sexta-feira, 14 de junho de 2013

'AQUELES SOBRE QUEM PODER NÃO TEVE A MORTE...'




CARTA ABERTA AO CHEFE DO ESTADO MAIOR DA FORÇA AÉREA
 4/6/13
 As minhas saudações a V. Exª.
 Acabo de ser espoliado do meu complemento de pensão de reforma (CPR).
 De tal unilateral, mas certamente muito democrática medida, fui informado, oficialmente, através do ofício nº 2511,de 17 de Maio, da Direcção de Finanças.
 Parto do princípio de que tal complemento me foi atribuído em função dos préstimos da minha actividade profissional desenvolvida ao serviço do Estado e da Nação, e não por qualquer devaneio de gente insana, resquício revolucionário, tão pouco por um capricho de favorecimento ilícito.
 Não tendo, outrossim, dado conta de me ter sido levantado qualquer processo judicial que pudesse ter posto em causa a percepção de tal CPR, apenas posso concluir haver alguém, um dia destes, ter acordado mal disposto decidindo, por sua alta recriação, despojar-me de tal quantia, apesar de minguada.
 A explicação que recebi de V. Exª que, supostamente, me tutela e à instituição que servi, durante 27 anos, pouco adianta – confesso – ao meu entendimento sobre as razões de tal esbulho, embora deva reconhecer, o esforço que dispensaram a esse intento, já para não referir o papel e tinta, gastos.
 Seguramente, por entendimento néscio da minha parte, apesar de – quero deixar claro – ter concluído em tempo e com algum brilhantismo, a antiga 4ª classe, e já não ter sido abrangido por nenhum curso saído de Bolonha, dizia, não consegui perceber patavina do que me avançaram.
Apenas intuí estar perante mais uma infame mescla de engenharia financeira, administrativa e jurídica, a qual fazendo corresponder a um triclínico artigo ou a uma estrambólica alínea ou despacho, uma certa quantia em euros, até que a totalidade da reforma a receber no mês em causa e seguintes, equivalesse a essa descoberta maior da civilização árabe, que dá pelo nome de “zero”.
 Como não consegui entender, apesar de ainda continuar a passar nas inspecções médicas a que sou obrigado para continuar a poder desafiar as leis da gravidade – coisa que a nobre instituição que reunia os dois vocábulos “Força” e “Aérea”, está em vias de deixar de fazer – venho solicitar a V. Exª se digne informar-me das razões objectivas pelas quais fui objecto deste exercício de disparo à carteira, modalidade que nunca fez parte dos parâmetros avaliados na Carreira de Tiro de Alcochete…
E como deixei de acreditar no Estado – que me mente e me rouba, sem que, pelos vistos, isso cause a mais pequena perturbação psicossomática em toda a cadeia hierárquica – e que ainda conheci, minimamente, como “pessoa de bem” ; me educaram que a existência de sindicatos era incompatível com o exercício do “mister das armas”, e que os “Chefes” se preocupavam e defendiam os seus homens (agora também tenho de dizer, mulheres!) vejo-me órfão de pai e mãe, chefe de esquadra e juiz de comarca!
 Talvez o Sr. General, do alto do brilho prateado das estrelas me possa elucidar sobre o que devo fazer.
 Um ponto (aquele em que me avisa? Ameaça? Discorre?) porém, existe no tal ofício, com que me agraciou no seu esplendor comunicacional, que ainda se entende menos: sobre o modo como me irá surripiar o que indevidamente me pagaram desde o princípio do ano, dado que tal medida devia ter sido posta em prática, no pretérito dia 1 de Janeiro.
 A competência dos serviços, de que V. Exª é o topo da pirâmide, desvela-me e só é comparável à intrigante dúvida de como pensam ressarcir-se de tal pecúlio, já que não tocam no meu vencimento dado o mesmo ter sido transferido para a CGA, entretanto alcunhado de reforma.
 Estou certo de que descobrirão uma forma – sobretudo desde que, lamentavelmente, deixaram entrar os esbirros das finanças, vasculhar nas contas das unidades – mas, também, estou certo que tendo sido voluntário para ingressar na FA, não o serei para colaborar nesse intento.
 Posso até garantir, que só não entrarei “ao passo”, se não puder.
 Esmagado pela evidência de tão lídimo amplexo de virtudes cívicas e militares,
 Subescrevo-me
 Atento, nada venerando e desobrigado
João J. Brandão Ferreira
 TCorPilAv (Ref.)
  014391-L
 (Das mui antigas, nobres, por vezes gloriosas, mas quase extintas,  Forças Armadas Portuguesas)
.............
Apetece recordar que o Hino Nacional de Portugal apela ao patriotismo dos portugueses, lança o grito  'contra os canhões, marchar...marchar' para que não haja dúvidas de que os portugueses não têm sangue de aranha, como parece ser o caso de alguns que se apelidam de 'chefes', porque CHEFE é aquele que lidera sem ditadura, aquele que se faz obedecer pelo exemplo, que usa de justiça nas relações com aqueles que estão sobre as suas ordens. 
Ao chefe compete defender o subordinado quando este é vítima das injustiças vindas das cúpulas, e jamais esconder a cara às diatribes das autoridades supostamente superiores, porque quem não sabe defender os que o servem...
Ser Chefe é uma honra e quem tem a dita de encontrar um Homem capaz de se afirmar como líder em todas as circunstâncias, é uma pessoa feliz!

sábado, 6 de abril de 2013

AS FORÇAS ARMADAS DE 1974 VERSUS 2013

Em 1974 as Forças Armadas (FAs) possuíam uma dimensão e um poder jamais atingido em 850 anos de História (o que não voltará a repetir-se…), estavam espalhadas por quatro continentes e outros tantos oceanos e combatiam, vitoriosamente, em três teatros de operações diferentes.
 O problema maior com que se confrontavam, era a falta de oficiais do quadro permanente, derivada da rarefação de candidatos às Escolas Superiores Militares. Sobretudo no Exército e Força Aérea. Esta falta foi-se agravando desde meados dos anos sessenta e agravada por causa do sempre crescente aumento de efectivos, pela morte e incapacidade de alguns e pela saída do serviço activo, de outros.
Agravava a situação a lassidão e o cansaço que o tempo prolongado da guerra causava nos quadros militares. [1]
A situação era especialmente preocupante nas classes de capitães e subalternos (e já se fazia sentir nos sargentos).
 Ora sem oficiais não se consegue manter um Exército de pé. Pelo menos com a qualidade necessária a qual, fatalmente, irá degradar-se continuamente.
O Governo, de então, reagiu tarde e não conseguiu ou não quis, resolver o problema.

As tentativas efectuadas foram lentas, deram poucos resultados e foram inábeis ao ponto de se publicar o Decreto – Lei 373/73.[2] Este diploma causou muito mal-estar nas fileiras e espoletou a revolta activa, numa pequena percentagem da oficialidade.[3]
Tal revolta desembocou no golpe de estado ocorrido em 25 de Abril de 1974, com um “incidente” - nunca devidamente explicado - uns dias antes, a 16 de Março.
O resto do país vivia calmamente com alguns focos de instabilidade nas universidades, aquando de eleições e uns atentados à bomba por grupos de extremistas comunistas e de extrema-esquerda.
 A economia crescia a 7% ao ano (no Ultramar era mais) e crescia de forma harmónica e sustentada. O escudo era uma das moedas mais fortes e respeitadas do mundo e não havia desemprego. 
As condições sociais melhoravam paulatinamente à medida que as condições financeiras o permitiam.
 A abertura política era um facto, as forças totalitárias eram diminutas e estavam contidas e o capitalismo selvagem impedido de ultrapassar a fronteira. A maioria dos governantes tinha currículo e era gente séria, não vendida a interesses estranhos ou ao Deus “mamon”. A corrupção não estava erradicada mas estava contida e era combatida.
 E, acima de tudo, mandava-mos na nossa casa e tínhamos uma capacidade apreciável de influenciar o nosso destino.
Mesmo assim as FAs fizeram um golpe de estado - de que logo perderam o controlo - aproveitando a inabilidade do governo e o cinismo maquiavélico de um general e a vaidade (que lhe terá embotado o senso) de outro. Ambos com protagonismo forjado nas suas carreiras.
 
-O Exército do Ministro da Defesa a que temos direito...-
 O resto é conhecido, embora muito mal contado.
 Em 2013 não há guerra nas nossas fronteiras (apesar de nos últimos anos se terem já enviados mais de 30.000 militares portugueses para cerca de 30 cenários de conflito ou de cooperação técnico-militar, muitos dos quais de interesse duvidoso) vive-se uma situação “normal”, sem qualquer interferência das FAs na condução da política do país, sem alteração da ordem pública e sendo tudo conduzido democraticamente (ou havendo a ilusão disso), o país entrou em recessão económica e descalabro financeiro contando-se já três resgates financeiros o último dos quais transformou o país numa espécie de protectorado sem fim à vista.
O desconchavo social e moral é grande e a prova mais perigosa disso é o suicídio coletivo em que estamos postos, já que tudo aponta para o fim da “raça” dos portugueses…
 Entrou-se, estouvadamente, para uma coisa que parecia um clube de ricos, que nos privou da moeda e a que nos submetemos como cordeiros a caminho do matadouro e onde não mandamos nada.
O desregramento e a corrupção espalham-se infrenes e onde a vida política decorre com pouca elevação e os partidos políticos se transformaram, basicamente, em agências de empregos, sem categoria alguma.
Nos poucos intervalos da “guerra civil” permanente em que vivem uns com os outros e dentro de si, para ver quem manda e quem vai para o poder, tentam fingir que tratam dos assuntos da governação enquanto garantem o usufruto para a vida e viajam constantemente. Afinal o mundo globalizou-se…
Pelo meio entretiveram-se a destruir todo o poder nacional e a subverter os pilares institucionais da Nação. Entre estes está a Instituição Militar.
Tal se passou sem que se entendesse qualquer alerta da sua parte – como era seu dever.
 A quantidade de barbaridades a que as FAs têm sido sujeitas é dantesca. E, note-se, tal acontece quando estas estão “pacificadas” e “civilizadas”, são competentes e, no mais, patriotas.
 Ora tudo o que se tem passado, nestas últimas décadas, faz parecer as razões que levaram a depôr os órgãos de soberania, em 1974, uma brincadeira de juvenis (recordamos que o país estava em guerra – embora de baixa intensidade – e que as consequências do golpe de estado foi a de a termos perdido ignominiosamente e de a Nação ter sido amputada, sem lustre e com vergonhas muitas, de cerca de 95% do seu território e 60% da população – sim ela era portuguesa…).[4] 
E com uma agravante assinalável – a das intenções – o que se conta em duas penadas:
Em 1974 a Instituição Militar estava prestigiada e era defendida pelo poder político ao ponto de ninguém, nas fileiras, sentir minimamente a necessidade de cuidar da sua imagem (nem a “Censura” permitia que se dissesse mal dos militares).
Em 2013 a imagem mediática e social e a defesa institucional das FAs é a que todos conhecemos e anda pelas ruas da amargura.
Em 1974, independentemente dos erros cometidos relativamente ao modo de melhorar o recrutamento – em que os principais responsáveis acabaram por ser dois militares (o MDN, general Sá Viana Rebelo e o CEMGFA, general Costa Gomes), que impediram a colocação dos oficiais oriundos de milicianos num quadro próprio onde seriam promovidos sem interferirem com os oficiais do quadro permanente oriundos da Academia Militar e Escola Naval – fizeram-no, estou em crer, de boa mente, numa tentativa de resolver um problema gravíssimo que afectava, directa e negativamente, as operações militares em curso.
Tão pouco lhes passaria pela cabeça qualquer intenção de prejudicar fosse quem fosse, muito menos o de diminuir a honorabilidade ou a eficácia da IM. 
Em 2013 a quantidade de barbaridades feitas às FAs e os ultrajes à IM e aos militares atingiram níveis inauditos e continuados no tempo. E dou um doce a quem provar haver alguma boa intencionalidade no desbaste efectuado e que vai continuar até que a IM seja apenas uma recordação histórica.
Em 1974, uma pequena parte das FAs deitou o regime abaixo – com a complacência da maioria e a “ultrapassagem” do topo da hierarquia.
Em 2013 a hierarquia militar não tem sido capaz de levantar um dedo que seja, em defesa da Instituição – que é também a da defesa do país. Também com a complacência da maioria.
Em 1974 a ameaça maior à Nação vinha de forças marxistas e internacionalistas dentro e fora das nossas fronteiras; em 2013 essa ameaça maior deriva, outrossim, de forças internas e externas, mas agora de âmbito financeiro capitalista e apátrida, e também internacionalista.
Mas ambas estavam já presentes em 1974, do mesmo modo que estão presentes em 2013.
Incomodo hoje os leitores com estas observações por as achar, no mínimo, curiosas.

João José Brandão Ferreira
 Tenente Coronel Piloto Aviador (ref.),
Comandante de Linha Aérea e Mestre em Estratégia


[1] Em boa verdade invocar o “cansaço” das operações militares, em militares do quadro permanente, não é, em teoria, argumento para justificar qualquer situação menos apropriada. Mas é sabido que, na prática, tal a acontecer não deixa de provocar efeitos no Moral. O que necessita ser aferido constantemente.
[2] Este decreto previa que os oficiais milicianos pudessem frequentar um curso abreviado na Academia Militar e serem promovidos a oficiais do quadro permanente com a antiguidade da sua promoção a alferes. Ora tal, a verificar-se, iria provocar a ultrapassagem de todos os capitães, e alguns majores, licenciados por aquele estabelecimento de ensino.
Este decreto – lei tem alguns antecedentes que são importantes para a cabal compreensão do que se passou, mas que não se referem para economia de texto.
[3] Nunca contabilizada, mas que se estima em não mais de 3%. Curiosamente a classe de sargentos esteve ausente em quase tudo o que ocorreu.
[4] E sem nunca lhe terem perguntado nada. Tudo muito democrático e conforme ao Direito…

quarta-feira, 13 de março de 2013

BRINCANDO COM A SAÚDE DOS MILITARES...

"Os 'Tropas' podem estar tranquilos, que eu nunca lhes darei razão para não gostarem de mim!"
«IASFA - mais uma bronca, agora também


na consulta Ortopedia. Para reflexão...

Para informação, com inerente reflexão

"Na passada sexta feira , 08/03/13, compareci no IASFA cerca das 11h00 para dar uma consulta de Ortopedia a vários doentes que regularmente assisto desde há vários anos.
Com a maior surpresa verifiquei que não tinha qualquer doente ( em media 10 a 12doentes) e que inclusivamente nem tinha qualquer consultório atribuído , sem ter sido minimamente avisado.
Dirigi-me, por indicação de uma das empregadas,  à recepção,  para obter alguma informação, onde, com a maior surpresa,  me foi dito, por outra funcionária, que "o Coronel anda por aí a falar com uns médicos".
Perante esta situação e perante o facto de, objectivamente, além de médico ortopedista ,ser Major-General na reserva e na efectividade de serviço, resolvi retirar-me sem nada referir ou fazer qualquer comentário.
Pouco tempo depois dei conhecimento desta situação ao Sr Ten -Gen Fialho da Rosa, responsável pelo IASFA, referindo-lhe o sucedido e solicitando informação sobre o assunto.
Estou a aguardar esclarecimentos.
Permito-me não fazer, nesta altura , qualquer juízo de valor sobre esta questão.
Envio apenas este e-mail a alguns camaradas para que, em conjunto, possamos reflectir do que deve efectivamente ser feito relativamente a esta questão e a algumas questões afins."
Bargão dos Santos, Mgen»
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Não é o IASFA que anda mal, mas sim o mau profissionalismo de algumas pessoas que por lá andam, que têrm a educação do carroceiro, sem ofensa para estes, a clarividência de um asno, estes que me desculpem, a sensibilidade de um urso pardo esfomeado, a competência de um pedregulho, a vontade de trabalhar de um Panda ou de uma  Preguiça... mas clamam nas manifestações, ululam nas greves e ninguém lhes dá o tratamento que deveria ser dado aos indesejáveis: RUA!!!

terça-feira, 12 de março de 2013

GRANDE GENERAL SILVESTRE DOS SANTOS!!!



«..Exmº. Senhor General Chefe do Gabinete de S. Ex.ª o Ministro da Defesa Nacional, Caro camarada:

Apresento a V. Ex.ª os meus cumprimentos.

Tomo a liberdade de me dirigir a V. Ex.ª para lhe solicitar que transmita a S. Ex.ª o Sr. Ministro a minha indignação relativamente à forma pouco respeitosa e mesmo insultuosa como se referiu às Forças Armadas, aos militares e às suas Associações representativas, no passado dia 1 de Fevereiro.
De todos os governantes, o Ministro da tutela era o último que deveria proferir palavras dessa estirpe.
Sou Tenente-General Piloto-Aviador na situação de Reforma, cumpri 41 anos de serviço efectivo e possuo três medalhas de Serviços Distintos (uma delas com palma), duas medalhas de Mérito Militar (1.ª e 2.ª classe) e a medalha de ouro de Comportamento Exemplar. Servi o meu País o melhor que pude e soube, com lealdade e com vocação, sentimentos que S. Ex.ª não hesita em por levianamente em causa. Presentemente, faço parte com muito orgulho, do Conselho Deontológico da Associação de Oficiais das Forças Armadas.
Diz o Sr. Ministro que “a solução está em todos nós. Em cada um de nós”. Não é verdade! A solução está única e exclusivamente na substituição da classe política incompetente que nos tem governado (?) nos últimos 25 anos, e que nos tem levado, de vitória em vitória, até à derrota final! Os comuns cidadãos deste País, nomeadamente os militares, não têm qualquer responsabilidade neste descalabro. Como disse o Sr. Coronel Vasco Lourenço no seu livro, “os militares de Abril fizeram uma coisa muito bonita, mas os políticos encarregaram-se de a estragar…”
Diz também S. Ex.ª que as Forças Armadas estão a ser repensadas e reorganizadas. Ora, se existe algo que num País não pode ser repensado nem modificado quando dá jeito ou à mercê de conjunturas desfavoráveis, são as Forças Armadas, porque serão elas, as mesmas que a classe política vem sistematicamente vilipendiando e ultrajando, a única e última Instituição que defenderá o Estado da desintegração.
Fala o Sr. Ministro de algum descontentamento protagonizado por parte de alguns movimentos associativos. Se S. Ex.ª está convencido que o descontentamento de que fala se limita a “alguns movimentos associativos”, está a cometer um erro de análise muito sério e perigoso, e demonstra o desconhecimento completo do sentir dos homens e mulheres de que é o responsável político. Este descontentamento, que é geral, não tenha dúvida, tem vindo a ser gerado pela incompetência, sobranceria, despudor e, até, ilegalidade com que sucessivos governos têm vindo a tratar as Forças Armadas. É a reacção mais que natural de décadas de desconsiderações e de desprezo por quem (é importante relembrar isto) vos deu de mão beijada a possibilidade de governar este País democraticamente!
As Forças Armadas não querem fazer política! Não queiram os políticos, principalmente os mais responsáveis, “ensinar” aos militares o que é vocação, lealdade, verticalidade e sentido do dever. Mesmo que queiram, não podem fazê-lo, porque não possuem, nem a estatura nem o exemplo necessários para tal.
Quem tem vindo a tentar sistematicamente destruir a vocação e os pilares das Forças Armadas, como o Regulamento de Disciplina Militar, destroçado e adulterado pelo governo anterior? Quem elaborou as leis do Associativismo Militar, para depois não hesitar em ir contra o que lá se estabelece? Quem tem vindo a fazer o “impossível” para transformar os militares em meros funcionários do Estado? Apesar disso, tem alguma missão, qualquer que ela seja, ficado por cumprir? Fala S. Ex.ª de falta de vocação baseado em que factos? Não aceita S. Ex.ª o “delito de opinião”?
Não são seguramente os militares que estão no sítio errado!
Por tudo o que atrás deixei escrito, sinto-me profundamente ofendido pelas palavras do Sr. Ministro.
Com respeitosos cumprimentos de camaradagem

EDUARDO EUGÉNIO SILVESTRE DOS SANTOS
Tenente-General Piloto-Aviador (Ref.) 000229-B

P.S. – Informo V. Ex.ª que tenho a intenção de tornar público este texto.»

sexta-feira, 8 de março de 2013

MEMÓRIAS... DO 11 DE MARÇO NA BA3

FAZER FILHOS... EM MULHERES ALHEIAS?
Aproxima-se o 11 de Março e, com esta data, o princípio do fim da Base Aérea nº. 3 como Unidade de élite da Força Aérea. Naquela madrugada, os 'esquerdistas' da Aviação Portuguesa, que sempre fizeram questão de 'mostrar' ao 'Velho' 'Zé Voador' serem mentes bastante abertas ao progresso, resolveram fazer voz grossa e dizer ao General Spínola e aos que o seguiam, que queriam destruír tudo quanto de bom foi feito ao longo de muitos anos. Até inventaram uma 'Matança da Páscoa', não sabendo que os Patriotas até podem ser vegeterianos e não gostarem de porcos.
Quando sabotaram o Hangar e destruíram as aeronaves ali estacionadas, já era um prenúncio daquilo que haviam preparado para acontecer no 11 de Março, mas apenas veio a acontecer no 25 de Novembro... ainda que com os bonecos a caírem por terra, porque o Zé Povo estava atento.

Inventaram a morte de um Soldado Luis, que teria sido trucidado pela metralha dos T-6 vindos de Tancos, mas a bala  que matou o Soldado Luis foi disparada pelo Exército, pela GNR ou pela PSP, para não falar na hipótese dos tão badalados SUV terem armas viradas ao camarada. Dos T-6 não, nunca, jamais em tempo algum foi disparada a bala assassina.
Atente-se que, entretanto e desde o início da tarde, tinham começado a surgir apelos à mobilização popular. Levantaram-se barricadas nas estradas, os bancos encerraram à tarde e havia piquetes nos locais de trabalho. Algumas unidades militares, entraram de prevenção. Põe-se mesmo a hipótese de entregar “armas ao povo”. A casa do general Spínola, em Lisboa, é assaltada, tal  como as sedes do CDS e do PDC (Partido da Democracia Cristã, conotado com a extrema-direita).A norte, são as sedes do PCP e do MDP/CDE as atacadas.
E hoje? Será que o Povo vai cantar o 'GRÂNDOLA, VILA MORENA...',  recordando esta data que teve a marca demoníaca de uma guerra civil mesmo a estalar? Será a razão porque o Ministro da Defesa quer acabar com a 'Tropa', para que não haja outro '25 de Abril', '11 de Março' ou ´25 de Novembro'? Ele tem medo da solidariedade dos Militares, porque estes não se vergam aos que pretendem dar cabo das Forças Armadas, que juraram defender.

domingo, 3 de março de 2013

MOMENTOS...MILITARES?


Chefes militares prometem “lealdade” à tutela e associações vão à luta
 
"As associações de militares convocaram uma reunião para 6 de Março para debater o futuro das Forças Armadas.
É o terceiro acto de uma escalada de posições públicas tomadas por militares nos últimos dias e que mostra a convulsão no sector.
Depois de, na passada sextafeira, oficiais e generais na reserva e na reforma se terem juntado em dois jantares, em Lisboa e no Porto, onde se mostraram preocupados com a “descaracterização e desarticulaçãodas Forças Armadas, na segunda-feira à noite foi divulgado um comunicado dos chefes de Estado-Maior em funções, a assumirem, em comunicado, a “lealdade” e “frontalidade” com o Governo. E ontem, a Associação Nacional de Sargentos (ANS), a Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) e a Associação de Praças (AP) anunciaram a organização, em conjunto, de um encontro na próxima semana para definir formas de luta contra os cortes financeiros e de efectivos anunciados pelo ministro da Defesa.
“Todos os cenários são possíveis e estão em cima da mesa”, disse ontem à Lusa Lima Coelho, presidente da ANS, vincando que “não está posta de parte qualquer outra forma de protesto”. Lima Coelho revelou que, no centro do debate, estarão os “problemas dos militares no activo, na reserva e na reforma” e vincou que o encontro servirá para mostrar que “os militares estão com os cidadãos de onde emanam e não contra os cidadãos”.
Na véspera, o Conselho de Chefes de Estado-Maior dos três ramos das Forças Armadas (CCEM) afirmaram, em comunicado enviado à Lusa, a sua “lealdade e frontalidade perante a tutela política e os seus subordinados”, comprometendo-se a defender a “serenidade, a coesão e a disciplinano sector. Para o general Loureiro dos Santos, um dos protagonistas do jantar de generais, este comunicado demonstra “a relevância do que está em causa”. O antigo ministro da Defesa lembrou que “não é todos os dias que surge um comunicado do Conselho de Chefes”. “Se não fosse relevante, os chefes não teriam o cuidado de vir a público dizer as suas opiniões num assunto tão decisivo para as Forças Armadas, num momento tão especial para as Forças Armadas”, frisou à Lusa.
No mesmo sentido, o presidente da AOFA considera que o comunicado do CCEM só é “normal” porque o “contexto em si é anormal”, já que “as Forças Armadas estão a ser colocadas em causa”. Em declarações à Lusa, Cracel vincou que “o que está em causa [no comunicado] mais não é do que o reafirmar da procura de que as Forças Armadas mantenham a sua postura, como é aquela que sempre deverá ser a sua em qualquer circunstância”. Manuel Cracel alertou que “as tensões sociais poderão culminar em justos protestos” e deixou um aviso: “Os militares não serão um instrumento de repressão sobre os concidadãos”.
Segurança em risco.  O ambiente das Forças Armadas não passa ao lado de Luís Fontoura, que presidiu à revisão do Conceito Estratégico de Defesa Nacional (CEDN). Ontem, no lançamento de mais uma edição da revista “Segurança e Defesa”, o antigo dirigente social-democrata defendeu que as “assimetrias sociais” estão a pôr em causa “um dos pilares da segurança e da defesa nacional”. “A coesão nacional é um activo nacional. A miséria é uma grande adversária da coesão nacional. Não há coesão nacional enquanto houver portugueses que se sintam pior tratados do que outros”, afirmou. Para Luís Fontoura, o “conceito estratégico nacional do momento só pode ser um”: “A sobrevivência do Estado português”."

domingo, 17 de fevereiro de 2013

PENSE... E CALE-SE, SR.MINISTRO

QUE A VOZ DESTES SE ELEVE SOBRE A DO MDN

     O MINISTRO DA DEFESA E OS SÁTRAPAS MODERNOS   
                                                                                                                                     15/2/13
    No dia 14 de Fevereiro o Senhor MDN deu uma entrevista à Judite de Sousa, na TVI, que não passou de uma réplica, de afogadilho, ao programa do Prof. M. Carreira, sobre as Forças Armadas (FAs), três dias antes, onde figurou o Gen. Loureiro dos Santos. Aproveitou ainda para enviar umas indirectas ao Gen. P. Ramalho, que também dera uma curta entrevista à TVI onde criticava o corte de 8.000 efectivos e outras barbaridades.
    O ministro que só deve ter ouvido falar em FAs e militares quando - distraidamente - folheava uma revista, já em idade púbere, trincando um queque na Foz do Douro, veio à liça com ar indignado de virgem ofendida.
    Então ele era lá capaz de afrontar as FAs, logo ele, um imaculado sátrapa, perdão ministro?![1]
    Marcou S. Exª a entrevista fazendo amarra num ponto: a imaculada intenção (só falta virem para as entrevistas vestidos de branco e com asinhas), de que o objectivo da reforma (?) – palavra que é a matriz do constante desatino em que sucessivos governos têm posto as FAs – é a operacionalidade da tropa!
    A tristeza da argumentação deste pedaço da humana cidadania, em exercício de poder, seria apenas deplorável caso não se esmerasse na insistência de nos tratar como parvos.
    Usando uma lógica barata de advogado caro o Sr. Ministro sofisma, actividade que, pelos vistos, é a única que domina, pois nem um simples silogismo é capaz de desenvolver.
    Vejam esta pérola: defende o coitado, ser necessário reduzir os efectivos (que devem ser imensos, subentendendo-se da palração), para permitir reduzir custos na área do pessoal a fim de aumentar a verba para a operação e treino das tropas. Tal é baseado na premissa de que se gasta mais de 80% do orçamento na rúbrica do pessoal.
   O Sr. (ainda) Ministro deve estar a mangar com a gente. Só pode.
    Então, não vislumbrará tão iluminada inteligência, que até se poderia gastar 100%?[2]
    Bastava que, o senhor e o patético e aldrabão governo de que faz parte, destinasse verba que apenas correspondesse às necessidades da despesa com o pessoal…
    Por acaso o pessoal apareceu na vida militar por obra e graça do Espirito Santo?
    Por acaso “alguém” pode pegar no pessoal e eliminá-lo? Quer gastar algumas munições (olhe que se arrisca a esgotá-las – e não é por “eles” serem muitos, mas por “elas” serem poucas…) a fuzilá-los?
    O que fizeram os seus antecessores nos últimos 20 anos até agora? Não foi o de andarem a reduzir constantemente os efectivos? Por acaso as verbas destinadas a operações e treino aumentaram?
     O senhor não me tire do sério e evite cruzar-se comigo na rua!
     E no meio desta publicidade enganosa vem afirmar que poupa 218 milhões? Mas então onde é que está o ganho para a operacionalidade das FAs, partindo do princípio que o sátrapa Gaspar fica com a poupança?
    Você – termo pelo qual o passarei a tratar – enxergue-se e enxergue-nos![3]
    Com o maior dislate, ainda, vem dizer que não senhor, o Gen. L. dos Santos (de quem não sou defensor oficial nem oficioso), não tem razão em acusar o governo de andar com o “carro à frente dos bois” por estar a querer reduzir os efectivos antes de se rever o Conceito Estratégico de Defesa Nacional (CEDN), pois tal está a ser tratado e ficará pronto em Março.
    Mas não afirmou na mesma que ia reduzir os efectivos e que se saiba ainda estamos em Fevereiro… Você, por acaso deu-lhe uma fézada ou consulta videntes?
    Pergunto ainda, algum governo já elaborou um CEDN que servisse para orientar fosse o que fosse? Alguma vez ligaram pevide ao que lá estava escrito? Alguma vez foi elaborado um conceito estratégico que não fosse o militar (CEM), dele derivado?
     Já agora, o CEM também vai estar pronto em Março? É que segundo parece (a gente já não sabe o que está em vigor dada a volatilidade com que tudo muda e as emendas sobre as emendas que se vão acumulando), as Missões, Conceito de Acção, Ameaças, Dispositivo e Sistema de Forças, relativos às FAs, derivam primariamente do CEM, não do CEDN…
      E o pessoal em serviço nas FAs é para dar corpo e consubstanciar o atrás apontado…
     E o que é que um ministro tem que andar a sugerir coisas sobre um documento que tem a classificação de “secreto”?
    Vem dizer, defendendo-se das críticas de militares, que os estudos para que aponta são também feitos por militares e que as competências são idênticas. Duvido.
    Indique-me, se for capaz, o nome deles, pois eu conheço-os a quase todos. E diga-me se estão no activo.
   E partindo do silogismo incompleto e manhoso, utilizado, pode adiantar se as intenções também serão idênticas?
     Você sabe Sr. Ministro, que já Camões dizia que “em Portugal também alguns traidores houve, algumas vezes…” Não referiu o grande poeta – que começou por ser soldado – se algum deles era militar. Se calhar (na altura) ainda não teria havido nenhum.
    Há poucos meses escrevemos um artigo em cujo título se questionava o MDN se tinha ensandecido.
    Creio que agora já dá para não ter dúvidas sobre a resposta.
    Portugal apesar de estar cheio de Sátrapas, ainda não virou uma Satrapia.
    Sobretudo uma Satrapia do Grupo de Bildelberg.
                                                                João J. Brandão Ferreira
                                                                 Oficial Piloto Aviador


[1] No antigo Império Medo/Persa – já lá vão uns anitos – os territórios ocupados pela expansão do mesmo, eram divididos em Satrapias, à frente das quais se colocava um sátrapa, o qual respondia directamente ao soberano. Fui ao dicionário e copiei: “Sátrapa” – governador de Província entre os antigos Persas; grande dignatário; homem despótico, rico e voluptuoso; homem efeminado; déspota (Eduardo Pinheiro, Livraria Figueirinhas, Porto. De harmonia com o Decreto-Lei nº 35.228, de 8/12/1944.
[2] Se fosse vivo, o saudoso Cor. Homero de Matos, possivelmente diria uma das suas frases lapidares, “que tem a luminosidade de uma vela de sebo dentro de um corno de carneiro”…
[3] O termo “você” vem do antigo, elegante e estimável termo “Vossa Mercê”, que deu, por corruptela, na linguagem popular, o vocábulo “Vossemecê” o qual “escorregou” para “você” num linguajar mais boçal. Por vezes admissível no tratamento de superior para inferior, de conhecedor para ignorante ou de mais velho para mais novo.
Assumo o plebeísmo. As circunstâncias apetecem.