segunda-feira, 12 de agosto de 2013

GENTES DE OUTROS TEMPOS...

Como não me canso de dizer, antigamente a Força Aérea precisava de fazer a inspecção para ingresso nas suas fileiras a mais de 5 mil homens para conseguir incorporar uma Escola de Recrutas. Muitos diziam que se era da Força Aérea por cunha e não por merecimento, mas o inverso é mais consentâneo para reposição da verdade! Havia critério na selecção de quem iria ingressar, porque também não era para toda a gente  a aventura do ar, mas sim para os melhores.
Foi deste modo que exultei de alegria no dia em que, submetido às provas de selecção para as especialidades da FAP, me foi entregue  o documento que me dava como 'APTO'.
Hoje, passados 50 anos sobre a minha incorporação, que me levou a olhar com respeito e simpatia para aqueles Homens... que até nem eram diferentes do comum dos mortais, como alguém poderia supor, verifico que a Força Aérea pode ter evoluído no que ao material de voo e ajudas concerne, mas é minha convicção estar mal servida no qua a chefias respeita, não por incapacidade ou ineficácia para a função, mas porque se esqueceram de que é necessário dar prova de masculinidade na hora de enfrentar o advogado/político que se diz Ministro da Defesa e os seus sequazes, nos momentos que é preciso dizer 'NAO' às tropelias que ele e a pandilha que o segue vão tecendo contra as Forças Armadas. Por porcaria menos importantes se fez o 25 de Abril, que afinal foi apenas uma forma de ascensão para alguns, que nunca deram a cara no PREC nem coisa que o pareça... mas ascenderam a altos cargos políticos nesta Tropa destruída... mas como AINDA somos 'Forças Armadas'...
Quando a Força Aérea tinha gente diferente...
Não podia deixar de dar à estampa esta mensagem de um Camarada que usa a verticalidade para se afirmar Militar de corpo inteiro.
"Meus caros amigos.
Há poucos dias recebi um email bem representativo do que é descrito n’ ”O TRIUNFO DOS PORCOS” relatando que o CEMFA tinha sido desmentido em público pelo ministro (com “m” minúsculo) da Defesa, e, em vez de lhe ter pregado um par de estalos ou demitir-se logo ali, tinha sido um herói por ter demonstrado educação e não lhe ter batido.
Para mim, muito pelo contrário, o CEMFA foi, como tantos outros, um covarde em não ter atirado de imediato a toalha ao chão em frente de todos os que ali se encontravam.
Não é destes heróis que eu preciso.
Como este tenho eu às centenas.
A referida falta de educação do Ministro da Defesa em relação ao CEMFA, apenas demonstra que estes chefes, em vez de se levantarem e tomarem as decisões certas que poderiam fazer história face a dirigentes sem qualificação, sem nível e sem educação, querem transformar a sua covardia em actos de "enorme dignidade".
O incompetente valença pinto (com minúsculas dada a qualidade de verme) disse em entrevista à radio, depois de ter atingido o limite de idade, que todos os generais nomeados pelo Governo eram sempre mal escolhidos.
Tinha sido o caso dele!!!!!!!!
Em primeiro lugar, deixem que esclareça que não tenho nenhuma consideração por nenhum dos actuais generais no activo nem dos que por ali passaram nos últimos 10 anos (salvo alguma honrosa excepção de que não me lembro).
Depois deste esclarecimento deixem-me expressar o que eu penso sobre os "altos dignitários das Forças Armadas", passado meio ano após ter passado à reforma.
Todos aqueles que nos chefiaram nos últimos anos demonstraram uma verdadeira irresponsabilidade e falta de verticalidade perante o poder politico (são os célebres ciclistas de que o Guilherme falava), tendo o seu comportamento perante as difíceis situações que lhes foram apresentadas, tendendo sempre para que a coluna se curvasse perante a submissão e subserviência.
Na sua postura normal, apenas olham para as respectivas barrigas, em que apesar de o salário ser bastante inferior aos restantes dirigentes da função pública, contam com as despesas de representação, que recebem e não gastam no que deviam pois foi uma forma encapotada de lhes aumentar o vencimento, bem assim como as mordomias que seriam inteiramente merecidas, caso se comportassem como verdadeiros chefes militares.
O seu comportamento prima pela total irresponsabilidade que tem como resultado a triste situação das Forças Armadas e dos militares sob o seu comando.
Os generais são todos efectivamente uns "eunucos" como disse e muito bem o nosso companheiro de armas há já alguns anos atrás.
Se assim não fosse, muito gostaria de ter visto o que se teria passado, quando o Gen. Alvarenga foi destituído pelo portas (com minúsculas), se todos os generais da altura (caso fossem íntegros, honestos e verticais) tivessem recusado substitui-lo e nenhum aceitasse o convite para o cargo.
O que teria sido do portas?
Mas infelizmente o G que usam na designação da função não se trata de uma maiúscula mas sim do ponto G tão famosamente falado.
Assim, como podem reclamar da forma como são tratados e descriminados pela negativa face aos outros cargos dignitários da função publica, uma vez que os seus actos em nada os diferencia da maioria dos políticos que hipocritamente nos mentem descaradamente e diariamente?
Não vou sequer cair na tentação de calcular o ratio de generais por número de soldados pois isso demonstra bem o quanto está denegrido o posto face à responsabilidade e que se pode facilmente ver quando em tempo de guerras antigas um Capitão levava 150 homens e agora dois pelotões levam 1 Tenente Coronel.
Os generais têm muito a aprender com o actual Papa e devem deixar de calçar os “sapatos de verniz vermelho” quando se verifica que a actividade operacional está no ZERO, com as viaturas operacionais a servir para tudo menos para as operações, os CC não rolam, os aviões não voam, os navios não navegam e os submarinos não submergem.
Os ditos indivíduos pouco se importam se os militares sob o seu comando passam privações alimentares, que nos leva a tempos muito antigos.
Muito gostaria de ver uma boa reportagem jornalística, independente, que mostrasse as verdadeiras condições de vida dos poucos militares, que não os levam à rebelião porque não comem não dormem e vão todos para casa ao fim do dia.
A comida é de má qualidade, os géneros alimentícios são os de pior qualidade (pois quem não paga aos fornecedores recebe o que sobra dos restantes clientes), as fronhas são imundas, os colchões são do terceiro mundo com dezenas de anos de vida, os tabuleiros parecem ter sido recuperados de uma guerra, as instalações sanitárias nem se fala, as viaturas de transporte operacional, apesar de proibido, transportam os civis para as suas residências com cenas dignas de serem vistas.
Os referidos generais vivem satisfeitos no seu dia a dia com as G3 do tempo colonial, as Walther da 2ª GM e os capacetes que são alugados para documentários do Canal História, enquanto compram submarinos, para estarem nas docas, sem qualquer tipo de munições, os aviões não podem ser utilizados pela NATO por não possuírem as qualificações técnicas nem o armamento e os helicópteros apenas porque são pagos pelas verbas de Busca e Salvamento no mar e para transportar os VIP, mas mesmo assim com verbas muito desviadas até que foi necessário fazer de alguns "vacas" para lhes tirar peças.

ANTÓNIO D'ALMEIDA
Ex-Aluno dos Pupilos do Exército
Bacharel em Contabilidade

Licº Ciências Militares/AM (Ref)
Gestor de Empresas (Ref)"

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

POR VEZES... ACONTECE...!



"Domingo, 4 de julho de 1937, 10h20. Rua Barbosa du Bocage. António de Oliveira Salazar preparava-se para sair da sua viatura oficial, um Buick, frente à casa do seu amigo pessoal Josué Trocado, em cuja capela privativa costumava assistir à missa dominical. De repente, uma enorme explosão atroa os ares e esventra a rua. Fumo, pedras, lajes e placas voam pelos ares. Abre-se uma cratera larga e funda na rua.
A perplexidade é total.
Ouve-se gritos, gente que foge, pessoas que acorrem a ver o sucedido. Trocado precipita-se para a viatura. Ileso, sacudindo a poeira que o cobrira, o ditador sai da viatura pelo seu próprio pé, olha para os lados e aparentemente indiferente, frio, diz: «Vamos assistir à missa.» Esta é a extraordinária história, quase cinematográfica, do único atentado contra a vida de António de Oliveira Salazar, que o historiador João Madeira nos conta ao longo destas páginas. Reconstituindo factos, segue a investigação policial que imediatamente foi montada com exames, inspeções, denúncias e teses contraditórias e se torna numa verdadeira caça ao homem. É preciso encontrar culpados, a todo o custo.
Surge então o fantástico «grupo terrorista» do Alto do Pina. Mas a trama é mais complexa do que parece. 
Este é um acontecimento que se enquadra no contexto da guerra civil de Espanha e das ações de solidariedade desenvolvidas pela Frente Popular Portuguesa em convergência com os anarquistas."
 ...
Os jornais da época, as conversas de boca em boca à saída das igrejas, todos falavam em milagre. Mas na realidade, uma sucessão de episódios de circunstâncias inesperadas e de erros, nomeadamente no fabrico do tubo metálico, demasiado curto, que serviria de bomba, fez com que esta detonasse em sentido contrário do local preciso onde o carro estacionara.
Por pura sorte, António de Oliveira Salazar escaparia sem um arranhão deste atentado. 
No final, enquanto uns lhe pediam repouso, mantendo a pose bem afivelada, sorriu e respondeu «Como fiquei vivo terei de continuar a trabalhar».


Segundo o historiador Manuel Loff  “o atentado de Julho de 1937 contra Salazar não foi sequer o mais espetacular das manifestações da tensão armada dos anos da Guerra Civil de Espanha. A revolta da Armada de Setembro de 1936, motim de marinheiros planeado pela organização comunista (a Organização Revolucionária da Armada) dentro da marinha de guerra, eclode algumas semanas após o início da guerra em Espanha. 
Depois de ter conseguido controlar a situação – não sem antes ordenar o afundamento de dois navios de guerra controlados pelos rebeldes –, Salazar ordenou a deportação para o arquipélago de Cabo Verde, de um grupo inicial de 152 presos políticos, que foram forçados a construir a sua própria prisão, a qual se viria a tornar no mais sinistro e emblemático dos campos de concentração portugueses: o Tarrafal, na Ilha de Santiago”.


A Revolta dos Marinheiros - Setembro de 1936
 
Hoje, com o 'sentido patriótico' que é notório verificar nas fileiras, não seria possível outro 28 de Maio, um 31 de Janeiro, o assalto ao Quartel de Beja, o atentado a Salazar, o assalto ao Santa Maria, o ataque à antiga Base Aérea nº. 3 e tantos outros momentos gritantes da história portuguesa. Ainda se viram alguns fogachos entre o 25 de Abril e o 25 de Novembro, mas não terão passado de 'cantos do cisne', coisa que acontece quando se entra em coma profundo e se prenuncia a morte.

Talvez tenhamos de importar exemplos de luta, de coragem de dizer não, de resistência à destruição que está em curso nas Forças Armadas Portuguesas, porque aceitam que um qualquer aprendiz de governante venha destruir uma obra que demorou séculos a consolidar:
O CORPO DE ESPÍRITO E A COESÃO DE UMAS FORÇAS ARMADAS QUE NÃO SE DEIXARÃO ENREDAR NAS ONDA DE DESTRUIÇÃO QUE ESTÁ A SER APANÁGIO DO ACTUAL (DES)GOVERNO DA REPÚBLICA!

sexta-feira, 14 de junho de 2013

'AQUELES SOBRE QUEM PODER NÃO TEVE A MORTE...'




CARTA ABERTA AO CHEFE DO ESTADO MAIOR DA FORÇA AÉREA
 4/6/13
 As minhas saudações a V. Exª.
 Acabo de ser espoliado do meu complemento de pensão de reforma (CPR).
 De tal unilateral, mas certamente muito democrática medida, fui informado, oficialmente, através do ofício nº 2511,de 17 de Maio, da Direcção de Finanças.
 Parto do princípio de que tal complemento me foi atribuído em função dos préstimos da minha actividade profissional desenvolvida ao serviço do Estado e da Nação, e não por qualquer devaneio de gente insana, resquício revolucionário, tão pouco por um capricho de favorecimento ilícito.
 Não tendo, outrossim, dado conta de me ter sido levantado qualquer processo judicial que pudesse ter posto em causa a percepção de tal CPR, apenas posso concluir haver alguém, um dia destes, ter acordado mal disposto decidindo, por sua alta recriação, despojar-me de tal quantia, apesar de minguada.
 A explicação que recebi de V. Exª que, supostamente, me tutela e à instituição que servi, durante 27 anos, pouco adianta – confesso – ao meu entendimento sobre as razões de tal esbulho, embora deva reconhecer, o esforço que dispensaram a esse intento, já para não referir o papel e tinta, gastos.
 Seguramente, por entendimento néscio da minha parte, apesar de – quero deixar claro – ter concluído em tempo e com algum brilhantismo, a antiga 4ª classe, e já não ter sido abrangido por nenhum curso saído de Bolonha, dizia, não consegui perceber patavina do que me avançaram.
Apenas intuí estar perante mais uma infame mescla de engenharia financeira, administrativa e jurídica, a qual fazendo corresponder a um triclínico artigo ou a uma estrambólica alínea ou despacho, uma certa quantia em euros, até que a totalidade da reforma a receber no mês em causa e seguintes, equivalesse a essa descoberta maior da civilização árabe, que dá pelo nome de “zero”.
 Como não consegui entender, apesar de ainda continuar a passar nas inspecções médicas a que sou obrigado para continuar a poder desafiar as leis da gravidade – coisa que a nobre instituição que reunia os dois vocábulos “Força” e “Aérea”, está em vias de deixar de fazer – venho solicitar a V. Exª se digne informar-me das razões objectivas pelas quais fui objecto deste exercício de disparo à carteira, modalidade que nunca fez parte dos parâmetros avaliados na Carreira de Tiro de Alcochete…
E como deixei de acreditar no Estado – que me mente e me rouba, sem que, pelos vistos, isso cause a mais pequena perturbação psicossomática em toda a cadeia hierárquica – e que ainda conheci, minimamente, como “pessoa de bem” ; me educaram que a existência de sindicatos era incompatível com o exercício do “mister das armas”, e que os “Chefes” se preocupavam e defendiam os seus homens (agora também tenho de dizer, mulheres!) vejo-me órfão de pai e mãe, chefe de esquadra e juiz de comarca!
 Talvez o Sr. General, do alto do brilho prateado das estrelas me possa elucidar sobre o que devo fazer.
 Um ponto (aquele em que me avisa? Ameaça? Discorre?) porém, existe no tal ofício, com que me agraciou no seu esplendor comunicacional, que ainda se entende menos: sobre o modo como me irá surripiar o que indevidamente me pagaram desde o princípio do ano, dado que tal medida devia ter sido posta em prática, no pretérito dia 1 de Janeiro.
 A competência dos serviços, de que V. Exª é o topo da pirâmide, desvela-me e só é comparável à intrigante dúvida de como pensam ressarcir-se de tal pecúlio, já que não tocam no meu vencimento dado o mesmo ter sido transferido para a CGA, entretanto alcunhado de reforma.
 Estou certo de que descobrirão uma forma – sobretudo desde que, lamentavelmente, deixaram entrar os esbirros das finanças, vasculhar nas contas das unidades – mas, também, estou certo que tendo sido voluntário para ingressar na FA, não o serei para colaborar nesse intento.
 Posso até garantir, que só não entrarei “ao passo”, se não puder.
 Esmagado pela evidência de tão lídimo amplexo de virtudes cívicas e militares,
 Subescrevo-me
 Atento, nada venerando e desobrigado
João J. Brandão Ferreira
 TCorPilAv (Ref.)
  014391-L
 (Das mui antigas, nobres, por vezes gloriosas, mas quase extintas,  Forças Armadas Portuguesas)
.............
Apetece recordar que o Hino Nacional de Portugal apela ao patriotismo dos portugueses, lança o grito  'contra os canhões, marchar...marchar' para que não haja dúvidas de que os portugueses não têm sangue de aranha, como parece ser o caso de alguns que se apelidam de 'chefes', porque CHEFE é aquele que lidera sem ditadura, aquele que se faz obedecer pelo exemplo, que usa de justiça nas relações com aqueles que estão sobre as suas ordens. 
Ao chefe compete defender o subordinado quando este é vítima das injustiças vindas das cúpulas, e jamais esconder a cara às diatribes das autoridades supostamente superiores, porque quem não sabe defender os que o servem...
Ser Chefe é uma honra e quem tem a dita de encontrar um Homem capaz de se afirmar como líder em todas as circunstâncias, é uma pessoa feliz!

sábado, 6 de abril de 2013

AS FORÇAS ARMADAS DE 1974 VERSUS 2013

Em 1974 as Forças Armadas (FAs) possuíam uma dimensão e um poder jamais atingido em 850 anos de História (o que não voltará a repetir-se…), estavam espalhadas por quatro continentes e outros tantos oceanos e combatiam, vitoriosamente, em três teatros de operações diferentes.
 O problema maior com que se confrontavam, era a falta de oficiais do quadro permanente, derivada da rarefação de candidatos às Escolas Superiores Militares. Sobretudo no Exército e Força Aérea. Esta falta foi-se agravando desde meados dos anos sessenta e agravada por causa do sempre crescente aumento de efectivos, pela morte e incapacidade de alguns e pela saída do serviço activo, de outros.
Agravava a situação a lassidão e o cansaço que o tempo prolongado da guerra causava nos quadros militares. [1]
A situação era especialmente preocupante nas classes de capitães e subalternos (e já se fazia sentir nos sargentos).
 Ora sem oficiais não se consegue manter um Exército de pé. Pelo menos com a qualidade necessária a qual, fatalmente, irá degradar-se continuamente.
O Governo, de então, reagiu tarde e não conseguiu ou não quis, resolver o problema.

As tentativas efectuadas foram lentas, deram poucos resultados e foram inábeis ao ponto de se publicar o Decreto – Lei 373/73.[2] Este diploma causou muito mal-estar nas fileiras e espoletou a revolta activa, numa pequena percentagem da oficialidade.[3]
Tal revolta desembocou no golpe de estado ocorrido em 25 de Abril de 1974, com um “incidente” - nunca devidamente explicado - uns dias antes, a 16 de Março.
O resto do país vivia calmamente com alguns focos de instabilidade nas universidades, aquando de eleições e uns atentados à bomba por grupos de extremistas comunistas e de extrema-esquerda.
 A economia crescia a 7% ao ano (no Ultramar era mais) e crescia de forma harmónica e sustentada. O escudo era uma das moedas mais fortes e respeitadas do mundo e não havia desemprego. 
As condições sociais melhoravam paulatinamente à medida que as condições financeiras o permitiam.
 A abertura política era um facto, as forças totalitárias eram diminutas e estavam contidas e o capitalismo selvagem impedido de ultrapassar a fronteira. A maioria dos governantes tinha currículo e era gente séria, não vendida a interesses estranhos ou ao Deus “mamon”. A corrupção não estava erradicada mas estava contida e era combatida.
 E, acima de tudo, mandava-mos na nossa casa e tínhamos uma capacidade apreciável de influenciar o nosso destino.
Mesmo assim as FAs fizeram um golpe de estado - de que logo perderam o controlo - aproveitando a inabilidade do governo e o cinismo maquiavélico de um general e a vaidade (que lhe terá embotado o senso) de outro. Ambos com protagonismo forjado nas suas carreiras.
 
-O Exército do Ministro da Defesa a que temos direito...-
 O resto é conhecido, embora muito mal contado.
 Em 2013 não há guerra nas nossas fronteiras (apesar de nos últimos anos se terem já enviados mais de 30.000 militares portugueses para cerca de 30 cenários de conflito ou de cooperação técnico-militar, muitos dos quais de interesse duvidoso) vive-se uma situação “normal”, sem qualquer interferência das FAs na condução da política do país, sem alteração da ordem pública e sendo tudo conduzido democraticamente (ou havendo a ilusão disso), o país entrou em recessão económica e descalabro financeiro contando-se já três resgates financeiros o último dos quais transformou o país numa espécie de protectorado sem fim à vista.
O desconchavo social e moral é grande e a prova mais perigosa disso é o suicídio coletivo em que estamos postos, já que tudo aponta para o fim da “raça” dos portugueses…
 Entrou-se, estouvadamente, para uma coisa que parecia um clube de ricos, que nos privou da moeda e a que nos submetemos como cordeiros a caminho do matadouro e onde não mandamos nada.
O desregramento e a corrupção espalham-se infrenes e onde a vida política decorre com pouca elevação e os partidos políticos se transformaram, basicamente, em agências de empregos, sem categoria alguma.
Nos poucos intervalos da “guerra civil” permanente em que vivem uns com os outros e dentro de si, para ver quem manda e quem vai para o poder, tentam fingir que tratam dos assuntos da governação enquanto garantem o usufruto para a vida e viajam constantemente. Afinal o mundo globalizou-se…
Pelo meio entretiveram-se a destruir todo o poder nacional e a subverter os pilares institucionais da Nação. Entre estes está a Instituição Militar.
Tal se passou sem que se entendesse qualquer alerta da sua parte – como era seu dever.
 A quantidade de barbaridades a que as FAs têm sido sujeitas é dantesca. E, note-se, tal acontece quando estas estão “pacificadas” e “civilizadas”, são competentes e, no mais, patriotas.
 Ora tudo o que se tem passado, nestas últimas décadas, faz parecer as razões que levaram a depôr os órgãos de soberania, em 1974, uma brincadeira de juvenis (recordamos que o país estava em guerra – embora de baixa intensidade – e que as consequências do golpe de estado foi a de a termos perdido ignominiosamente e de a Nação ter sido amputada, sem lustre e com vergonhas muitas, de cerca de 95% do seu território e 60% da população – sim ela era portuguesa…).[4] 
E com uma agravante assinalável – a das intenções – o que se conta em duas penadas:
Em 1974 a Instituição Militar estava prestigiada e era defendida pelo poder político ao ponto de ninguém, nas fileiras, sentir minimamente a necessidade de cuidar da sua imagem (nem a “Censura” permitia que se dissesse mal dos militares).
Em 2013 a imagem mediática e social e a defesa institucional das FAs é a que todos conhecemos e anda pelas ruas da amargura.
Em 1974, independentemente dos erros cometidos relativamente ao modo de melhorar o recrutamento – em que os principais responsáveis acabaram por ser dois militares (o MDN, general Sá Viana Rebelo e o CEMGFA, general Costa Gomes), que impediram a colocação dos oficiais oriundos de milicianos num quadro próprio onde seriam promovidos sem interferirem com os oficiais do quadro permanente oriundos da Academia Militar e Escola Naval – fizeram-no, estou em crer, de boa mente, numa tentativa de resolver um problema gravíssimo que afectava, directa e negativamente, as operações militares em curso.
Tão pouco lhes passaria pela cabeça qualquer intenção de prejudicar fosse quem fosse, muito menos o de diminuir a honorabilidade ou a eficácia da IM. 
Em 2013 a quantidade de barbaridades feitas às FAs e os ultrajes à IM e aos militares atingiram níveis inauditos e continuados no tempo. E dou um doce a quem provar haver alguma boa intencionalidade no desbaste efectuado e que vai continuar até que a IM seja apenas uma recordação histórica.
Em 1974, uma pequena parte das FAs deitou o regime abaixo – com a complacência da maioria e a “ultrapassagem” do topo da hierarquia.
Em 2013 a hierarquia militar não tem sido capaz de levantar um dedo que seja, em defesa da Instituição – que é também a da defesa do país. Também com a complacência da maioria.
Em 1974 a ameaça maior à Nação vinha de forças marxistas e internacionalistas dentro e fora das nossas fronteiras; em 2013 essa ameaça maior deriva, outrossim, de forças internas e externas, mas agora de âmbito financeiro capitalista e apátrida, e também internacionalista.
Mas ambas estavam já presentes em 1974, do mesmo modo que estão presentes em 2013.
Incomodo hoje os leitores com estas observações por as achar, no mínimo, curiosas.

João José Brandão Ferreira
 Tenente Coronel Piloto Aviador (ref.),
Comandante de Linha Aérea e Mestre em Estratégia


[1] Em boa verdade invocar o “cansaço” das operações militares, em militares do quadro permanente, não é, em teoria, argumento para justificar qualquer situação menos apropriada. Mas é sabido que, na prática, tal a acontecer não deixa de provocar efeitos no Moral. O que necessita ser aferido constantemente.
[2] Este decreto previa que os oficiais milicianos pudessem frequentar um curso abreviado na Academia Militar e serem promovidos a oficiais do quadro permanente com a antiguidade da sua promoção a alferes. Ora tal, a verificar-se, iria provocar a ultrapassagem de todos os capitães, e alguns majores, licenciados por aquele estabelecimento de ensino.
Este decreto – lei tem alguns antecedentes que são importantes para a cabal compreensão do que se passou, mas que não se referem para economia de texto.
[3] Nunca contabilizada, mas que se estima em não mais de 3%. Curiosamente a classe de sargentos esteve ausente em quase tudo o que ocorreu.
[4] E sem nunca lhe terem perguntado nada. Tudo muito democrático e conforme ao Direito…

quarta-feira, 13 de março de 2013

BRINCANDO COM A SAÚDE DOS MILITARES...

"Os 'Tropas' podem estar tranquilos, que eu nunca lhes darei razão para não gostarem de mim!"
«IASFA - mais uma bronca, agora também


na consulta Ortopedia. Para reflexão...

Para informação, com inerente reflexão

"Na passada sexta feira , 08/03/13, compareci no IASFA cerca das 11h00 para dar uma consulta de Ortopedia a vários doentes que regularmente assisto desde há vários anos.
Com a maior surpresa verifiquei que não tinha qualquer doente ( em media 10 a 12doentes) e que inclusivamente nem tinha qualquer consultório atribuído , sem ter sido minimamente avisado.
Dirigi-me, por indicação de uma das empregadas,  à recepção,  para obter alguma informação, onde, com a maior surpresa,  me foi dito, por outra funcionária, que "o Coronel anda por aí a falar com uns médicos".
Perante esta situação e perante o facto de, objectivamente, além de médico ortopedista ,ser Major-General na reserva e na efectividade de serviço, resolvi retirar-me sem nada referir ou fazer qualquer comentário.
Pouco tempo depois dei conhecimento desta situação ao Sr Ten -Gen Fialho da Rosa, responsável pelo IASFA, referindo-lhe o sucedido e solicitando informação sobre o assunto.
Estou a aguardar esclarecimentos.
Permito-me não fazer, nesta altura , qualquer juízo de valor sobre esta questão.
Envio apenas este e-mail a alguns camaradas para que, em conjunto, possamos reflectir do que deve efectivamente ser feito relativamente a esta questão e a algumas questões afins."
Bargão dos Santos, Mgen»
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Não é o IASFA que anda mal, mas sim o mau profissionalismo de algumas pessoas que por lá andam, que têrm a educação do carroceiro, sem ofensa para estes, a clarividência de um asno, estes que me desculpem, a sensibilidade de um urso pardo esfomeado, a competência de um pedregulho, a vontade de trabalhar de um Panda ou de uma  Preguiça... mas clamam nas manifestações, ululam nas greves e ninguém lhes dá o tratamento que deveria ser dado aos indesejáveis: RUA!!!

terça-feira, 12 de março de 2013

GRANDE GENERAL SILVESTRE DOS SANTOS!!!



«..Exmº. Senhor General Chefe do Gabinete de S. Ex.ª o Ministro da Defesa Nacional, Caro camarada:

Apresento a V. Ex.ª os meus cumprimentos.

Tomo a liberdade de me dirigir a V. Ex.ª para lhe solicitar que transmita a S. Ex.ª o Sr. Ministro a minha indignação relativamente à forma pouco respeitosa e mesmo insultuosa como se referiu às Forças Armadas, aos militares e às suas Associações representativas, no passado dia 1 de Fevereiro.
De todos os governantes, o Ministro da tutela era o último que deveria proferir palavras dessa estirpe.
Sou Tenente-General Piloto-Aviador na situação de Reforma, cumpri 41 anos de serviço efectivo e possuo três medalhas de Serviços Distintos (uma delas com palma), duas medalhas de Mérito Militar (1.ª e 2.ª classe) e a medalha de ouro de Comportamento Exemplar. Servi o meu País o melhor que pude e soube, com lealdade e com vocação, sentimentos que S. Ex.ª não hesita em por levianamente em causa. Presentemente, faço parte com muito orgulho, do Conselho Deontológico da Associação de Oficiais das Forças Armadas.
Diz o Sr. Ministro que “a solução está em todos nós. Em cada um de nós”. Não é verdade! A solução está única e exclusivamente na substituição da classe política incompetente que nos tem governado (?) nos últimos 25 anos, e que nos tem levado, de vitória em vitória, até à derrota final! Os comuns cidadãos deste País, nomeadamente os militares, não têm qualquer responsabilidade neste descalabro. Como disse o Sr. Coronel Vasco Lourenço no seu livro, “os militares de Abril fizeram uma coisa muito bonita, mas os políticos encarregaram-se de a estragar…”
Diz também S. Ex.ª que as Forças Armadas estão a ser repensadas e reorganizadas. Ora, se existe algo que num País não pode ser repensado nem modificado quando dá jeito ou à mercê de conjunturas desfavoráveis, são as Forças Armadas, porque serão elas, as mesmas que a classe política vem sistematicamente vilipendiando e ultrajando, a única e última Instituição que defenderá o Estado da desintegração.
Fala o Sr. Ministro de algum descontentamento protagonizado por parte de alguns movimentos associativos. Se S. Ex.ª está convencido que o descontentamento de que fala se limita a “alguns movimentos associativos”, está a cometer um erro de análise muito sério e perigoso, e demonstra o desconhecimento completo do sentir dos homens e mulheres de que é o responsável político. Este descontentamento, que é geral, não tenha dúvida, tem vindo a ser gerado pela incompetência, sobranceria, despudor e, até, ilegalidade com que sucessivos governos têm vindo a tratar as Forças Armadas. É a reacção mais que natural de décadas de desconsiderações e de desprezo por quem (é importante relembrar isto) vos deu de mão beijada a possibilidade de governar este País democraticamente!
As Forças Armadas não querem fazer política! Não queiram os políticos, principalmente os mais responsáveis, “ensinar” aos militares o que é vocação, lealdade, verticalidade e sentido do dever. Mesmo que queiram, não podem fazê-lo, porque não possuem, nem a estatura nem o exemplo necessários para tal.
Quem tem vindo a tentar sistematicamente destruir a vocação e os pilares das Forças Armadas, como o Regulamento de Disciplina Militar, destroçado e adulterado pelo governo anterior? Quem elaborou as leis do Associativismo Militar, para depois não hesitar em ir contra o que lá se estabelece? Quem tem vindo a fazer o “impossível” para transformar os militares em meros funcionários do Estado? Apesar disso, tem alguma missão, qualquer que ela seja, ficado por cumprir? Fala S. Ex.ª de falta de vocação baseado em que factos? Não aceita S. Ex.ª o “delito de opinião”?
Não são seguramente os militares que estão no sítio errado!
Por tudo o que atrás deixei escrito, sinto-me profundamente ofendido pelas palavras do Sr. Ministro.
Com respeitosos cumprimentos de camaradagem

EDUARDO EUGÉNIO SILVESTRE DOS SANTOS
Tenente-General Piloto-Aviador (Ref.) 000229-B

P.S. – Informo V. Ex.ª que tenho a intenção de tornar público este texto.»

sexta-feira, 8 de março de 2013

MEMÓRIAS... DO 11 DE MARÇO NA BA3

FAZER FILHOS... EM MULHERES ALHEIAS?
Aproxima-se o 11 de Março e, com esta data, o princípio do fim da Base Aérea nº. 3 como Unidade de élite da Força Aérea. Naquela madrugada, os 'esquerdistas' da Aviação Portuguesa, que sempre fizeram questão de 'mostrar' ao 'Velho' 'Zé Voador' serem mentes bastante abertas ao progresso, resolveram fazer voz grossa e dizer ao General Spínola e aos que o seguiam, que queriam destruír tudo quanto de bom foi feito ao longo de muitos anos. Até inventaram uma 'Matança da Páscoa', não sabendo que os Patriotas até podem ser vegeterianos e não gostarem de porcos.
Quando sabotaram o Hangar e destruíram as aeronaves ali estacionadas, já era um prenúncio daquilo que haviam preparado para acontecer no 11 de Março, mas apenas veio a acontecer no 25 de Novembro... ainda que com os bonecos a caírem por terra, porque o Zé Povo estava atento.

Inventaram a morte de um Soldado Luis, que teria sido trucidado pela metralha dos T-6 vindos de Tancos, mas a bala  que matou o Soldado Luis foi disparada pelo Exército, pela GNR ou pela PSP, para não falar na hipótese dos tão badalados SUV terem armas viradas ao camarada. Dos T-6 não, nunca, jamais em tempo algum foi disparada a bala assassina.
Atente-se que, entretanto e desde o início da tarde, tinham começado a surgir apelos à mobilização popular. Levantaram-se barricadas nas estradas, os bancos encerraram à tarde e havia piquetes nos locais de trabalho. Algumas unidades militares, entraram de prevenção. Põe-se mesmo a hipótese de entregar “armas ao povo”. A casa do general Spínola, em Lisboa, é assaltada, tal  como as sedes do CDS e do PDC (Partido da Democracia Cristã, conotado com a extrema-direita).A norte, são as sedes do PCP e do MDP/CDE as atacadas.
E hoje? Será que o Povo vai cantar o 'GRÂNDOLA, VILA MORENA...',  recordando esta data que teve a marca demoníaca de uma guerra civil mesmo a estalar? Será a razão porque o Ministro da Defesa quer acabar com a 'Tropa', para que não haja outro '25 de Abril', '11 de Março' ou ´25 de Novembro'? Ele tem medo da solidariedade dos Militares, porque estes não se vergam aos que pretendem dar cabo das Forças Armadas, que juraram defender.