Talvez não tantas como seria necessário, confesso!
Ao fim e ao cabo, eram outros tempos, outras gentes, é certo, mas também uma outra forma de estar na vida, nada consentânea com aquilo que nos chegou depois desse Abril dos cravos rubros... que conseguiu levar à bancarrota a mística Militar de que estavamos imbuídos, tal como destruíu o conceito de "Família", vitimizada pelas amplas liberdades conquistadas por um Povo ávido de "novidades", no que à democracia concerne.
OUTROS TEMPOS... OUTRAS GENTES... OUTRAS GERAÇÕES!!!
Valeu a pena? Tudo vale a pena... - diz o poeta!

sábado, 25 de abril de 2009

25 de Abril... 35 anos depois...

Hoje comemora-se a revolução "dos Cravos", "dos Capitães" ou do "25 de Abril", acontecida à 35 anos atrás por iniciativa de um grupo de militares, que se vieram a constituir como Movimento das Forças Armadas.
Trinta e cinco anos depois desse Abril revolucionário, muitas coisas aconteceram, umas positivas outras negativas, algumas perigosas outras... ingénuas por demais para serem verdadeiras.
Porque as independências das possessões ultramarinas foram uma consequência lógica da revolução, não se acautelaram os interesses de milhares de pessoas que, depois de uma vida de trabalho insano tido nos lugares mais inóspitos de África, tiveram de deixar tudo para salvar as suas vidas e a dos seus.
Este foi um dos "D" programáticos do MFA que não foi pensado pelos revoltosos. Descolonizar era necessário, mas não era do modo como se processou.
O outro "D", correspondente a Democratizar, também teve um resultado muito àquem do pretendido, porque o Povo não estava/está preparado para assumir tão "amplas liberdades"... e a liberdade demasiada é sempre má conselheira. Veja-se o que aconteceu no após 26 de Abril: fizeram-se campanhas de dinamização cultural - o terceiro "D", de Dinamizar - , ocuparam-se propriedades urbanas e agrícolas, sanearam-se entidades patronais, usaram-se bombas para matar em nome da liberdade, assaltaram-se sedes de partidos, houve o PREC, o COPCOM, com o comandante deste a pretender encerrar o Povo no Campo Pequeno, surgiram os SUV's, as FP-25 de Abril, o 11 de Março, as nacionalizações, a destruição do aparelho produtivo, o assalto aos postos chave da economia, com a colocação dos "amigos" nas administrações...
...até que chegou a hora de encerrar aquelas Unidades da Força Aérea que não se vergavam perante as insidiosas tropelias dos novos senhores da Pátria, que não olharam a meios para atingir os seus fins. E ASSIM SE ENCERROU A BASE AÉREA Nº. 3, com a passagem das suas instalações para as mãos daqueles que sempre a cobiçaram, como era o caso do Exército.
Mas o 25 de Abril também veio proporcionar outras coisas impensáveis, como foi o caso da mudança da moeda do Escudo para o Euro, a subserviência à Comunidade Europeia, que tenta levar Portugal a tornar-se uma pequena província de uma grande nação chamada Europa, a hipoteca total da economia do País à mania das grandezas, como é o caso do TGV, imposto pela governação europeia ou Ibérica, tanto faz, para não estar a falar do novo aeroporto, porque este é um mal necessário... mesmo que pareça pretender-se entrar para o Guiness construíndo um aeroporto a rivalizar com os mais modernos do mundo. Seja na Ota, em Alcochete, em Alcabideche ou no alto da Torre da Serra da Estrela, o Lino faz! O Lino é o maior, desde que o povo tenha paciência e continue a apertar o cinto, pois o Sócrates tem de ter o melhor para os seus amigos Zapateros, Eduardos dos Santos ou Hugos Chavez. O Partido assim o quer...
Trinta e cinco anos depois de Abril de 74, seria oportuno mandar-se celebrar uma Missa em Acção de Graças pela ingenuidade dos portugueses, que continuam a acreditar nos cantos de sereia do Primeiro Ministro... e depois queixam-se!
Que São Nuno de Santa Maria nos valha!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O 25 de Abril...

A passagem de testemunho de Caetano para Spínola
*
Há 35 anos um grupo de militares, oriundos dos três Ramos das Forças Armadas e das Forças de Segurança, levaram a cabo a enorme "gesta" do derrube do regime do Estado Novo, impondo ao País uma Junta de Salvação Nacional que, logo que se escreveu uma nova Constituição, que tinha a pretensão de levar esta Nação para o... socialismo, talvez porque Portugal era agora uma democracia...
Viveu-se um PREC, houve a Maioria Silenciosa, com prisões arbitrárias; houve o 11 de Março, originado numa dita "Matança da Páscoa", de inspiração comunista, e continuaram a haver prisões... e deu-se a fuga de Spínola para Espanha; houve saneamentos, barricadas, FP 25 de Abril, MDLP, ELP, ciou-se o COPCON, perpetraram-se assaltos a sedes de Partidos de Direita, aconteceram nacionalizações, promoções, despromoções, euforias, confusões... até que, por fim, chegou umoutro 25, mas este agora foi em Novembro, que c e teve como finalidade colocar no devido lugar alguns politiqueiros mais exaltados e remeter os Militares revolucionários para os Quarteis.
Algumas sequelas da revolução chamada dos Cravos ainda fazem doer uma boa parte da sociedade portuguesa... mercê da exemplar descolonização levada a cabo por um Governo composto por gente comprometidoa com muitas das mortes acontecidas nas guerras de África, pela ajuda e apoio que as Internacionais socialista e comunista iam dando aos Movimentos de Libertação.
Recordemos o 25 de Abril:
"Revolução dos Cravos" foi o nome atribuído ao golpe de estado militar que, apenas num dia, derrubou, sem grande resistência das forças leais ao governo - que cederam perante a revolta das Forças Armadas - um regime político que vigorava em Portugal desde 1926.
Este levantamento, também conhecido pelos portugueses como "o 25 de Abril", foi levado a cabo, em 1974, por oficiais intermédios da hierarquia militar (conhecido por MFA), na sua maior parte capitães que haviam participado na Guerra do Ultramar.
Considera-se, em termos gerais, que esta revolução trouxe a liberdade ao Povo Português, denominando-se como "Dia da Liberdade" o feriado que em Portugal comemora esta revolução.
A primeira reunião clandestina dos capitães foi realizada em Bissau, no dia 21 de Agosto de 1973, possivelmente esquecidos de que haveria camaradas de armas que estavam a morrer... no preciso momento em que eles conspiravam. Uma nova reunião aconteceu em 09 de Setembro do mesmo ano, agora no Monte Sobral (Alcáçovas) passando então a conspiração a ser designada por Movimento das Forças Armadas.
No dia 05 de Março de 1975 foi aprovado o primeiro documento do movimento: "Os Militares, as Forças Armadas e a Nação". Este documento foi posto a circular clandestinamente.
No dia 14 de Março o governo demitiu os generais António de Spínola e Francisco Costa Gomes dos cargos de Vice-Chefe e Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, alegando que por se terem recusado a participar numa cerimónia de apoio ao regime. No entanto, a verdadeira causa da expulsão dos dois Generais terá sido o facto de o primeiro ter escrito, com cobertura do segundo, o livro, "Portugal e o Futuro", no qual, pela primeira vez uma alta patente advoga a necessidade de se encontrar uma solução política para as revoltas separatistas nas colónias e não de uma solução militar. No dia 24 de Março aconteceu a última reunião clandestina, onde foi decidido o derrube do regime pela força.
TERÁ VALIDO A PENA? EM DETERMINADOS ASPECTOS SIM! MAS OUTROS HÁ QUE SUSCITAM DÚVIDAS!

domingo, 12 de abril de 2009

RESSUSCITOU!!!

Nos bons velhos tempos, a Páscoa era um tempo que a Base Aérea 3 vivia com verdadeiro espírito cristão, cumprindo todos os preceitos previstos pela doutrina da Igreja. A Cruz, como "marca" maior da Paixão e Morte redentora de Cristo, foi sempre sinal mais para aqueles que cumpriam a "desobriga pascal" porque entendiam qual era
*
O verdadeiro sentido da páscoa
¨ + ¨
Há muito tempo atrás,
veio ao mundo um Homem,
que trouxe na sua filosofia de vida,
o maior exemplo de fé, amor e verdade.
Na sua simplicidade,
e nos seus ensinamentos,
mas muitos não O entenderam
e simplesmente O condenaram!
Houve choro, tristeza, e morte!
Sim! A morte daquele que veio trazer
um exemplo de vida,
a benevolência,
a tolerância,
a paciência,
a fraternidade,
o perdão,
e, entre outras coisas
o AMOR!
E por três dias,
a tristeza dos poucos que O amavam,
que O entendiam durou,
porque, no terceiro dia, o milagre aconteceu!
E veio então: O verdadeiro sentido da Páscoa!
A Ressurreição!
É, portanto, a Páscoa um sinónimo de Ressurreição!
Ressurreição da esperança!
Ressurreição dos sonhos!
Ressurreição da amizade!
Ressurreição do amor universal!
Ressurreição do respeito pela natureza!
Ressurreição do respeito de uns para com os outros!
Ressurreição do AMOR UNIVERSAL!!!
Não serão os ovos de chocolate!
Nem a carne ou peixe!
Quem trará o verdadeiro sentido da Páscoa!
Cristo morreu e ressuscitou,
para nos ensinar a morrer nas nossas fraquezas,
nos nossos erros,
nos nossos defeitos,
e ressuscitarmos a benevolência
que existe dentro de cada um de nós!
Como vemos a Páscoa nos dias de hoje???
¨+¨
Poema de
Cláudia Liz

terça-feira, 31 de março de 2009

HÁ SEMPRE UM SONHO...

Hoje é a véspera de amanhã... sei que já o sabem, claro, mas é sempre bom lembrar que o amanhã, início do mês de Abril, começa hoje, fim do mês de Março, e isto algo tão imutável como o destino.
Esta noite sonhei estar em Tancos, algures no Monte D. Luis, a respirar o ar puro dos arvoredos que são a envolvente da Base Aérea 3... desculpem lá: da Base Aérea de Tancos será "muita areia para a camioneta" dos novos senhores do pedaço - como diriam os brasileiros - porque uma Base é para aquelas que são, verdadeiramente, Forças do Ar, como é o caso da FAP, ou para a "Maruja", que tem este nome feudal registado para o seu Alfeite desde há muitos anos.
No Exército temos os Batalhões, os Esquadrões, os Regimentos, as Escolas de..., mas as Bases são património com marca registada, e estamos conversados a este respeito, parece.
Como eu falava de um sonho, posso dizer que deste constava um "flick-flack com mortal empranchado e enrolamento ventral" feito pelo Dr. Severiano, pois este devolvia à Força Aérea o pleno uso daquele pedaço de chão que nos é tão querido e tão saudoso, tão... tudo aquilo que quizerem, desde que não venham atrapalhar o meu sonho!
Nesse sonho vi uma BA3 toda engalanada, exuberantemente vestida de gala e plumas, com muita música no ar para receber de volta os aviões e helicópteros que eram uma razão da sua existência, tal como o foram aquelas "hordas ululantes" de jovens em instrução, que ansiavam pelo dia do Juramento de Bandeira ou do fim do curso, porque apenas aqui terminariam o estafado rame-rame do "esquerdo... direito... esquerdo...direito... um... dois... esquerdo..." do marchar cadenciado que lhes ia sendo orientado pela voz monocórdica de um graduado que nunca se cansava de lhes repetir: "esquerdo... direito... esquerdo... direito... um... dois... esquerdo...".
Voltei a ouvir a sirene, outrora "comandada" superiormente pelo Cabo Bento Pinto e agora pelo Cabo Chico... ou qualquer outro designado para o efeito.
Ainda me é possível "ouvir" o Capitão Neves - o Barracas para os amigos - a perorar sobre o seu Benfica e as dificuldades em controlar o material da EMI, especialmente as redes mosquiteiras ou o Sheltox para as moscas que demandam o Bairro de Oficiais e a Messe respectiva. Depois é o "Tenhôr" Marinho que tem a culpa ou o Ajudante Eugénio Carlos, pois não comprou o que era preciso.
Na Cantina, o Sr. Antunes vai cortando um bacalhau em postas, enquanto o Ajudante Domingos dos Santos vai dando dois dedos de conversa ao Ajudante Silva e ao Capitão Pereira. O Capitão Prazeres providencia a divulgação de mais um dos seus magníficos trabalhos para a Prevenção de Acidentes enquanto o Primeiro Manuel Estrela vai tratando dos cartões de livre circulação nesta Base, onde o Chico e a sua equipa procuram deixar bem limpinha da Silva, um verdadeiro brinquinho, como soe dizer-se. Na Messe temos o Capitão Goulart, o Primeiro Franco e o Estevão a dar mil voltas à "mona" para que o almoço possa ter uma boa apresentação, seja do agrado de todos, em quantidade e com boa qualidade, enquanto o Capitão Tomaz espera, ansioso, que nasçam mais uns leitões, enquanto comtempla o gado vacum que costuma pastar nos verdejantes prados do Seival.
Não sei bem se foi algum "calhau" que caíu em cima da árvore sobre a qual eu dormitava, pois apenas sei dizer que acordei... e vi que estava em pleno dia 01 de Abril, nada mais nada menos que o DIA DAS MENTIRAS.
Todo o sonho não passou disso mesmo, de uma mentira colossal... bestial... talvez mais isto do que outra coisa, porque num País onde há um Governo autista... quem se atreveria em ir contra a vontade daquele outro que era formado por masoquistas, daqueles que davam "aquilo e oito tostões" para conseguir ver o Zé desiludido!
Nem é preciso ser-se Severiano, porque há Nogueiras que foram Ministros da mesma estirpe de outras pessoas capazes de destruír um sonho... possivelmente porque nunca sonharam e nunca pensaram sériamente no dia de amanhã: 01 de Abril de 2009.

sábado, 28 de março de 2009

AO SABOR DA PENA...

Nunca consegui entender muito bem o porquê de muitas coisas que foram acontecendo durante a minha permanência nas fileiras da Força Aérea, talvez porque nunca tinha pensado muito nesses mesmos acontecimentos, que não foram, de modo nenhum, inibitivos para que o gosto pelas coisas que respeitam àquela Arma viesse a crescer de um modo que me faz afirmar, sem receios, ter sido a FAP a minha outra escola para a formação do meu carácter - desculpe-se a falta de humildade - como homem e como Militar.
Sei que vivi bons e maus momentos, fiz bons e maus relacionamentos, conheci bons e maus camaradas de armas... mas as coisas positivas sobrepuzeram-se claramente às negativas, pelo que não há que reclamar da sorte... penso eu de que!
Fiz Amigos verdadeiros, e alguns estarão para sempre no meu pensamento, pela disponibilidade, pela entreajuda, pela solidariedade, pelo despojamento em prol do outro, sem fazer perguntas incómodas ou recriminações indesejáveis, antes acarinhando, incentivando, aconselhando... pois eram assim os membros da grande Família da Base Aérea nº. 3!
Mas também haveriam por ali algumas invejas, ciúmes bacocos, maldades provenientes de alguma deformação de carácter e inversão de valores... para não falar em algo que me custava muito a acreditar pudesse acontecer: - as inimizades provocadas pelas cores políticas defendidas por alguns Homens bastante conhecedores do dever de isenção que lhes era imposto pela sua condição de Militares, pois estes não podem, nos termos regulamentares, estar filiados em qualquer organização política, nem tampouco tomar parte em debates partidários sem estar superiormente autorizado...
... Encontrei, num dia destes, alguém que me interpelou na rua e me perguntou se não tinha estado em Tancos, como Militar. Lógico que confirmei, perguntando ao meu interlocutor se também havia lá estado. Ele sorriu e disse que tinham lá estado o pai, dois irmãos mais velhos... indo ele parar à Ota, onde fez a Recruta e o Curso, partindo dali para Beja, para a Base Aérea 11, estando agora no Montijo, esperando ir frequentar o Curso de Sargentos logo que o chamem para tal.
Como ele não tinha estado ao serviço da BA3, como sabia que eu lá tinha estado? Disse ter acompanhado o pai nos Juramentos de Bandeira dos irmãos e haver falado comigo e com o pai, que podia ter sido da minha Recruta, dada a idade... mas não me recordava dele daí mas sim de Angola, pois é dois anos mais novo que eu... logo foi incorporado mais tarde, porque não ingressou voluntáriamente na FAP, como eu fiz. Ao fim e ao cabo, o que ele me queria dizer é que tinha bastante pena de haver sido encerrada a BA3, pois gostaria de ter a sorte de nela prestar serviço, como aconteceu com o pai e os irmãos, que recordavam com bastante saudade os Juramentos de Bandeira na extinta Base, que consideravam ser das melhores Unidades da FAP em Portugal.
Agradeci os elogios, que sei não me serem dirigidos, uma vez que não sou a Base Aérea 3 nem sequer o seu curador. Apenas e tão só fico feliz por haver gente que não esquece a Unidade onde as contigências da sua condição humana os levaram num belo dia das suas vidas... deixando-os então marcados com o ferrete das saudades que Tancos lhes suscitaram.
Mas acabei por me alongar sem falar das coisas, boas ou más, que me foram acontecendo nos meus dias de Tancos. Ainda recordo daquele famoso petisco, servido nos almoços da Base, que era constituído pelos "JU's com batata camuflada", da "toucinhada gorda com feijão encarnado" e tantos outros acepipes que fariam inveja aos menús do Solar dos Presuntos ou do Gambrinus. O Chefe Evaristo que me desculpe, mas o Solar deveria ter tido o privilégio de ter podido encontrar um Mestre Cuca capaz de ofuscar Pantagruel nas suas fantasias gastronómicas, como acontecia na BA3 "in ilo tempore".

terça-feira, 10 de março de 2009

Os 34 anos do 11 de Março

A "progressista" fórmula do Juramento de Bandeira do RALIS
CLICK PARA AUMENTAR

Populares (?) armados junto do RALIS
*
Na passagem do 34º. aniversário do 11 de Março, continua a perguntar-se o porquê de muitas coisas que levaram à "queda" do General Spínola, na versão apresentada pelo Partido Comunista, à clarificação daquilo que foram os "ideais de Abril", ao caír da máscara de alguns manuseadores de consciências, que se arvoraram então em lídimos representantes do Povo, através da propaganda de uma 5ª. Divisão do EMGFA... que mais pareciam ter tirado a papel químico os métodos da sinistra KBG moscovita dos tempos da União... Soviética.
Ninguém consegue perceber, a esta distância, como estavam operadores da RTP a postos para a recolha de imagens, fotógrafos dos principais órgãos de informação escrita... e até se dão ao trabalho de meter os pés pelas mãos quando tentam passar para a opinião pública uma cronologia onde é notória a tentativa de adivinhar os passos daquela que ficou então conhecida como "INVENTONA" da "OPERAÇÃO MATANÇA DA PÁSCOA".
* A RTP foi avisada por quem? Talvez por quem estivesse interessado em criar um facto, logo o PCP, que poderá ter utilizado os seus cães de fila da 5ª. Divisão e do COPCON, que se sabe estarem infiltrados por membros do PC;
* O facto de afirmarem ser o Fitipaldi dos Chaimites, o Dinis Almeida, quem comandava o Regimento de Artilharia Ligeira 1 - RALIS, teria a vêr com alguma "destituição revolucionária" prevista pelo COPCON para o Comandante da Unidade? Nunca se saberá!
* Quem pode comprovar que o projéctil que atingiu o Soldado Joaquim Luis saíu das metralhadoras dos dos T-6? Uma rajada do T-6 cortava o Soldado ao meio! Mais alguém disparou? Certamente que sim! Os Páraquedistas não dispararam, sabe-se! De dentro do RALIS dispararam-se vários tiros contra os aviões! Não terá sido um desses tiros que matou o Soldado Luis? Alguém fez prova de balística para chegar a uma conclusão? Quem?
* A fazer fé nos relatórios perliminares mandados para os jornais, o número de aeronaves e de homens que afirmam terem participado no evento levam a concluír:
- A Força Aérea estaria mal preparada para uma missão desta envergadura, por não ter meios aéreos capazes de levar a bom porto essa mesma missão? Nem sonhar!
Os Páraquedistas estavam convenientemente preparados para levar por diante qualquer missão e obter êxito, assim como os meios aéreos da FAP eram os suficientes para levar de vencida a missão... se esta não fosse apenas e tão só uma manobra de intimidação.
Leiam só estes mimos de escrita, cada uma a seu gosto político:
"...E logo no rescaldo do 11 de Março é anunciada a nacionalização da banca, dos seguros, das telecomunicações, dos cimentos, de praticamente todas as indústrias de média e grande dimensão. Nasce o PREC (Processo Revolucionário em Curso). As prisões receberam mais presos políticos sem culpa formada, a rua passou a determinar cada vez mais o que se passaria. Soldados em parada juram fidelidade não à Pátria mas ao socialismo e à revolução..."
" O 11 de Março de 1975 foi uma tentativa falhada de golpe militar, organizada pelo general António Spínola, ex-presidente da República, aliado à Força Aérea e ao Exército de Libertação de Portugal (ELP), por oposição ao Comando Operacional do Continente (COPCON) e à Liga de Unidade e Acção Revolucionária (LUAR), na tentativa de pôr fim ao governo de Vasco Gonçalves, defensor de um regime socialista avançado. A missão foi abortada e o golpe foi dado como falhado"
Trinta e quatro anos após o 11 de Março de 1975, ainda há muito para explicar sobre quem colheu (ou tentou colher) os louros dessa inventona! O PCP? O PS? A revolução? O País? É que o PREC foi um período para esquecer, as nacionalizações uma aberração nascida da mente doentia de um Primeiro Ministro louco! Quem poderá, um dia, dar respostas a tanta coisa que ficou sem resposta?