quinta-feira, 1 de outubro de 2009

OS PIONEIROS DE UMA AVIAÇÃO QUE NÃO CHEGOU A EXISTIR - II

Pipper Super-Cub L-21
2. PRIMEIRAS MEDIDAS TOMADAS PELO GENERAL ABRANCHES PINTO COMO MINISTRO DO EXÉRCITO
- Assumida a pasta ministerial do Exército, o General Abranches Pinto agiu de imediato no sentido da criação de uma Aviação Ligeira de Observação de Artilharia. Para isso, determinou:
"0 estudo e elaboração de um projecto de decreto-lei para a criação de uma aviação ligeira no Exército, com pilotos recrutados entre os oficiais de Artilharia voluntários (pílotos-observadores), ou provenientes de qualquer outra Arma, se tal fosse julgado conveniente pelo Ministério do Exército".
As revisões e as grandes reparações dos meios aéreos seriam realizadas, em princípio, nas Oficinas de Material Aeronáutico. A formação base dos pilotos-observadores e dos especialistas de conservação e manutenção dos aviões (apenas para pequenas reparações) eram asseguradas pela Aeronáutica Militar, mas a instrução de observação aérea dos pilotos-observadores era atribuída a centros de instrução do Exército. Era ainda prevista, como responsabilidade do Exército, "a construção e conservação de hangares, pistas e aeródromos especiais".
0 estudo e construção de uma pista e de um hangar no Polígono de Tiro da Escola Prática de Artilharia (EPA), em Vendas Novas, onde passaria a funcionar um centro de instrução de observação aérea "integrante da Formação Escolar da EPA".
Em 1952 é inaugurado, em Setembro, no Polígono de Tiro da EPA, o campo de aviação "General Abranches Pinto".
0 conceito da aviação ligeira pretendida para Exército evoluiu no sentido de uma aviação não confinada às missões de
"observação de artilharia", seguindo o modelo americano. 0 primeiro manual do Exército dos EUA relativo à sua Aviação (ligeira)
foi, entretanto, traduzido integralmente na EPA.
0 Exército recebeu dos EUA, ao abrigo do MIAP ("Mutual Defense and Assistance Pact"), 22 aviões "Piper Super-Cub" L-21 e um lote de sobressalentes, sendo 8 destes aviões atribuídos à EPA. Previa-se, para mais tarde, uma dotação de helicópteros.
É feito convite aos aspirantes a oficiais de Artilharia do Tirocínio (TAO) de 1951-52 e a oficiais subalternos de Infantaria e Cavalaria para a frequência dos Cursos de "Liaison Pilot Training" (treino de Piloto de Ligação), na Base Aérea de San Marcos Texas, e de "Army Aviation Ractics" (Tácticas da Aviação do Exército) na Escola de Aviação do Exército em Fort Sill Oklahoma. Estes dois cursos constituíam, desde 1950, a formação de base dos pilotos do Exército dos EUA.
Ainda em 1952, em Outubro, seguem para os EUA, os alferes de Artilharia Guilherme de Sousa Belchior Vieira e João António Leite Pacheco Rodrigues, que interromperam então o Estágio de Artilharia Anti-Aérea frequentado no Regimento de Artilharia Anti-Aérea de Queluz, e os tenentes Manuel José Lopes Cerqueira e Victorino de Azevedo Coutinho, respectivamente, de Cavalaria e Infantaria. Os alferes eram os dois primeiros classificados do seu Curso da Escola do Exército (tinham sido cinco os voluntários do TAO para os cursos nos EUA), o tenente Lopes Cerqueira possuía um certificado de piloto de "Gliders" obtido na Alemanha e o tenente Azevedo Coutínho possuía um certificado de piloto de aviões ligeiros.
Os oficiais nomeados não receberam qualquer tipo de instrução prévia ou de ensino de inglês técnico, nem sequer foram submetidos a uma inspecção médica específica em Portugal. Os dois alferes tiveram o seu "baptismo de voo" no avião "Super Constellation" da "TWA" que os transportou de Lisboa para Nova lorque, via Santa Maria, Gander (Terra Nova) e Boston... (CONTINUA)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

OS PIONEIROS DE UMA AVIAÇÃO QUE NÃO CHEGOU A EXISTIR

É já no próximo mês que se "comemora" o 88º. aniversário daquela que foi a Base Aérea nº. 3, que alguém resolveu alienar a favor do Exército... cumprindo um desejo de muitos anos que esta Arma sempre manifestou de forma clara e inequívoca: Como a Base tinha sido instalada em infraestruturas que foram da Aeronáutica Militar, que pertenceu ao Exército até que, em 1952, foi entregue à Força Aérea Portuguesa, então criada.
Não importa que tenha a F.A.P. construído importantes infraestruturas naquela Unidade! Muito do que se construíu não aproveita aos Paraquedistas, porque era destinado a aviões e não pára-quedas. Gastaram ali o que tinham e não tinham, para depois se ter de passar tudo para as mãos de um pseudo GALE - Grupo de Aviação Ligeira do Exército, que foi "criado" mas não concretizado, como está claramente demonstrado. Leia-se o artigo que segue, que esclarece muita coisa... e nada.
"O Exército Português ainda não opera helicópteros em Portugal (nem em qualquer outra parte do mundo). Recentemente houve, e ainda está a haver, uma tentativa de adquirir helicópteros ligeiros e posteriormente helicópteros de transporte.
O processo não está a ser pacífico, mesmo nada. Avanços e recuos sucessivos associado a falta de decisão política condimentado pelo facto de Portugal passar um período de escassos recursos financeiros.
Diz o povo que a história se. repete. E de facto assim parece ser. Senão leiam com atenção um artigo elaborado pelo General Belchior Viera, publicado na Revista de Artilharia e que tomo a liberdade de transever na integra, se bem que por capítulos.
«É criada a Aviação Ligeira de Observação de Artilharia encarregada da utilização dos materiais ligeiros necessários para a Artilharia assegurar a observação e a conduta de tiro (..) sobre objectivos que não são vistos dos observatórios terrestres".
(De um projecto de Decreto/Lei do Ministério do Exército de 1950-51)
"0 grupo de Aviação Ligeira do Exército é a nova unidade que permitirá ao Exército actuar na terceira dimensão do campo de batalha".
(Do Livro Branco da Defesa Nacional 1994)
1. INTRODUÇÃO
Em 20 de Agosto de 1950, foi designado Ministro do Exército o general Adolfo do Amaral Abranches Pinto que, como brigadeiro, vinha exercendo as funções de Adido Militar e Aeronáutico junto da nossa Embaixada em Washington, desde Fevereiro do mesmo ano. O Exército dos Estados Unidos da América desenvolvia, então, uma série de experiências de doutrina táctica e organização operacional com base nos ensinamentos colhidos durante a II Guerra Mundial e nos novos tipos de armamento e equipamento com que passara a ser dotado. Entre este equipamento, contavam-se os aviões ligeiros, orgânicos de unidades do Exército e pilotados e mantidos por pessoal deste Ramo. Utilizados com frequência em missões de observação na II Guerra Mundial (70% das regulações do tiro de artilharia foram realizadas por observadores aéreos), os aviões ligeiros (os "piper Cub" L-4 e L-5) só depois do final desta guerra surgiram integrados num primeiro ordenamento orgânico . Mas, foi, sem dúvida, na guerra da Coreia que os aviões ligeiros alcançaram a sua "maioridade operacional", com a utilização diversificada e intensa do avião "Cessna" L-19, conhecido como "Bird Dog". Os helicópteros do Exército, surgidos no TO coreano, só viriam a alcançar notoriedade, mais tarde, no Vietname.
Na Coreia, os L-19 foram utilizados em missões de observação (regulação e verificação do tiro de artilharia e morteiros, aquisição de objectivos, reconhecimento de itinerários e posições, segurança de colunas de viaturas, pesquisa de actividade do inimigo, fotografia aérea, vigilância) e de transporte (ligação, serviço postal, lançamento e recolha de mensagens, evacuação de feridos, lançamento de fio telefónico, "relais" rádio, reabastecimento de emergência).
Artilheiro e entusiasta da aviação, tinha obtido o "brevet" internacional de pilotagem civil na Alemanha (1923) e especializara-se em observação aérea em balão e avião no Exército Francês (1934-35), o general Abranches Pinto trouxe consigo para Portugal a "ideia" de uma aviação ligeira do Exército, decidido a concretizá-la entre nós numa "escala" compatível com o nosso potencial militar. Não o conseguiu, apesar de nela ter empenhado todos os seus esforços.
Quase meio século passado, aquela "ideia" renasceu entre nós. Vingará agora?
Uma reflexão "histórica" poderá ser muito útil para os políticos e militares responsáveis pelo programa em curso."
(CONTINUA)

sábado, 12 de setembro de 2009

B.A.3 - Uma Base com história

Muitas vezes me têm perguntado porque razão refiro sempre ter saudades da Base Aérea 3, uma vez que tenho uma Base "mesmo ao pé da porta", como é o caso da Base Aérea 5, de Monte Real, dado ser natural de Leiria. Costumo responder que "não há amor como o primeiro"... e porque foi em Tancos que recebi o meu quinhão de saudade, ao ser incorporado na Força Aérea, é esse facto determinante no que se refere a ser-me suscitado tal sentimento.
Posso dizer que assisti à inauguração da BA5, mas foi no GDACI que tive o primeiro contacto oficial com a FAP, uma vez que fui lá inspeccionado para o Serviço Militar, enquanto na Base de Tancos fui incorporado, fiz toda a instrucção Militar e jurei Bandeira. Também foi na Base Aérea 3 que fiz o meu curso.
Fui colocado na BA5 após regressar de Angola, mas os dois anos ali passados não me fizeram esquecer Tancos, mesmo que tenha sido também um tempo importante o que vivi... numa Base que era a antítese daquilo que se preconizava encontrar numa Unidade Militar cinco estrelas, algo tornado necessário para quem estava no meio castrense, como seja: CAMARADAGEM entre todas as classes, sem os indesejáveis separatismos entre especialidades que eram apanágio da Base de Monte Real, onde se vivia segundo as "castas", ao passo que em Tancos havia uma noção arreigada de que o espírito Militar e o espírito de Família não estavam dissociados! Era a casa enorme onde cabia toda a grande família da Força Aérea, porque também os outros, que à BA3 iam adir para efeitos da frequência de qualquer curso ou em missão de serviço, eram integrados nessa grande família!
Não estava arreigada no espírito de ninguém a convicção de que "A FORÇA AÉREA EXISTE PORQUE EXISTEM PILOTOS E AVIÕES!", como por vezes se ouvia dizer em Monte Real. Em Tancos também existiam aviões e Pilotos, mas existiam igualmente os Mecânicos de Material Aéreo e Terrestre, Electricistas, de Rádio, de Armamento, havia o pessoal de Controle, de Meteorologia ou Comunicações, para não falar nos Abastecimentos, nos Amanuenses, na Polícia Aérea, nos Bombeiros, nos Condutores, nos Clarins... e até nos Cozinheiro, bastante importantes para cozer as batatas que eram servidas à mesa de todos os outros, como importantes eram aqueles "fulanos" que limpavam a pista, a iluminavam, a conservavam... sendo que eram todas estas pessoas que permitiam que os aviões fossem para o ar, no cumprimento das missões que lhes eram cometidas, cientes de que todos tinham dado o seu contributo para o cumprimento da missão!
Era assim a Base Aérea nº. 3, que honrava por completo a sua divisa... e a Força Aérea de que se orgulhava ser uma parte importante.
Foram muitos os anos que deram àqueles que fizeram a Força Aérea Portuguesa motivos de sobra para se reverem na história que ajudaram a escrever. Muitos daqueles que um dia passaram os portões da Base, já hà muito foram para junto do Criador, pois é essa a natureza humana, mas nós, que ainda esperamos a nossa hora, não esquecemos aqueles que nos antecederam nos 88 anos de vida da nossa Base Aérea 3.
Esta Base é eterna... enquanto estiver guardada na nossa memória!

domingo, 23 de agosto de 2009

VERBA VOLANT, SCRIPTA MANENT

O título em epígrafe, significando "AS PALAVRAS VOAM MAS OS ESCRITOS FICAM", poderia ser aqui utilizada de muitas maneiras, principalmente agora que se tem procurado dotar o nosso Museu do Ar com aeronaves que foram emblemáticas na saudosa Base Aérea nº. 3.
Dirão os mais atentos... que raio tem esta locução latina a vêr com a recordação, a memória, a lembrança ou o quer que seja que se possa dizer que venha relacionar a BA3 a tal citação?
A Base também tinha uma locução latina como divisa, mas totalmente diferente desta, segundo se apercebem... apesar de em ambas constar o termo "PALAVRAS"!, pois se nesta "AS PALAVRAS VOAM..." na da Base apelava-se a que se usassem "ACTOS E NÃO PALAVRAS"!
É assim que poderemos começar por estabelecer que as palavras estão relacionadas com a BA3... e neste caso até se afirma que voam, o que corresponde a uma relação causa/efeito bastante curiosa!
No Dia da Força Aérea, celebrado na Base Aérea nº. 1, os visitantes puderam vêr em Sintra, onde está instalado um núcleo museológico da FAP bastante importante, um velho mas bastante bem restaurado Junkers JU-52, a primeira aeronave que voou na Base Aérea nº. 3 para o lançamento de páraquedistas. Este trimotor tinha uma envergadura de asa que lhe dava enorme capacidade de "planar", sendo reputado como excelente para a largada das forças aerotransportadas.
Seria excelente se a Direcção do Museu se lembrasse de colocar alguma indicação bibliográfica que referisse o facto de os aviões "x", "y" ou "z" haverem sido operados na Base Aérea nº. 3, nos anos tal, porque deste modo AS PALAVRAS FICARIAM E FARIAM A MEMÓRIA DAQUELA QUE FOI UMA UNIDADE DE EXCELÊNCIA... e que bem merece ser recordada, concorde-se comigo ou não.
Quando alguém pretenda saber que IN ILLO TEMPORE houve uma Base Aérea que ostentava a divisa RES NON VERBA, concordarão que VERBA VOLANT, SCRIPTA MANENT, porque é uma verdade que jamais poderá ser contestada... já que a escrita poderá ser eterna, como é o caso da escrita romana, que perdura através dos séculos!
A Base Aérea nº. 3 também será eterna!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

A BASE AÉREA Nº. 3 FAZIA... 88 ANOS!

(para aumentar o cartaz... clicar sobre ele)

PORQUE TEMOS SAUDADES...???
É uma verdade inquestionável! A nossa Base iria fazer, no próximo mês de Outubro, a bonita idade de 88 anos! Nasceu no seio de outra família, mas fomos nós, os tais que levámos a Cruz de Cristo pelo mundo, como outrora aconteceu com as caravelas, que lhe demos estatuto, experiência, estabilidade, responsabilidade, sangue, suor e lágrimas... só que muitas destas também o foram de alegria pelo dever cumprido para além dele próprio! Sim! Porque o dever cumpre-se para além dele mesmo, quando utilizamos o coração para medir o quanto nos é querido algo que aprendemos a amar com intensa paixão aquilo que fazemos pela nossa felicidade... e na Base Aérea nº. 3 havia gente feliz, pelo seu passado, que nunca renegaram, pelo presente que então viviam e pelo amanhã que estavam a construír! Mas por certo os "Páras" já haviam adquirido outros valores nos tempos em que foram parte integrante da Força Aérea... e um desses valores terá sido o seu sentido de pertença... e nós sabemos que a Base Aérea 3 cimentou todo o seu crescimento num berço do Exército, razão porque não nos admira pugnarem pelo regresso do filho pródigo... que neste caso era uma filha que havia crescido com outros pais... e estes não estavam à espera que um qualquer juíz pudesse entregar a "criança" a outros pais, que neste caso até seriam os... biológicos. Porque apenas e tão só os "pais de coração" desejam a felicidade plena para a "cachopa", ficamos tristes e muito pesarosos com a ida da nossa "Base Aérea nº. 3" para o colo dos seus "papás" do Exército, esperando que nos seja permitido visitar a nossa "menina dos olhos" quando nos aprouver... ou a saudade apertar!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

1910 – Tancos e as 1ªs. experiências da aviação Portuguesa

"A Força Aérea Portuguesa (FAP) é o ramo mais jovem das Forças Armadas, uma vez que se tornou independente em 1 de Julho de 1952. A instalação de muitas das Unidades militares é anterior a 1952. A Aviação Militar remonta, no nosso país, à primeira década do século XX.
Uma das primeiras experiências realizou-se precisamente em Tancos, no dia 10 de Março de 1910, um voo de aeroplano, acontecimento verificado na carreira de tiro do polígono.
O avião denominado Gomes da Silva II, de 6,75 metros de envergadura, com um peso de 185 quilos e equipado com um motor Anzani de 28 CV, montado em Tancos, deslocando-se para sul, fez várias tentativas falhadas devido às más condições da pista. O avião rolou umas dezenas de metros e veio a acidentar-se num talude ao lado da carreira de tiro e em consequência foi abandonado o projecto.
Davam-se os primeiros passos na aviação. Depois das desilusões várias emoções. Em 1937, na sequência da reorganização da Aeronáutica Militar, a unidade recebe o 1.º estandarte nacional. Foi seu primeiro comandante o futuro marechal Craveiro Lopes, que assumiu o comando em 21-8-1938 e no ano seguinte a unidade passou a denominar-se Base Aérea de Tancos – BA3. Na sequência da extinção das unidades da Amadora e Alverca vieram para a BA3 os aviões Vickeres, Potez, Hawker Hind. No ano seguinte chegaram os Gladiator à data excelentes aviões de caça e de acrobacia. Já durante a II Guerra Mundial foram construídos 2 hangares. Em 1944 chegam os Spitfire e depois vêem os Hurricane. Em 1953, agora já como ramo autónomo das Forças Armadas, e nos anos seguintes, a unidade é dotada de aviões F-47 Thunderbolt.
Em Setembro de 1957 é instalada em Tancos a Esquadra de Instrução Complementar de Pilotagem de Aviões de Caça, esquadra composta por 15 aviões T-33-A. Entretanto, na década de 60, chegam os Alouette II e III. Dá-se inicio à guerra do Ultramar. Em consequência deste facto a BA3 perdeu algum laboratório mas, em contrapartida, adquire o apogeu da incorporação de militares para a Força Aérea.
Face à guerra é necessário fazer a formação desses homens. Os seus efectivos atingem valores significativos essencialmente da área de serviços o denominado serviço geral (polícia aérea, amanuenses, condutores, bombeiros, clarins, serviço religioso, etc). Por esta unidade, entre 1960 e 1994, passaram milhares e milhares de cidadãos que cumpriam o serviço militar obrigatório e que deram a conhecer à Nação a nossa região e o nosso concelho. A Base Aérea nº. 3 detinha a máxima latina “RES, NOM VERBA”, com o significado "ACÇÃO E NÃO PALAVRAS". Os seus homens, sempre ao serviço da Pátria, mantiveram bem viva esta máxima até à sua extinção facto que ocorreu em consequência da publicação do Decreto-Lei nº. 128/94, de 19 de Maio.
Fiz grandes amigos na BA3 que vou encontrando no caminho da vida.Por último, não posso deixar de dizer que senti uma grande honra e um inexcedí­vel orgulho em ter por companheiros, e conselheiros de jornada, muitos militares e civis que ali serviram. Recordo por acções de grandeza o ex-Comandante da BA3 (1983-1986), e depois Director de Pessoal da Força Aérea, Major-General Martins Rodrigues, pois o seu mérito de condutor de homens, o seu nobre proceder, a sua consumada prudência e humanismo cristão continuam a ser referência para o meu dia-a-dia."
Texto de Edgar P. da CostaCardoso
in "História da Força Aérea Portuguesa"
- 3.º Volume -1984

domingo, 5 de julho de 2009

FESTIVAL AÉREO DIA FAP...

No dia 05 JULHO a abertura da Base Aérea nº. 1 ao público será às 09H00 com fecho às 21H00
Em parque exterior, com 12 500m2, estarão expostas 20 aeronaves, representando a história da Força Aérea, bem como um espaço de lazer dedicado aos mais radicais como sejam uma torre de escalada, rapel e slide. Também neste espaço poderá ser visitado um balão de ar quente pertencente aos Pára-Quedistas do Exército e o Centro de Treino Cinotécnico da Força Aérea (CTCFA) realizará para o público várias demonstrações com cães militares.
O dia 1 de Julho foi assinalado com uma Cerimónia Militar com desfile aéreo e das Forças em Parada que teve a presença de bastante público.
Do programa da Cerimónia Militar constou:
- às 10H00 a chegada dos visitantes ao local da cerimónia, tendo a entrada sido feita pela Academia da Força Aérea)
- às 11H30 deu-se inicio à cerimónia militar, sendo prestadas as honras militares ao General CEMFA , seguindo-se uma alocução feita pelo mesmo e a cerimónia de homenagem aos militares e civis da Força Aérea falecidos, com um minuto de silêncio e a passagem de quatro F16. Logo após, procedeu-se à imposição de condecorações e a um desfile das Forças em Parada e um desfile Aéreo, envolvendo cerca de 550 militares da Força Aérea, ao desfile das forças apeadas, com cerca de 415 militares, desfile das Forças Motorizadas , com 11 viaturase ao desfile Aéreo com várias aeronaves. Estas Cerimónias Militares terminaram cerca das 12H45.
As Comemorações intensificaram-se a partir do dia 3 com a entrada em exposição do balão de ar quente e com a chegada das aeronaves convidadas, nacionais e estrangeiras, que foram parqueadas na BA1 para o Festival Aéreo Internacional de hoje, elevando-se o número de aeronaves visitáveis para 40. Hoje é o último dia das Comemorações, que irá ser preenchido com o Festival Aéreo Internacional, em que poderão ser vistas entre as 09H00 e as 18H00, demonstrações das Patrulhas Acrobáticas da Força Aérea, os Asas de Portugal e os Rotores de Portugal, e também algumas patrulhas nacionais civis e aeronaves militares e civis estrangeiras, como por exemplo o caça Eurofighter espanhol. Na organização e condução de todos estes eventos, estiveram envolvidos directamente cerca de 1000 militares, com o restante dispositivo da Força Aérea a prestar apoio de bastidores e o planeamento e execução da Exposição Temática, da Cerimónia Militar e do Festival Aéreo a serem tratados como se fosse uma operação militar.

A Força Aérea irá assim pôr à prova e treinar as suas capacidades de resposta logística, bem como a flexibilidade e a mobilidade que são características do Poder Aéreo.
Fonte: FAP