No dia 25 de Novembro de 1975, no decorrer do PREC que se seguiu ao 25 de Abril, Portugal esteve com as portas escancaradas a
uma guerra civil, mercê de um período de disputa pelo poder
político-militar que abrangeu todo o Verão de 1975, quando as forças '
democráticas' formadas pelo PS, PSD e CDS, na ala partidária, os moderados do MFA, consubstanciados no Grupo dos Nove, e a
Igreja Católica, davam corpo ao desejo de estabelecimento de uma democracia do tipo europeu, tendo como antagonistas as
forças pró-comunistas, de que faziam parte o PCP, a UDP e outros grupelhos de extrema-esquerda, além da Esquerda Militar, que
procuravam impor ao País um regime próximo do dos países
comunistas, se enfrentaram em Lisboa.
Acabou o braço de ferro por ser ganho pelos moderados, reabrindo-se assim o
caminho para a democracia, mas a data, ou antes o "quem foi
quem e fez o quê" nestes acontecimentos que levaram os radicais do
MFA a aliciar a unidade pára-quedista de Tancos para marchar sobre a capital e
as principais bases aéreas da FAP, é ainda hoje um
"mistério" e esse "mistério" resume-se a uma
pergunta: Foi, ou não, o PCP, com o apoio operacional da Esquerda Militar,
a organização que avança para o confronto e porquê?
É que há dúvidas sobre a "incoerência" de um plano
militar tão frágil, tão cheio de nada, como o que foi executado pelos revoltosos de Tancos. Politicamente... quais eram as verdadeiras intenções e que acções desenvolveu o PCP nessa data. Poderia o PCP
avançar para uma tentativa de mudança do poder político-militar utilizando um
plano militar tão cheio de falhas? Quereria realmente fazer um golpe
militar, visando tomar o poder?
Seria o
plano militar de quem comandava o 25 de Novembro realmente pobre de conteúdo? Não o podemos afirmar, porque qualquer
aprendiz de militar verifica que uma acção de ocupação do
Comando Operacional da Força Aérea e das principais Bases Aéreas operacionais não poderá ser considerado um plano qualquer, reputando-o até como um plano
inteligente e bem capaz de fazer o fiel da balança do poder pender
para a esquerda pró-comunista, dado a principal força
de actuação - o Exército - estar maioritariamente dominada pelos moderados, para fazer o desequilíbrio teriam de contar com os outros dois ramos das Forças Armadas - Marinha e Força Aérea - podendo então impor ao Exército um realinhamento
político-militar e impedir a eventual acção deste Ramo para repor a ordem
no País. O tomar de assalto o comando da Força Aérea e as suas principais bases
significava estar a subtrair ao Exército o seu principal apoio, ao mesmo tempo que seria
também uma forma de incitamento à Marinha, em especial aos Fuzileiros, para que tomassem uma posição ao lado dos radicais.
Falhou alguma coisa neste
plano militar? Falharam duas coisas muito importantes, sendo a primeira o alinhamento do
então comandante operacional do Copcon - QG operacional do MFA -, General
Otelo Saraiva de Carvalho, ao lado dos Para-quedistas, principal 'arma' da
Esquerda Militar.
Otelo sempre foi alguém com que o PCP mais voluntarista contou como
aliado e comandante militar "independente" para o golpe. Só que ele foi para casa
nessa madrugada, deixando os revoltosos sem um comando visível - razão do
ódio, que ainda hoje persiste, do PCP para com Otelo.
Por outro lado, falhou a acção do
presidente da República, general Costa Gomes, que foi sinceramente contra a ideia de
uma guerra civil, dando ordens de fidelidade hierárquica a unidades e
cobertura aos militares moderados.




.jpg)



.jpg)



.jpg)


